sexta-feira, 28 de maio de 2010

Caro sr. Heráclito:

Venho por meio desta, com o propósito de fazer algumas observações sobre o "Kósmo" e discutir um pouco sobre a "Sophía" de vosso tempo, comparando o todo com o meu tempo.
"Um homem vale mais que 10 mil, se for o melhor", brilhante observação caro mestre. Não só compreendo como concordo inteiramente com vossas sábias palavras! Sem dúvida alguma, 1 homem desperto vale mais que 10 mil sonâmbulos. "Tudo muda", será mesmo caro mestre?! De fato muita coisa mudou ao longo desses 2400 anos, -o senhor iria gostar de algumas invenções da Humanidade,- no entanto, ainda existe uma enorme e assustadora quantidade de pessoas que dormem, pessoas incapazes de compreender que "tudo é um". Sobre o "Lógos", não há esperança, tempo ou Oráculo piedoso que explique com clareza aos que dormem. Com todo respeito, não adianta defender a Humanidade dizendo máximas como: "a guerra é o pai das coisas", ou "a justiça é a discórdia, e tudo ocorre conforme a discórdia e a necessidade", não há o que ser dito...
Sei que sou mulher, e que para muitos gregos possuo carater duvidoso por ser mulher, - aliás muitos subestimaram a capacidade intelectual da mulher por puro preconceito!- mas, tenho que ressaltar o fato de haver tantos homens que não enxergam nada com a mesma clareza. E nem sou sou oráculo protegida de Apolo. Entendo que a a chama do fogo eterno tudo mensura e tudo transforma. Entendo que a desarmonia vive em uma harmonia oculta, e que o "Káos" se faz mesmo necessário. Mas... sabe como é, eu vejo e ouço tantos absurdos neste mundo que ás vezes dá vontade de sair incendiando tudo pela minha frente. Até mesmo o sr. se inspiraria em Nero se conhecesse mundo hoje em dia. Mas não posso, seria condenada na mesma hora: não disponho de recursos para pagar um bom Sofista, se é que o sr me entende. Nem todo filósofo Contemporâneo é Aristocrata como o sr, não sei se sabe.
Sei que o sr pensa sobre os pitagóricos, mesmo assim confesso estar recorrendo ao "Silêncio dos 5 anos". Jurei a mim mesma não perder mais tempo falando com os que dormem. Creio que o senhor entenda meus motivos: é inútil, um desgaste que resulta em nada. Aqui, as pessoas deixam de se informar sobre a Política, para falar de esporte- em especial, o futebol. Os próprios representantes de Estado pouco fazem, só discutem sobre o Futebol e a Copa do mundo.
Quando o assunto é pessoa ou melhor,"personas" - o que me remete ao companheiro Rousseau -estou caindo em um ceticismo radical: Só Pirro Salva! Desculpe-me, pelo menos estou sendo sincera! Aliás, mande minhas recomendações e pesares ao sr Epicuro, um homem excepcional!
Mas enfim, do jeito que andam as coisas me vejo seguindo o passo de um tal de Diógenes, o Cínico, seguindo o silêncio absoluto dos pitagóricos. O que o sr. me aconselha?
Att: Samantha F. Santos

sábado, 22 de maio de 2010

complicando e pouco contemplando

Sei que o Sol é o mesmo todos os dias, mas sei também que isso não muda o fato de que tanto o crepúsculo quanto o opúsculo serem únicos a cada dia. A gente não percebe porque o Sol está longe demais para emitir um som, e porque a gente insiste em complicar a vida em uma tentativa irônica de descomplicá-la. Então ocorre de um simples olhar se tornar tão monótono e apagado, tão e somente por ser intencionado como um mero olhar.
O mesmo ocorre com as bolhas de sabão - tão queridas durante a infância quanto tristemente ignoradas com o passar do tempo. Certo dia a gente acorda, percebe mudanças em nossos corpos, o olhar assim como a voz enrigece, os sonhos e os pensamentos ganham ou perdem consistência...Então como em um passe de mágica, as bolhas de sabão deixam de ser atraentes, perdem seu brilho diante de uma proposta de emprego, ou outras prioridades.
Mas o tempo que não vemos passar, a vida que tanto tememos perder, pouco a pouco se dissolve na atmosfera como as próprias bolhas de sabão. A gente se esquece da lei do mundo, a gente pensa que é eterno, ou nos esquecemos do quão rápido é o passar do tempo que leva para o efémero desaparecer no ar. A gente se esquece com o passar do tempo e se perde como areia ao vento...
A vida tem um jeito engraçado de nos pegar. o amor da nossa vida, por exemplo, pode estar do outro lado da rua, pode ser aquele belo garoto do lado de fora do ônibus, ou eu mesma ser a garota especial vista por alguém dentro de um ônibus; o amor que tanto idealizamos pode estar tão próximo a nós quanto a árvore está à um pedaço de terra, mas a gente não vê...a gente sempre muda o foco do olhar quando não é preciso e, quando é preciso a gente esquece, aí a gente envelhece e sofre a toa, perde oportunidades...

Tudo do que surge aos nossos olhos e ouvidos e poros...

em tudo habita vida.
Tudo acaba por estar vivo, e por estar vivo

nasce a beleza de se contemplar cada estrela que cai em um instante mágico, efêmero, fugidio e único:

Instante que apesar de ser tão breve,

não é o bastante para impedir que o fenômeno se eternize através mente dos que percebem, sentem, vivem...

domingo, 9 de maio de 2010

Decepção


Decepções... Estou virando uma especialista nessa área: tanto na arte de decepcionar, quanto na façanha de ser decepcionada. Parece mandinga, bruxaria, sina talvez vício. Acho que eu peco por meus excessos, talvez seja algo que surja a partir dos meus excessos e faltas...ou um ou outro, ás vezes os dois. Sempre assim, decepciono alguém que eu amo por não querer dizer algo ao meu respeito, por ser intangível e ausente. Decepciono alguém quando não digo algo, ou quando digo o que eu penso sobre algo. Decepciono quando não ajo como o esperado, ou de acordo com a lógica comportamental do Homem, enquanto espécie. Não sou de sentir remorsos, acontece que fatalmente as pessoas que eu amo, são sempre aquelas que eu mais decepciono, justamente na tentativa de não querer decepcionar.O resto do mundo, bem é o que menos importa. Na verdade, não sou eu quem decepciona o mundo, mas o mundo que me decepciona diariamente. Me decepciono com as pessoas diariamente e por diversos motivos. Me decepciono quando crio expectativas a respeito de uma ou de outra pessoa, então descubro que não era nada daquilo que eu pensava, neste caso me decepciono duas vezes: pelo o outro e por mim. Me decepciono no amor, já me decepcionei em amizades, com parentes, com crenças...comigo! Mas sou otimista, um dia quem sabe eu vou parar de me importar e de me impressionar. Nesse dia eu vou ver as coisas como são e vou aprender a confiar mais em mim e desconfiar de todo o resto.
Agora se por ventura eu acabei de decepcionar alguém em especial, alguém que vale a pena minhas retratações. Para essa pessoa eu digo:
" Desculpe-me sinceramente, não foi minha intenção. No entanto, certamente você também já decepcionou alguém!"

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ame e me deixe


Ame e me deixe... me deixe a sós com meu temperamento oscilante.
Ame meus desejos, quero beijos embebecidos de loucura viciante.
Ame e me deixe ao amanhecer. Volte só ao anoitecer. Preciso da
saudade para de mim ou de ti, esquecer-me...
Me cative, me cultive... cuidado, não se apegue!Não se flagele, não se negue
por uma idolatria absurda e doentia.

Me ame e me deixe...Não seja egoísta consigo, por ser tão altruísta comigo
e meus caprichos. Ame meus desvarios e destemperos, me revele vários de
seus devaneios.
Ame e diga que não ama. Minta e diga: "eu te odeio!" Não espero herói, nem
quero vilão. Se ama, como sugiro que ame, não me venha com discursos típicos
de protagonistas heróicos ou retóricos, prefiro os antagonistas - especialmente
os paranóicos.

Não me iluda, é mais prudente e até carinhoso de sua parte, me tornar em uma
desiludida . Me deixe nua com palavras puras e cruas. Me ame e me deixe...E
nada me prometa e em nada se intrometa.
Ame ao anoitecer, desame ao amanhecer. Seja o que acontecer me impressione,
me pressione a impressionar. Seja impressionável e impressionante. Não quero
e nem espero apenas o extraordinário, me apresente o outro: o miserável.

Ame e me deixe...me deixe amar, me deixe pensar, me deixe respirar. Não minta,
apenas sinta. E se realmente quiser, diga o que sente. Aceite o meu presente: Ame
e viva comigo o instante fugidio, a contradição entre o eterno e o efêmero, mas não tente eternizar aquilo que o tempo acabou de levar....

Apenas ame e me deixe...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A risada do Palhaço


O palhaço não ri de si mesmo por achar tudo(incluindo a si mesmo) engraçado. O Palhaço ri para atenuar sua dor ou necessidade, ri por proteção e para tentar sobreviver de algum modo. Afinal de contas, não é muito legal quando o mundo inteiro toma ciência da fragilidade de um sujeito, ainda mais de um inofensivo Palhaço. Ainda que haja pessoas bondosas e cuidadosas, existem também os sádicos que sentem-se saciados por um prazer que consiste em estraçalhar um sujeito menor.

A maior parte das pessoas aguardam o futuro sempre com esperança e otimismo no presente. Este não é o meu caso, na verdade sempre me sinto angustiada, eu temo sem saber o que ou o por que. Mesmo entre os momentos de alegria sinto um pouco de angústia, pois sempre há uma tristeza que antecede ou sucede na mesma proporção a alegria. Sempre há um sacrifício a ser feito, não importa o que a gente faça ou deixe de fazer. No meu caso, eu sei exactamente o que fazer para combater esta sensação latejante: retirar do baú a roupa velha do Palhaço estranho e retornar ao publico.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Existe um lugar

No fundo de um coração existe um lugar secreto. Tão secreto que é preciso ter um mapa para se ter um acesso. É um lugar mágico e belo, parece pintura de aquarela. Existem flores diversas: pequenas e grandes, singelas e complexas. São tantas as flores que parece até um mar, mas o mar também habita naquele distinto lugar.
Existe também um palacete medieval, um pouco empoeirado - há tempos não recebe honroso convidado. Mas é belo, de beleza simples e peculiar. Em outros tempos havia uma donzela que cultivava hábitos da realeza, que ali se esmerava, limpava e ficava a esperar. Tanto tempo se passou, a donzela se cansou e de seu pequeno refugio evacuou: trancou o lugar belo e secreto e no mar se aventurou. No pescoço carregava uma chave do castelo e á uma ave confiava o mapa que escondera em mais distante lugar. Passara-se tanto, tanto tempo e o palacete isolado e empoeirado ali permanecia. Sobre a Donzela, esta aos sete mares adormecia à espera de um instante que nunca
acontecia. Entre tantas aventuras muitos piratas surgiam e a chave do coração todos eles queriam. Mas sem o mapa, no lugar secreto, eles nunca poderiam chegar.
Compadecida do tormento da Donzela, a ave amiga e prudente um dia lhe trouxera o mapa de volta, mas antes explicou a Donzela a importância de usar de um artifício antes de confiá-lo a um cavalheiro. O mapa não era mágico. Não havia feitiço ou exorbitantes artifícios para merecê-lo. Aliás, o que tornaria a posse do mapa quase impossível era justamente a simplicidade em merecê-lo. Gestos simples, nada de dragões, palavras simples, nada de magia estes eram os quesitos. O merecedor deve ser corajoso e ao mesmo tempo prudente. Corajoso e disposto a um mar desbravar, prudente ao coração da moça querer conquistar. Ardiloso, o momento certo saber aproveitar, uma estrela cadente saber contemplar e uma bolha de sabão com a Donzela querer formar. Sem desvarios ou excessos: com uma margarida roubada a chave da Donzela conquistar.

Desculpe Meu Amor

90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...