segunda-feira, 25 de março de 2013

Humanos

   Todos querem ter a Razão, mas não para serem pessoas melhores ou melhorar o mundo circundante. Querem ser os Doutores da Razão por ego. Todos querem ser os Eleitos, os líderes.mesmo os mais modestos, se não lideram, querem ao menos ser necessários.

   O Homem não aceita muito bem a multiplicidade, o Relativo...Isso tira deles a oratória ou o brilho. Todos querem ser estrelas, mas não aceitam muito bem fazer parte de uma imensa Constelação.
Destroem para fazer progresso, gritam para pedir silêncio, fazem guerra para conquistar a paz, oprimem e descriminam para libertar, vingam-se em nome de uma justiça, valorizam o exterior para se tornarem culturalmente valorizados...

   E neste mundo tão saturado de múltiplas VERDADES ABSOLUTAS, Ares e Discórdia calam a PAZ e a PRUDÊNCIA.

   Estão todos loucos, são todos tolos: servos voluntários de suas opiniões.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Ao seu lado

   Ao seu lado, no calar da noite, onde as estrelas são nossas únicas testemunhas....
   É ao seu lado e distante do mundo, eu sinto a leveza de corpo e espírito...
   Como num transe, portais da alma se abrem. E meus sentidos ganham outros sentidos.
   Como em um passe de mágica, estamos despidos, apenas somos substância e essência. Nossos olhares se comunicam por si. Sem o recurso das palavras.
   Ao seu lado, em ti eu me amplio e revelo. Completamente nua. Despida de medos, convicções, regras ou argumentos...
   O mundo vira ao avesso: Tudo o que eu conheço desmorona, e o NADA ganha existência própria, mais um sentido, que ao contrário de outros tantos, dispensa explicações.
   Em seus braços, tendo somente o brilho enigmático da noite, toda minha existência e espera ganham sentido. E nada, absolutamente NADA anterior a este estado psíquico tivesse existido...Como se ao seu lado, e distante de TUDO, uma parte de mim morresse e outra mais potente surgisse no mesmo segundo que o primeiro ato.
    Entorpecida pela nuvem do nosso amor, sinto a indescritível sensação plena da Divindade, ainda que, esta dure apenas até o amanhecer.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Em memória a um amigo

   Adeus amigo, adeus! Apesar do atraso da notícia , estou muito entristecida. Nossas aventuras jamais serão esquecidas...
   Triste eu fico, meu amigo. Triste em saber que não haverá mais comemorações ou confidências trágicas, tormentos compartlhados, revelações mágicas: tais coisas ficam aqui, comigo! Pois pra onde você foi, nada disso faz sentido.
   Tão jovem e desde sempre tão sabido, ó meu amigo, tu partiu e levou contigo um pedaço de um coração partido. Partiu como folha de outono: livremente, rumo ao desconhecido.
   Amigo por tantos anos estimado, me perdoe por não conseguir chorar. A vontade é grande, imensa como este vazio, mas não posso e nem vou chorar. Não é justo meu amigo. Pois já levastes tanto de mim, não podes levar também minhas lágrimas. Minhas lágrimas para ti, a esta altura, de nada valem. Destino minhas lágrimas aos que ainda vivem em mim.
   Adeus Amigo. Não vou mais te amolar. Em breve você se esquecerá definitivamente de mim. E um dia, eu me lembrarei com menos dor de ti.

Limpando gavetas, apagando passado

  
   Chega uma fase na vida em que devemos esvaziar a mala, fazer uma faxina, tirar tudo que é velho e não condiz com nossa personalidade atual, ou com as circunstâncias, entende?
   Não gosto muito disso (odeio me desfazer das coisas, a única coisa que eu tenho a ver com cancerianos é o apego ao passado).   Mas, mudanças e faxinas de tempos em tempos são necessárias. E meu quarto bagunçado é hoje o reflexo da minha alma desnorteada, de um coração que acumula sentimentos, coisas e pessoas que já passou. É difícil pra mim essa coisa de desapego, todo aquele caos é meu, tem a minha história espalhada por onde eu olho.
   Mas tem de ser feito, pois me vejo em uma situação em que o Necessário, o Útil, o Relevante e Valioso se esconde e se perde em meio a tanta bagunça. E quando eu procuro o que eu preciso:
 "Ué, cadê?! Eu o tenho, peguei outro dia mesmo, tá aqui, tem que estar!" Nessas horas eu fico louca: reviro minhas coisas, a bagunça aumenta na mesma proporção que o desespero se intensifica, vem o medo da perda,do esquecimento. E fico horas e horas a fio: recocorro aos milagres de São Longuinho( nessas horas que se dane a Razão, sigo as receitas de minhas avós). Negocio com ele: ao invés de 3 fecho em 30 pulinhos. Se a coisa é muito importante ou urgente, em um ato de desespero, aumento a oferta.
   O tempo passa, o número de tranqueiras aumenta: uma foto de um amigo de infância junto ao livro que eu comprei no tempo da faculdade no meio da gaveta de blusas velhas com um abajur e um CD do Nirvana e um livros de receitas da minha avó, uma carta que escrevi e não enviei para meu primeiro (ou seria segundo?!) namorado...Quanta bagunça!
Minha vida, meu passado todo embaralhado em gavetas...Seria por isso que meus presentes do presente vivem tão perdidos? É por isso que não me encontro?!
   Com dor no coração tomei uma dura decisão: ateei fogo em tudo que é velho, obsoleto, que faz volume e nem serve pra doação...Queimei. Lembranças tão intensas e volumosas que já não servem mais pra mim, eis minha homenagem: de todos os fins o fogo ao menos faz aquecer, brilhar e transformar...




              

terça-feira, 12 de março de 2013

Triste assim...

Saudade do tempo em que na menor alteração de clima eu fazia tempestades, saudade de minhas tormentas vazias, inconsistentes...Saudade de quando eu chovia tão forte que minha Alma, ao se lavar quase se afogava em pranto salgado, esquecendo-se de si mesma enquanto naufragava.
   Chovia aqui dentro, como chove lá fora. A chuva forte uma hora passava e um lindo céu era revelado.  Por mais que ás vezes eu queira (e como queira!), fui castrada por mim mesma, chover já não posso, chuva já não faço! Isto não muda, entretanto, o cinza escuro e poluído que penetra minhas vias respiratórias, polui e sufoca as veias sanguíneas. Minha incapacidade de chorar, não diminui a angústia...
   E se antes eu chovia e trovejava, hoje apenas estou nublada: sufocada em um efeito estufa poluído que só eu criei...
Se eu pudesse chover...Se eu conseguisse gritar, alto e violento como um trovão...Quem dera, quisera pudera...

Desculpe Meu Amor

90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...