Já me disseram: "Eu te conheço muito bem!" ou "Eu conheço sua essência". Sobre estes eu tenho de admitir que alguns são muito bons em retórica, já chegaram a me convencer e até me confundir, outros são imbecis com mania de grandeza, donos de um super-ego tão grande que engoliu o senso e a modéstia, tornando-os em medíocres.
Para aqueles que supõem me conhecer tão bem como dizem, eu faço um apelo me apresente minha essência tão fujona e mutável! Pois eu sempre cometo erros ao meu respeito, quando penso me conhecer. É engraçado, pois até minha imagem frente ao espelho não é a mesma todos os dias. O espelho é um mestre na arte de trapacear as pessoas!
Quando penso me conhecer um pouco, esta coisa muda. E a mudança me confunde, ás vezes nem muda,e nas deixa de existir ou nasce repentinamente... Trata-se de um conhecimento vago, tão vago quanto o conhecimento teórico que um historiador possui de uma determinada época. Ou quando não é isso, resta-me apenas a lembrança fresca na memoria sobre mim mesma após alguns segundos. Pois quando penso no que eu acabei de fazer ou dizer, descobrir ou perceber, eu caio no mesmo erro de me lembrar.
A lembrança nos obriga a olhar para trás. Conhecer a si mesmo é ser sábio, mas uma sabedoria para poucos, pois nem sempre é possível olhar para os dois lados ao mesmo tempo, como faz o camaleão.
Vaga-lumes são inspirações noturnas que brilham em meu quarto. Múltiplas e frenéticas colidem entre si; e como estrelas que se unem em constelações, nasce o verso, a prosa sem nexo, a doxa, a palavra sufocada.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
O Cubo Mágico (nota sobre a plenitude)
A vida é comparável á um cubo mágico, seis lados com milhares de combinações possíveis: todas segundo o meu critério, a minha vontade. Mas entre tantas combinações possíveis, apenas uma atinge o objetivo, é a perfeita. O chato é conseguir encontrar a combinação certa, entre tantas.
Dizem que é uma questão de raciocínio e muita atenção montar corretamente o cubo mágico, há quem defenda que a sorte leva o sujeito a completar todos os lados. De qualquer modo, sempre fui desprovida tanto do raciocínio quanto da sorte: quando monto um lado -depois de horas!- parto para o outro e acabo por bagunçar aquele que tanto me custou a montar... Não importa por onde eu comece, por qual cor eu opte, nunca cheguei nem perto do objetivo!
Se eu fosse contar com a sorte o tempo todo para arrumar a minha vida, NADA ou muito pouco iria fazer desta. Por outro lado, como eu disse, nunca fui muito boa com raciocínio ou fórmulas, principalmente aquelas realizadas com sucesso por aqueles que possuem muita perspicácia comparada á mim. Ainda que eu monte dois, três ou quatro lados, não serão os seis, então ou eu torno isso uma obsessão e fique completamente louca por conta de um jogo, ou eu acabo por me desiludir e com isso desista de tudo - como o que eu acabei fazendo com aquele cubo magico intrigante!
Não que seja impossível acertar todos os lados de uma vida, apenas é demasiado difícil para os que não são eleitos pela sorte e muito menos os que não são super dotados! O fato de eu ter desistido de cumprir a proposta daquele cubo mágico não me torna nem mais, nem menos infeliz; isto porque eu não desisti da vida, apenas mudei de estratégia: transformei meus bons momentos (tanto os que vivi, como os que viverei) embolas de sabão.
Estas bolhas são instantes belos, perfeitos, extraordinários, ao mesmo tempo que são singelos, frágeis e efêmeros. Somem tão rápido quanto o modo em que aparecem. O problema é o apego, pois a gente tende a querer eternizá-los, resolvemos tocá-los com a ponta dos dedos. Então a bolha explode: pois a felicidade é frágil demais para ser maculada por uma vontade cega. O que fazer é simples: contemplar esses momentos, se jogar. Mas sem se apegar, justamente por saber que eles não são eternos, sem pensar no antes ou no depois daquele momento.
Ninguém está inteiramente isento da desilusão ou da loucura, afinal quem nunca se desiludiu com aquela porcaria daquele cubo mágico?! O que me fez mudar de ideia não foi a lucidez ou a prudência, ao contrario, foi a modéstia mesmo! Com isso eu descobri que as bolhas de sabão podem ser tão infinitas quanto as combinações do cubo mágico, e tão perfeitas quanto aquela única combinação. Para isso eu não preciso de sorte ou fórmulas infalíveis. Apenas da minha vontade.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Rouxinol e o Andarilho
Contemplo as estrelas.
É noite, é frio...
Tudo fluiu como num rio:
Do mesmo modo como a lua se despede,
tu desaparecestes...
Outrora mesmo, tu me dissestes:
"Me ame, não me esqueces!"
Tanto tempo á sua espera,
minhas reservas de doçuras,
meu amor, meus louvores e liberdade.
Tu prendestes atrás de grades
Desperdiçastes meu tempo, meus versos...
Tudo foi-se ao vento.
Em ruas escuras, estive eu
mil noites á sua procura.
Repentinamente, tu mudastes
tornastes indiferente...
Sumiu do mesmo modo que surgiu:
Antes do nascer do Sol, partiu-se
em direção ao mar.
Sem ao menos me dizer se iria, ou não,
para os meus braços sedentos voltar.
Desde então, sinto-me nua: sem girassol,
sem castelo. Tornei-me andarilho a vagar
por ruas desertas, desde que se foi meu Rouxinol...
Assinar:
Comentários (Atom)
Desculpe Meu Amor
90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...
-
T udo o que posso dizer é que Eirene é colorida, mais parece pintura em aquarela. Alem de tudo é frágil e singela, indescritivelmente bela! ...
-
"Como transformar Potência em Ato sem passar pela Privação?A vantagem da Privação é simplesmente a possibilidade de avaliar o que somos...


