segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ode à Eirene*

Tudo o que posso dizer é que Eirene é colorida, mais parece pintura em aquarela. Alem de tudo é frágil e singela, indescritivelmente bela!
Muda desde nascença. Insiste em correr ou se camuflar ao menos ruído ou susto. Apesar de tudo Eirene se faz notar quando quer: com ou sem barulho. Muito nos diz sem absolutamente nada nos dizer. Sua linguagem é distinta: emite sinais, perceber sinais é perceber a presença de Eirene.
Nem grande e nem pequena. Eirene tem os dois tamanhos: grande demais para fazer-se notar sua pequenez exata.
Ao lado da Pequena Grande Eirene, a gente entende que o excesso serve apenas para preencher o vazio, uma desconhecida falta. É por isso que o excesso facilmente vira vício camuflado no hábito; por isso mata sem nos satisfazer tanto quanto a falta. Com Eirene não há vazio, enchente, falta ou excesso. O que há é a plenitude vivida em breves instantes - que variam entre um piscar de olhos, uma estrela que se apaga no céu, no máximo, até o término de um dia. Do contrário, se ela estivesse sempre presente em nossas vidas, a felicidade não seria percebida, a própria vida não teria ela sentido em ser vivida.
Mas por alguma razão, Minha querida e estimada Eirene anda sumida. Tentei encontrá-la em lugares e situações mais diversas: no silencio da noite, por entre as folhas molhadas de orvalho, por entre o colorido dos dias...Busquei por ela no olhar de desconhecidos, palavras de um amigo, entre livros carcomidos, através de um gesto de um ente querido. Faz um certo tempo que estou a procurá-la desesperadamente na falta de meus segundos e no excesso de meus dias. Sem obter pistas, todavia.
Chego a pensar que talvez Eirene não habite mais este plano por duas razões possíveis:
Ou porque ela se cansou de tudo isso ou talvez porque o homem tenha deportado a própria paz neste tempo de guerras.


*Eirene= Paz, Primavera em grego

Palavras do silencio


Tem quem fale demais e ouve menos. Tem quem ouça mais e diga menos. Há quem reproduza o som das palavras. há quem considere a palavra dita e quem desconsidere. Há quem distorça o significado da palavra e tente nos persuadir que sua interpretação é a correta. Falem o que quiser e sem pensar, palavra minha hoje é "SILÊNCIO". Silencio não fala mas nos persuade a pensar antes e depois de falar!

Palavra é espada: existe justiça na palavra, injustiça também. Existe falta na palavra, tal qual o excesso em palavras. E existe é claro, a palavra "justiça", a palavra "Fé",a palavra "Falta" e "excesso". Existem os substantivos, adjetivos, verbos, advérbios... Versos, palavras diversas e sem nexos, pensamentos sem nexo.

Existiria verdade nas palavras? Eu sei que existe a palavra "verdade", mas qual é a verdade em seu real sentido?
Metáforas, sátiras, hipérboles, antíteses, eufemismos...comédias, tragédias, autos, poesias, romance, prosa poética...A palavra tem sabor, textura, odor? Pois esta aqui tem cor, esta mesmo é
Azul
.

Quem fala demais, diz de menos. Fala para não ficar só, mas acaba por ficar só com palavras. Quem fala de menos precisa dizer de vez em quando pra não ficar só, também.


A palavra nasce quando é dita e pensada, morre no mesmo instante que nasce. A palavra é abortada: vira espada e escudo, carinho e tapa!


A palavra foi morta por outra palavra, isto se chama discurso, falácia!

Desculpe Meu Amor

90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...