Existe também um palacete medieval, um pouco empoeirado - há tempos não recebe honroso convidado. Mas é belo, de beleza simples e peculiar. Em outros tempos havia uma donzela que cultivava hábitos da realeza, que ali se esmerava, limpava e ficava a esperar. Tanto tempo se passou, a donzela se cansou e de seu pequeno refugio evacuou: trancou o lugar belo e secreto e no mar se aventurou. No pescoço carregava uma chave do castelo e á uma ave confiava o mapa que escondera em mais distante lugar. Passara-se tanto, tanto tempo e o palacete isolado e empoeirado ali permanecia. Sobre a Donzela, esta aos sete mares adormecia à espera de um instante que nunca
acontecia. Entre tantas aventuras muitos piratas surgiam e a chave do coração todos eles queriam. Mas sem o mapa, no lugar secreto, eles nunca poderiam chegar.Compadecida do tormento da Donzela, a ave amiga e prudente um dia lhe trouxera o mapa de volta, mas antes explicou a Donzela a importância de usar de um artifício antes de confiá-lo a um cavalheiro. O mapa não era mágico. Não havia feitiço ou exorbitantes artifícios para merecê-lo. Aliás, o que tornaria a posse do mapa quase impossível era justamente a simplicidade em merecê-lo. Gestos simples, nada de dragões, palavras simples, nada de magia estes eram os quesitos. O merecedor deve ser corajoso e ao mesmo tempo prudente. Corajoso e disposto a um mar desbravar, prudente ao coração da moça querer conquistar. Ardiloso, o momento certo saber aproveitar, uma estrela cadente saber contemplar e uma bolha de sabão com a Donzela querer formar. Sem desvarios ou excessos: com uma margarida roubada a chave da Donzela conquistar.
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