Palavras,
palavrinhas e palavrões...Uma palavra, um suspiro, um gemer de
prazer ou dor, um comprimido para curar e procurar o Amor.
Uma
palavra, um verbo, um adjetivo, um substantivo, um adjunto qualquer e
tantas palavras, versos, frases, orações, discursos inteiros e
complexos,
tanta complexidade e nada com NEXO!
Uma
palavra: um pedido, uma súplica, um perdão, um favor, um sim, um
não...
Palavra:
aquela dita, a bendita e a maldita! A palavra dita e a não dita! A
tal dita dura, ditadura...A censura, a clausura. A música, o açoite,
palavra de carinho, palavra pior
que o tapa na cara!
Palavra
dita: a escrita, a falada, a pensada, a máxima, a citada, a copiada.
E a
cantada, a interpretada,
o elogio, a acusação, a defesa, o devaneio, a prece, o desespero
humano.
Uma
droga chamada palavra! Um ruído constituído por fonemas, grifos e
significações. A palavra viciada, que cura e que mata! O
analgésico: PALAVRA.
Palavra
aos que muito falam, e menos ouvem. Uma pausa para os que pouco
dizem. E outra palavra em outro tom para os que não entendem...O
discurso dos fanáticos não assumidos, as vaias e os gritos: o
retorno à animalidade.
Existiria
palavra justa e medida, palavra cabida ao Silêncio? Existiria o
dicionário próprio para compreender o SILÊNCIO?
Falem,
gritem, urrem, repitam, distorçam, estiquem, misturem, alterem,
manchem, corrompam, ignorem,
atribuam às palavras novos
significados e esqueçam-se do velho e essencial. Palavra minha é o
Silêncio!
A
palavra é Espada: salva e mata. Existe a Palavra JUSTIÇA, existe
muita injustiça ao invocar tal palavra! Existe a FALTA, como também
existe EXCESSO. Existe a Palavra VERDADE, existiria VERDADE NAS
PALAVRAS DITAS? Qual é o SENTIDO (se existe tais palavras) da
VERDADE, do que é VERDADEIRO, do que faz SENTIDO, do que pode ser
TIDO?
Palavras
sem sentido, palavras daqueles que só enxergam o próprio umbigo!
Palavras doces como açúcar, que tocam a alma que ninguém vê.
Gestos, toques e tons: um beijo e palavras ao pé do ouvido. E o que
foi dito ontem, hoje está esquecido!
Timbres,
tons, sotaques, sussurros, algumas doses de vinho, pessoas e
imaginação. Sentido: o sentido que sente, mas não o que faz
sentido. O subjetivo, o relativo, o particular, a palavra na ponta da
língua. A lembrança, as primeiras palavras de uma criança...
Ironias,
as mentiras, os enganos, as comédias, as pequenas tragédias
diárias, os segredos, os diálogos, os argumentos válidos, o falso
argumento e a verdade mal argumentada. Palavras versadas, palavras
parafraseadas, palavras escassas, palavras que traduz, dialeto
incompreensível. Palavras sem brilho e sem cor, palavras sem cheiro
e sem sabor... Palavras de amor.
Quem
muito fala, nada diz. Palavra PRATA, silêncio OURO.
A
palavra é concebida ao ser pensada, ganha vida ao ser dita e morre
no mesmo instante que nasce. A palavra é passado. A palavra é
“coisificada”. Palavra abortada, quando dita é metamorfoseada em
faca e escudo, carinho e tapa!
A
palavra foi morta por outra palavra. O nome disso é DISCURSO,
FALÁCIA.