terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Enigmas




"O lugar ao Sol" jaz no mais profundo dos abismos. É preciso ser corajoso ou inconsequenteo bastante para permitir-se ser engolido por um buraco negro e, ir de encontro ao Sol.

Todavia, não pode-se esperar grandes méritos ou honrarias por cometer inusitadas ações, pois ainda que tratem-se de altruísmo ou capricho, "a consciência que os expectadores possuem das estrelas e supernovas só é adquirida após anos e mais anos-luzes".

Vislumbramos o futuro, mas vivemos a contemplar o que se passou: "tudo o que notamos no céu estrelado com olhos de novidade,- seja uma constelação ou uma estrela-cadente,- não passa daquilo que já foi e não mais é ".

O mundo está em um constante atraso. A prova jaz em nós mesmos, basta voltar os olhos aos planetas, estrelas e centenas de buracos negros que habitam dentro de nós; aos redores de mundos circundantes que transitamos; ou o grande Universo transcendente que tanto observamos.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Girassol

É dia, tarde de verão, mas o dia passou e o Sol não radia. O Sol se esconde entre as nuvens faz dias...

Por onde anda o Sol que desconserta o riso?

Onde está o Sol de minhas alegrias, que radia meus dias?

O Rouxinol de tão triste que ficou por conta da falta de sorriso do Sol, hoje não cantou.

E eu que não sou tão grande e brilhante, que não canto, me encontro em um canto só, á espera do canto do Rouxinol que depende do brilho do Sol...


Sem Sol não sou Sol, sem Sol não sou eu, um Girassol...
Sem Rouxinol, não há motivo para brilhar...
Sem eles, não tem por que desabrochar...

Então eu fico, Fico Só:
Fico só a lamentar a falta do Sol,
e a falta do sol do Rouxinol...



Chuva






Ultimamente ando muito sensível ás coisas. Uma mera palavra, um gesto, lembrança, canção ou brisa - tal qual o cheiro da chuva- é suficiente para fazer com que as águas internas lavem em abundância meus olhos.
Nem toda chuva é dilúvio. É mais fácil uma pessoa morrer por falta do que por excesso. Claro que a chuva em excesso não é boa - as vítimas das enchentes que o digam! Mas a seca é pior: a seca seca os sentimentos, alimenta apenas a esperança dos esfomeados, mas não mata a fome da vida. Chover é importante, pois gera vida, preserva a vida, renova a vida.
Eu enquanto um microsmo de um macrocosmo sempre reajo: efetuo um movimento, meu corpo o faz, ainda que em silêncio. Volta e meia, meu corpo faz chover: chuvas rápidas, tempestades com raios e trovões, tudo de acordo com a temperatura das emoções afloradas á partir de um fator externo em choque com o interno. Mas ao contrário do macrocosmo, este microcosmo chove de dentro para fora, não chora de fora para dentro.
É como se eu fosse o espelho do mundo, ou o mundo, o espelho ampliado de mim: á esta altura u já não sei quem é a "mímese" de quem. Tudo o que sei é que graças ao movimento do mundo, eu reconheço o meu: eu chovo, pois o mundo contribui através de pequenos fenômenos constantemente gerados por ele.
Nos últimos tempos tem chovido muito a onde eu moro. No começo era bom: agricultores comemoravam uma boa colheita ao final da estação, a chuva limpava o ar e refrescava. Agora, agricultores começam a perder suas colheitas, pessoas perdem casas, algumas perdem outras pessoas. Já não ligo a televisão, para não ver os estragos da chuva e, com isso, causar uma tempestade interna e alagar meus olhos ou afogar o coração.

Quando a gente chove em excesso, muita coisa se perde na enchente: lembranças, ideais...O coração parece que vai se perder em um bueiro escuro e sujo, o corpo esquenta antes e depois da chuva. E durante, o corpo refresca, mas é durante a chuva que o corpo permanece tenso: tensão que atormenta a alma.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Suco de laranja

No começo da semana tive um encontro com minhas lembranças de garotinha. Estava quente. (Sobre este ponto aliás, o Paraíso para mim jaz na Sibéria, odeio verão! Odeio transpirar excessivamente, aquela luminosidade, o ar quente que nos impede de melhor gesticularmos, não importa a quantidade de banhos ou líquidos que ingerimos, o calor não passa!)


Mas enfim, o verão trouxe vantagens este ano. Por exemplo, estava eu andando nas ruas do centro de Osasco, com muita sede quando vi uma banquinha que estava vendendo suco natural de laranja. Perguntei ao dono se o produto era de fato natural, quero dizer, se o tal suco de laranja era laranja mesmo. Nem precisou, só o cheiro e a textura do suco me persuadiu: aqueles sucos industrializados são pavorosos! Suco bom, é suco natural, na falta é preferível ingerir água.


Perguntei em seguida se o suco era adoçado, a razão é simples: odeio suco com muito açúcar, principalmente aqueles de poupa ou os de laranja. O açúcar tira o sabor da fruta, sendo assim, salvo o suco de limão, os demais vão com no máximo uma colher de sopa de açúcar rasa para um copo de 250 ml. Se for mais do que isso eu sinto a diferença no sabor e aquilo que deveria ser um prazer vira algo monótono, sem graça mesmo. Todas as vezes em que eu peço um suco natural, eu passo raiva: sempre tem uma pessoa que não ouve a única colher de açúcar no suco. E, no caso do suco de laranja, ocorre algo ainda pior: o suco é visivelmente diluído, mais água do que laranja, para disfarçar o gosto insosso, acrescentam açúcar.


Para minha felicidade o simpático senhor respondeu que não adoçava o suco, então eu sorri e pedi um copo grande. Me senti tão feliz quanto uma criança quando ganha chocolate na Páscoa. Então veio o momento mágico: Ao dar o primeiro gole, não só matei a sede que sentia até então, como veio na memória um gosto que eu sentia aos 4 ou 5 anos.


Lembro me que minha avó materna se casara com um senhor muito bom e doce, um pouco sério e fechado, mas um ser humano maravilhoso. Sendo eu a primeira filha da primeira filha, isto é, a primeira neta, eu era incrivelmente mimada tanto pela minha avó quanto por este senhor que, me tinha como neta. Todos os dias em que eu estivera na casa da minha avó, este homem sempre me comprava balinhas de açúcar que vinham nos brinquedinhos, eu tinha uma coleção: ferro de passar, fogão, liquidificador, etc... Mas a gente compartilhava de um gosto único e singular por suco de laranja, éramos igualmente exigentes: pouca água, nada de açúcar, a laranja não pode ser nem muito doce nem muito azeda, mais para o azedo do que para o doce.


Infelizmente o casamento entre eles não deu certo. Ele separou-se de minha avó quando meu irmão tinha poucos meses de vida. Perdemos contato, pois há 16 anos atrás não era como hoje, não tinha telefone a disposição do povo, celular talvez nem existisse, internet muito menos... O fato é que ainda que eu soubesse que ele não era o meu avô, o sentimento que eu sempre alimentei por ele era o mesmo de uma neta. Diria até que se eu o encontrasse em uma rua, eu seria capaz de reconhecê-lo, muito mais até que alguns colegas de escola e balada. Acho que é sentimento, quando se estima muito uma pessoa, por mais tempo que fiquemos sem nos ver, o esquecimento esquece-se de si mesmo, porque o sentimento de amor e cuidado, ainda que vestido de saudade, acaba por vencer a amnésia.


O suco de laranja me fez lembrar, e me fez sentir mais saudade. Mas a saudade, não é tão ruim assim, nos faz lembrar. Talvez hoje eu entenda o por que que a "Saudade precede o Amor"...

Desculpe Meu Amor

90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...