domingo, 29 de novembro de 2009

Vontades

Vontade, vontade de tantas coisas; por exemplo, vontade de ter você ao meu lado aqui neste exato instante: é domingo, poderíamos assistir aqueles filmes de comédia comendo um brigadeiro de panela, no sofá da sala, trocando cafunés e carícias...
Ou não, talvez você me chamasse para tomar uma casquinha, ver o pôr-do-sol apesar do tempo nublado, ou tomar banho de chuva de uma hora para outra...vai saber, você é tão imprevisível, é por isso que eu me apaixono a cada instante que o meu olhar se encontra com o seu...
Mas você não sabe disso, aliás você sabe tão pouco ao meu respeito. Não tem importancia, eu também não sei muito mais de você do que aquilo que você sabe ao meu respeito...
Só sei que você existe, em algum lugar a me procurar nos olhos de outros desconhecidos...Sei que você existe, mas não sei como provar. Nem sempre é possível atestar aquilo que só existe através de nossas crenças...
Sobre a ideia de vontade, minha maior vontade agora é só uma: Encontrar você...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pedido ao tempo

Tempo, tempo...Por que corres tão depressa? Eu perco os meus sapatos, perco o rumo, perco as forças ao te acompanhar...
E na tentativa de te entender, eu me perco. Perco as margaridas o horizonte, as estrelas, o verde da grama, o amarelo do deserto...
E quando encontro novas flores, novas cores e amores e penso em tudo tocar, o Tempo me afasta do lugar.

Tempo, tempo...Por que repousas? Eu perco a vontade, o som e as idealidades e, tudo passa bem devagar...
E na tentativa de compreender, eu encontro o meu "eu" perdido. Torno a usar sapatos, a observar as margaridas, desejo o horizonte, me apaixono pelas estrelas, quero tocar o arco-íris.
Mas quando penso em tocar e contemplar cada flor, cada cor, abraçar um novo amor, o tempo acorda e torna a correr...

-Tempo, eu preciso de um tempo só meu! Tempo para parar e respirar, para conduzir minha vida ao meu modo! Tempo, não devore sua prole! Só me dê tempo o bastante para explodir como uma estrela em um momento de grandes alegrias, mas, não demore muito ao me devorar, do contrário não mais conseguirei te acompanhar...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Tolices


Eu que sempre fui tida como louca, estranha e atrapalhada me recuso a aceitar que, uma pessoa é só aquilo que aparenta ou possui. Bonito ou feio, pobre rico; sempre me pergunto: "até a onde isso é relevante? " Sei que o amor por si mesmo não "basta para encher a barriga". Sei que só de amor ninguém sobrevive. Mas sei também que uma vida repleta de luxo e regalias, não é a garantia de uma existência bonita e saudável. Ainda que o dinheiro seja algo muito útil, não atende a todas as necessidades de um Homem. É tolice, eu sei. Acreditar em algo belo, recíproco, gratuito e inexplicável em pleno século XXI, em meio a um mundo completamente desconexo, onde o Homem está a cada dia mais próximo da máquina do que da própria ideia de Homem. Mas eu não mudo, me recuso a mudar minha postura no que diz respeito a essa questão. Me recuso a me "metarmofosear" e ser reduzida a isso. Sei que para muitos isso é loucura, esse inconformismo é uma perca de tempo, que eu sou tola por ser tão romântica e imaginativa... Eu vivo em outro plano e não nego! Pelo menos eu vivo, eu sinto e eu creio em algo abstrato que não está atrelado aos "bens materiais". Conheço mulheres, muitas mais velhas que eu. Elas dizem: " Se não for lindo, tem que ter dinheiro e me dar presentes se quiser uma chance comigo". Sobre tolices posso dizer que para uma pessoa como eu, isso é uma tolice: a tolice das tolices. E quando eu ouço o que elas dizem, por mais feminista que eu seja, é quase impossível não dar razão aos homens que tratam as mulheres como objetos ou animais. O triste é que por mais que eu seja diferente da maior parte, eu enquanto uma jovem irremediavelmente idealista que sou, pago um preço alto: o amor foi reduzido a um mero prazer fútil e vulgar, e tal prazer me leva a entender o por que de não haver mais cinema mudo ou serenatas ao luar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Por que?

Por que não podemos flutuar?
Por que as nuvens não são de algodão bem fofinho?
Por que não podemos alcançar as estrelas do céu?
Por que uma coisa tão bela quanto o arco-íris
pode ser visto, mas não pode ser tocado?
Por que escolher aqui ou ali?
Por que as bolhas de sabão não são eternas?
Por que as flores morrem?
Por que provar o que eu acredito ser ou não real?
Por que conter a lágrima que insiste em cair?
Por que esconder o riso, desviar o olhar?Por que corar?
Por que tanta dificuldade ao expressar o que a gente sente,
pensa, acredita, quer ou a negação de tudo isso?
Por que eu não sinto mais aquelas borboletas multi coloridas?

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Por que, por que?
Por que o mundo não pode ser
do jeito que a gente imagina?

domingo, 15 de novembro de 2009

Falta no mundo


Falta pessoas verdadeiramente sensíveis no mundo. Falta paz, no dia-a-dia de todo mundo. Falta vida neste mundo, faltam sonhos, faltam ideias geniais por serem tão simples. Faltam sentimentos generosos tanto no mundo particular de cada ser, quanto no mundo ao qual TODOS habitam.

Faltam artistas,
estes aliás, o mundo realmente carece. Mas de nada adiantaria tantos artistas, sem espectadores para reconhecer um grande artista em potência. Faltam espectadores e artista: falta entendimento para que ambos se revelem artistas e espectadores o tempo todo. Mas falta tempo, ânimo...sempre falta alguma coisa e, a falta é sempre justificada, mas, nunca suprida.

Nascem homens tod
os os dias, mas, muitos nascem mortos: são crianças que já nascem adultas! Não brincam, faltam-lhes a fantasia. Quando adultas, aprendem a correr para sobreviver, pois "tempo é dinheiro" e, dinheiro garante a sobrevivência. Para não faltar dinheiro, faltam-lhes tempo para criar, sentir, sonhar, isto é, viver.

Falta justiça para os que realmente precisam, a justiça que dispomos no momento, não é para todos os injustiçados,mas para os que podem pagar. Só não falta no mundo, a esperança. Todos crêem em algo (em um progresso, na justiça, em um sentimento, em um Deus, na ciência,nas artes...). E desta crença emerge a esperança que alimenta a vida dos que crêem.

Eu creio na falta, eu espero suprir uma ou mais faltas. Poderia dizer o que me falta,mas faltam-me palavras para expressar e justificar tamanha esperança...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Escuro


Estava escuro, muito escuro...Nunca tive medo do escuro, aliás, o excesso de luz sempre me causou vertigens. Não consigo dormir direito com as luzes acesas, a luz do Sol sempre causou incômodos para os meus olhos.
Mas senti medo, como talvez nunca havia sentido em toda a minha vida. Medo não do escuro, mas, medo do que poderia ocorrer dentro do escuro, do breu. Medo das pessoas que me cercavam, todas as pessoas, não medo de assombrações ou lendas...Medo do ser humano, que, embora não admita, é um animal como qualquer outro animal.
Eu tive medo de mim, medo do meu desespero, do meu descontrole, de uma agressividade que, no claro é quase inexistente. Mas que existe, sim existe. Ainda que eu não goste de assumir meu lado "selvagem". Quem eu estava tentando enganar? Não sou boa, não sou racional, sou instinto.
Mas, o escuro daquela noite me iluminou de um modo que, claridade alguma já o fez. Clareou minha percepção justamente por ter iluminado, não uma realidade externa, mas, por ter iluminado minha realidade interna: Eu vivo em uma selva, sou um animal como todos os homens são.
E, enquanto um animal, somos presas e predadores de uns e de outros. A sociedade forma uma cadeia, onde todos estão à mercê dos mais fortes ou dos mais fracos em nome de uma tal de sobrevivência, um tal de equilíbrio das espécies...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Um devaneio






Eu quero voar,
deixar o vento me levar.
Não dentro de um avião,
mas, enquanto bolha de sabão.

Quero mergulhar,
grandes mundos explorar...
Não em um submarino,
apenas como animal marinho...

Vida e Arte, quero misturar:
eu quero dançar!
Representar em um ato,
uma folha dançando no ar...

Tudo que resta é contemplar
e, dentro do mundo, imaginar...
Eis um milagre que acabei de inventar,
no simples ato de devanear...



sábado, 7 de novembro de 2009

Primavera entre o Cinza

Eu tento, eu juro que tento "racionalizar". Mas é tão difícil, é tão difícil quando a gente passa por cima dos nossos sentimentos, para preservar o coração. É tão difícil ser um corpo que não sente as emoções, ser um corpo que não se sensibiliza com as coisas mais simples e mais belas...
Eu tento ser forte, ser dura, ser uma máquina que pensa, que não sente, que assimila, mas que sozinha não cria.
Eu vejo as folhas que caem das árvores, quando o vento é suave, mas constante, posso enxergar as folhas dançando uma valsa no ar, em contraste com um cenário azul com rosa, lilás e com pinceladas de dourado, talvez ás 5 ou 6 horas de uma tarde de um sábado de primavera. Tudo o que vejo é tão bonito, tão vivo...É como se tudo surgisse diante dos meus olhos como um passe de mágica, tudo se transforma e flutua tão rápido que mal dá para acompanhar. Mas quando eu olho para este mundo, o tempo pára: é como se a Vida quisesse representar algum espetáculo só para mim, como se eu fosse única.
Mas isso não é verdade, ela não seria tão má ao ponto, de mostrar tantos espetáculos gratuitos só para uma pessoa. Com certeza a vida é ao seu modo generosa: ela mostra, ainda que em silêncio, um mundo em constante transformação para todos. E me pergunto: por que todos não observam a vida? Por que são tão mecânicos?
A vida é maravilhosa, é um presente. O que me mata diariamente é a sociedade que insiste em me puxar para baixo, no instante em que eu começo a me misturar com a própria ideia de vida.

Observação

"As urtigas são belas, muito belas. Isso, no entanto, não as impedem de ser igualmente perigosas para aqueles, cujo a pele, é tão sensível quanto papel de seda."

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Saudades


"Saudade", palavra tão singela e tão rica em significados...Mais que mera palavra, a Saudade é sentimento. As vezes chego a pensar, na sorte que eu tenho em ser uma brasileira, pois a saudade é por todos sentida, mas, por poucos explicada. No inglês mesmo, não existe a "Saudade", existe uma palavra chamada "miss" ou "missing", isto é, a saudade é reduzida à mera "falta". Não que a saudade não gere a falta, mas gera algo mais, gera um sentimento daquilo que já tivemos, mas que não temos, ou daquilo que nunca temos, mas que sabemos que podemos ter. A saudade do desconhecido, ou do conhecido.
Eu sou um ser humano que sente muita saudade. As vezes penso que meu peito vai explodir: em casa, na rua, de dia ou de noite. Saudade do que eu já tive, mas que não tenho mais, porque o tempo passou ou a vida levou: saudade dos tempos de criança, das brincadeiras, das fantasias, das traquinagens...Saudade dos que partiram, que foram embora pra bem longe ou dos que ainda moram perto, mas, que já não são mais os mesmos...Saudade dos meus romances imaginários ou reais. Saudade dos meus sonhos, das minhas esperanças, dos meus grandes ideais...Saudade das mágicas do meu pai, das brincadeiras e carícias da minha mãe, da ingenuidade do meu irmão...Saudade quando eu me lembro do que eu era ou daquilo que eu posso ser, mas que por algum motivo, não sou...
Saudade é um sentimento bom: nos ensina a dar valor aos instantes com aqueles que vemos diariamente e não aproveitamos, nos ensina que a vida passa muito rápido por causa do tempo, eu acho. A saudade é boa, pois inspira a fazer algo, ou a reconhecer algo: creio que a saudade nos ensina a crescer e criar. Mas a saudade é muita, a saudade é grande...

domingo, 1 de novembro de 2009

Culpado


Sempre quis saber o por quê das coisas, na medida do possível, meus pais respondiam. Com a minha mãe eu obtinha maiores êxitos, com poucas palavras simples, ela respondeu de modo inteligente e eficaz muitas duvidas que assolavam uma garotinha imaginativa. Meu pai, ele tentava, mas sempre complicava: era um pouco prolixo e gostava de usar palavras difíceis, era muito formal quanto suas explicações. Certa vez eu disse ao meu pai que eu não estava bem certa se a Terra girava mesmo em torno do Sol, não fazia sentido aquilo que minha professora me disse, ela dizia uma coisa e, eu via outra. Eu deveria ter uns 8 anos, meu pai me deu uma aula de física. Bem, mas ele foi um bom pai: me ensinou muito sobre as leis da vida, a importância de estudar, de pensar de acordo com a própria consciência sem deixar de levar as opiniões alheias em consideração, me ensinou a ser Humana e Humanista.

Meus pais sempre me disseram que existem muitas pessoas no mundo, mais novas ou mais velhas do que eu, que passam fome, que estão abandonados no mundo, mendigos, pessoas que morrem diariamente e injustamente. Bem, não deu outra, virei humanista - ainda que não soubesse muito bem o que iria me aguardar. Queria saber quem era o responsável pela fome, miséria, a injustiça. Deus foi o primeiro suspeito da lista, teve o capital, os fanáticos religiosos, os demagogos da política...Enquanto isso mais crianças morriam de fome, mais mortes gratuitas, mais desigualdade, devastação: vidas em perigo, eu sabia disso. Mas não sabia quem era o genocida. Se pelo menos eu soubesse quem era o culpado, já seria alguma coisa...

Até que finalmente descobri a real identidade do Culpado, do genocida, do monstro que mata as criancinhas e comete injustiças. Esse monstro não é Deus, não é o Capital, não é a Constituição. A própria Humanidade é Culpada por sua extinção. Deus é interpretado de acordo com a vontade dos que crêem, as leis são elaboradas por um governo eleito por um povo. O dinheiro é papel, o papel em si não tem valor, o valor do dinheiro depende daquilo que atribuímos  a ele. Mas para muitos, alguns pedaços de papel  obtidos de forma questionável vale mais do que vidas. E por falar em vidas, as guerras são contra a ideia de vida: mas o povo faz a guerra, pois acreditam em uma "Causa Universal": Deus, Liberdade, Igualdade, Verdade, Justiça. O que eles não sabem é que a "Causa Universal" não passa de mais uma "Causa Individual" que entra em conflito com outras "Causas Individuais", tornando-se em um ciclo vicioso e desumano.

Desculpe Meu Amor

90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...