sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Escuro


Estava escuro, muito escuro...Nunca tive medo do escuro, aliás, o excesso de luz sempre me causou vertigens. Não consigo dormir direito com as luzes acesas, a luz do Sol sempre causou incômodos para os meus olhos.
Mas senti medo, como talvez nunca havia sentido em toda a minha vida. Medo não do escuro, mas, medo do que poderia ocorrer dentro do escuro, do breu. Medo das pessoas que me cercavam, todas as pessoas, não medo de assombrações ou lendas...Medo do ser humano, que, embora não admita, é um animal como qualquer outro animal.
Eu tive medo de mim, medo do meu desespero, do meu descontrole, de uma agressividade que, no claro é quase inexistente. Mas que existe, sim existe. Ainda que eu não goste de assumir meu lado "selvagem". Quem eu estava tentando enganar? Não sou boa, não sou racional, sou instinto.
Mas, o escuro daquela noite me iluminou de um modo que, claridade alguma já o fez. Clareou minha percepção justamente por ter iluminado, não uma realidade externa, mas, por ter iluminado minha realidade interna: Eu vivo em uma selva, sou um animal como todos os homens são.
E, enquanto um animal, somos presas e predadores de uns e de outros. A sociedade forma uma cadeia, onde todos estão à mercê dos mais fortes ou dos mais fracos em nome de uma tal de sobrevivência, um tal de equilíbrio das espécies...

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