As vezes é saudade. Saudade fininha e aguda, como a ponta da agulha quando pica a carne. Mas diferente da agulha, a saudade não deixa vestígio de sangue, apesar de deixar marcas. As marcas são invisíveis, são crateras que não se vê, mas que se sente.
Outras vezes, uma mistura: ansiedade e esperança. A mistura resulta em outra coisa: é como o vermelho e o azul que juntos, resultam em roxo. O roxo não é um e nem o outro. Uma vez misturados não podem ser separados, apenas diluído em um pouco mais de um e um pouco menos do outro. Mas a mistura não resulta em verde, roxo ou laranja; não é uma cor primária ou neutra. A mistura é invisível, mas tão intocável quanto as sete cores do arco-íris ou as sete notas musicais.
A saudade é sempre uma tristeza do que se foi, mas que surge no presente instante enquanto sentimento de falta. A saudade é sempre algo insistente, um fantasma ou espírito que assombra em tempo diferente.
A esperança é o Horizonte: vai embora quando deixamos de ver e ou de buscar. A esperança por algo que desconhecemos gera ansiedade e angústia: é como a sede dentro do oceano. Não é fantasma do que se foi, mas do que virá a ser.
Vaga-lumes são inspirações noturnas que brilham em meu quarto. Múltiplas e frenéticas colidem entre si; e como estrelas que se unem em constelações, nasce o verso, a prosa sem nexo, a doxa, a palavra sufocada.
sexta-feira, 5 de março de 2010
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Um comentário:
disculpa invadir o blog..
muito legal oque escreveu.... muito profundo xD
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