domingo, 22 de dezembro de 2013

Extinção, modismo e identidade ( ou falta dela)

Estamos morrendo meus amigos, meus irmãos, meus complementos, meus "eus"...Estamos morrendo.
Estamos voltando à Animalidade, à Pré-história...Nada criamos, nada pensamos de novo, nada lembramos, nada amamos...

Esta é a Era do desapego e esquecimento. Perdemos nossas individualidades. Esta é a verdade.

Um cabelo verde, um cabelo alisado, um par de lentes vermelhas, um termo inglês ou francês para designar um gosto ou contra-cultura indie-pop, é tudo o mesmo! 

"Salvem às Baleias!" A linda garota pacifista diz.

"Salvem a Humanidade" Alguma baleia disse.

Jogada ao mundo


   Ainda me lembro das palavras de um amigo esquecido: "Seu problema, a origem da sua angústia é querer resolver o absurdo, ao invés de se conformar com o mundo". A verdade é que eu passei a maior parte da minha vida em silêncio e com uma estranha rejeição às diferentes coisas. Dizia a minha mãe que eu nasci com atraso de 5 dias e só vim ao mundo porque ela foi ao hospital, não porque ela entrou em trabalho de parto, como o de costume. Mais tarde, descobri que as minhas 2 avós ( Graça e Flor) fizeram cada uma ao seu modo, simpatias para que eu falasse. Com quase dois anos eu pouco, quase nada eu falava.
   Aprendi a falar e tinha um sério problema de atenção. Além desse problema, tinha outro: o hábito de querer entender e duvidar daquilo que o outro diz. Apesar disso, acreditei em Papai Noel até os meus 9 anos, ainda que me perguntasse o motivo pelo qual Deus me mandaria para o inferno pelo simples fato de eu não ser batizada. Como ninguém entendia minhas perguntas ou por causa delas eu gerava um desconforto, tornei-me muda novamente.
   E apesar do silêncio, eu sempre temi o fim, o NADA, a inércia, as esperanças vazias, os valores inúteis, o esquecimento de valores abstratos. Sempre olhei para um mundo como quem já espera os seu melhor e pior. E ainda hoje, eu 15 mais velha me deparo com este mundo com o mesmo fascínio e assombro. Ainda hoje aos 25, ainda tenho medo de vir ao mundo, como eu tinha antes de conhecê-lo. 


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Sobre as Palavras


Palavras, palavrinhas e palavrões...Uma palavra, um suspiro, um gemer de prazer ou dor, um comprimido para curar e procurar o Amor.
Uma palavra, um verbo, um adjetivo, um substantivo, um adjunto qualquer e tantas palavras, versos, frases, orações, discursos inteiros e complexos, tanta complexidade e nada com NEXO!
Uma palavra: um pedido, uma súplica, um perdão, um favor, um sim, um não...
Palavra: aquela dita, a bendita e a maldita! A palavra dita e a não dita! A tal dita dura, ditadura...A censura, a clausura. A música, o açoite, palavra de carinho, palavra pior que o tapa na cara!
Palavra dita: a escrita, a falada, a pensada, a máxima, a citada, a copiada. E a cantada, a interpretada, o elogio, a acusação, a defesa, o devaneio, a prece, o desespero humano.

Uma droga chamada palavra! Um ruído constituído por fonemas, grifos e significações. A palavra viciada, que cura e que mata! O analgésico: PALAVRA.
Palavra aos que muito falam, e menos ouvem. Uma pausa para os que pouco dizem. E outra palavra em outro tom para os que não entendem...O discurso dos fanáticos não assumidos, as vaias e os gritos: o retorno à animalidade.
Existiria palavra justa e medida, palavra cabida ao Silêncio? Existiria o dicionário próprio para compreender o SILÊNCIO?
Falem, gritem, urrem, repitam, distorçam, estiquem, misturem, alterem, manchem, corrompam, ignorem, atribuam às palavras novos significados e esqueçam-se do velho e essencial. Palavra minha é o Silêncio!



A palavra é Espada: salva e mata. Existe a Palavra JUSTIÇA, existe muita injustiça ao invocar tal palavra! Existe a FALTA, como também existe EXCESSO. Existe a Palavra VERDADE, existiria VERDADE NAS PALAVRAS DITAS? Qual é o SENTIDO (se existe tais palavras) da VERDADE, do que é VERDADEIRO, do que faz SENTIDO, do que pode ser TIDO?

Palavras sem sentido, palavras daqueles que só enxergam o próprio umbigo! Palavras doces como açúcar, que tocam a alma que ninguém vê. Gestos, toques e tons: um beijo e palavras ao pé do ouvido. E o que foi dito ontem, hoje está esquecido!

Timbres, tons, sotaques, sussurros, algumas doses de vinho, pessoas e imaginação. Sentido: o sentido que sente, mas não o que faz sentido. O subjetivo, o relativo, o particular, a palavra na ponta da língua. A lembrança, as primeiras palavras de uma criança...

Ironias, as mentiras, os enganos, as comédias, as pequenas tragédias diárias, os segredos, os diálogos, os argumentos válidos, o falso argumento e a verdade mal argumentada. Palavras versadas, palavras parafraseadas, palavras escassas, palavras que traduz, dialeto incompreensível. Palavras sem brilho e sem cor, palavras sem cheiro e sem sabor... Palavras de amor.

Quem muito fala, nada diz. Palavra PRATA, silêncio OURO.

A palavra é concebida ao ser pensada, ganha vida ao ser dita e morre no mesmo instante que nasce. A palavra é passado. A palavra é “coisificada”. Palavra abortada, quando dita é metamorfoseada em faca e escudo, carinho e tapa!
A palavra foi morta por outra palavra. O nome disso é DISCURSO, FALÁCIA.


Desculpe Meu Amor

90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...