segunda-feira, 15 de março de 2010

Ser um instante



Sou, fui, serei:

-Eu fui? Será que fui? Me lembro ainda se eu fui?
Eu sou quem eu fui? O que muda saber o que fui? -Eu serei? Será que serei? Lembrarei-me ainda do que fui e do que serei? Serei eu aquilo que eu sou? O que mudará saber hoje o que eu ainda serei?


Só sei que sou: O que fui não lembro... lembranças tenho do que sou. Só sei quem sou: Amanhã talvez, eu descubra o que serei quando eu o ser... e esqueça o que fui hoje. Ou não, vai saber... O que serei é tão vago quanto o que fui, só me lembro de hoje. Conhecimento do "ego" é conhecimento impreciso...conhecer é descobrir á todo tempo o eu mutável: não dá para lembrar, tão pouco, projectar...
H
oje eu quero conhecer a mim mesmo no dia de hoje, sem pressa, no presente instante: na eternidade do "agora". Eterno, pois, o instante fugidio é a única certeza imutável. O presente é o eterno: o que fui e o que serei não existem...
Assim como as indagações, as infinitas reticências e pontos, nada disso importa:
eles foram e não são - ficaram á um segundo atrás, durante o meio tempo em que eu descrevo o que sou ou o que sinto no "agora". E o que deixa de ser, importa tanto quanto o que virá a ser: NADA.
O que importa é
o que é, o que foi deixou de ser e o que "será" talvez importe quando for
...ou não...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Dois Fantasmas

As vezes é saudade. Saudade fininha e aguda, como a ponta da agulha quando pica a carne. Mas diferente da agulha, a saudade não deixa vestígio de sangue, apesar de deixar marcas. As marcas são invisíveis, são crateras que não se vê, mas que se sente.

Outras vezes, uma mistura: ansiedade e esperança. A mistura resulta em outra coisa: é como o vermelho e o azul que juntos, resultam em roxo. O roxo não é um e nem o outro. Uma vez misturados não podem ser separados, apenas diluído em um pouco mais de um e um pouco menos do outro. Mas a mistura não resulta em verde, roxo ou laranja; não é uma cor primária ou neutra. A mistura é invisível, mas tão intocável quanto as sete cores do arco-íris ou as sete notas musicais.

A saudade é sempre uma tristeza do que se foi, mas que surge no presente instante enquanto sentimento de falta. A saudade é sempre algo insistente, um fantasma ou espírito que assombra em tempo diferente.


A esperança é o Horizonte: vai embora quando deixamos de ver e ou de buscar. A esperança por algo que desconhecemos gera ansiedade e angústia: é como a sede dentro do oceano. Não é fantasma do que se foi, mas do que virá a ser.

Música




Não minto quando digo sentir quando ouço. Sinto mesmo sem sentir ou ser sentida. Parece ser sem sentido dizer que sinto dizer que o ouvido sente "Dó" quando ouve "Lá" sustenido ou destemido, o pequeno mim, este que de tão pequeno e agudo se passa por "Mi".
Acontece de as vezes, o "Mi" por ser tão agudo, quase se faz de mudo. Mas sinto um sopro, um ritmo desritmado vindo de "lá": 2 notas que juntas dizem sem dizer uma palavra: "Fá SI" e, que de tanto repetir, traz á tona uma outra face de "Mi".
Agora suspendi a "Dó", e em busca de "Mi", deixei de dar "Ré". Então descobri entre uma "Fá" "Sí" e outra, um "Sol". Eu vi o "Sol" mas não o toquei.
Ouvi, mas não parei só no ouvir, eu senti. Não vou mentir, preciso interagir de novo com o "Mi" antes de descrever a "Fá""Sí " do "Sol".

Mas confesso sentir medo de fazer a "Ré" e ver a antiga "Fá""Sí" de "Mi" e sentir "Dó".

quarta-feira, 3 de março de 2010

Agora


A ponte que divide uma nota de outra: ou a partitura que descreve o instante que precede o ontem ou antecede o amanhã: ou o cheiro que antecipa o gosto, como o instinto que sobressai as verdadeiras vontades e a textura das cores em meus dedos, lábios ou nariz: é o Agora.

terça-feira, 2 de março de 2010

esconde-esconde


Ao menor esforço de esquecer a gente lembra. E a lembrança que não quer ser esquecida vem mais forte. Então, surge a vontade de se esconder das pessoas, do mundo e seus reflexos, de si. Mas o escuro é apenas a ausência de luz: não faz mágica, quando muito camufla.
Porém, o tempo passa e o velho truque fica velho mesmo, por ser tão velho perde a graça, é logo descoberto: por mais que a gente engane um ou outro, ou até mesmo todo mundo, a gente não engana a si mesmo. Não conseguimos esconder de si mesmo. O truque não funciona, engana, mas logo desengana.

Conversando com "MIM"

S
into a mim mesma: eu penso, eu toco, eu vejo... Mas o "Mim" é um ser ainda desconhecido. Sou um ser que refere-se a si mesmo no passado. Um ser que se compreende através de uma história mal contada: uma história com um começo pouco compreendido, um meio perdido e, um fim a ser escrito.
Um Ser que se perde em frente ao espelho do mundo, em meio á silenciosas indagações, teorias e experiências- com e para si mesmo. Um Ser que busca explicações que só serão apresentadas no fim do Ser. Um ser constantemente inventado e reinventado.

Desculpe Meu Amor

90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...