quarta-feira, 29 de maio de 2013

Primavera

Assista a "Beach Fossils - Taking Off" no YouTube

Você precisa ser sempre tão dificil?
Você precisa sempre ser tão adoravel?
É incrível o modo como você me deixa, como você me beija, me olha e me deseja...
Amo estar nas nuvens com você, viver com os pés na lua. Ao seu lado, eu flutuo...me iludo: persuado a mim mesma que sou dotada de asas, que minhas ( que nossas) descobertas são são nossas casas...
Me entrego, te espero, nego meus medos, receios, vaidades e orgulho...
Me perco e nem percebo quando me entrego aos seus beijos...
Me mato e ganho vida: um pouco de mim morre, se parte. Alguma coisa em mim, sim, se quebra quando Você ( meu tão amado, esperado e agora conhecido), quando você parte.
Ai meu Amado, mas quando você vem. Minha pseudo-morte vira vida: o meu pequeno e distante mundo, ganha vida, o gelo derrete. Meu Amor, eu descubro a Primavera.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

3 Símbolos humanos

   Sísifo é o reflexo do homem que dribla com sua sagacidade e vigor a Morte. É o homem revoltado, o homem que desafia deuses, que "brinca" com as emoções divinamente humanas e eventos da Natureza. Mas que ao mesmo tempo, é engolido por suas escolhas. Preso no tempo, em uma rotina exaustiva, sufocante e ingrata: carrega sua vida, o peso de suas convicções em suas costas diariamente - e inutilmente!- ladeira acima, para que ao termino de um dia - o que para os Deuses, não passaria de um mero "piscar de olhos" - ver todo seu esforço, história e a parte mais preciosa de si, despencar e rolar ladeira abaixo. Em uma palavra: Cotidiano. Em uma frase: O cotidiano é mais torturoso que a própria morte.

   Pandora e sua busca incessante pelas pestes, por ela, libertadas. E onde entra a Esperança? Seria um bem? Um mal? Se é o Bem, o que estaria esta Graça fazendo em meio a tantas desgraças contidas numa só caixa? Se é o mal, o que justificaria tantas pessoas se fortalecendo deste veneno? E se a Esperança, e se ela fosse a própria jovem mulher condenada á recolher todas as pestes, que por ela foram um dia espalhadas? E se a Esperança e Pandora forem as mesma? A Esperança que de modo imprudente libertou o Mal, a Esperança que atinge como o fim o extermínio do Mal?

   O homem que queria chegar aos Céus. O Homem das Asas de Cera, Ícaro. Com seu projeto ambicioso que impressionou os próprios Deuses por sua ousadia imprudente. Por seu desejo ardente de buscar, explorar, se libertar ou apenas fugir de um mundo, que talvez, não fosse o seu. Ele se apaixona cegamente pelo brilho do Sol, contempla e apira o explendor do astro, e se aproxima como uma ave rapina ávida de seu objeto de desejo ( o Sol, a Luz, a Razão). Antes que se tornasse cego, antes que a luz o cegasse, o calor de sua conquista se antecipou e derreteu seu veículo. Ícaro despencou no momento que seu objetivo derreteu sua liberdade.

sábado, 11 de maio de 2013

Angústia

   Angústia que me seca a boca, que me toma o sentido das palavras e aperta o peito...e é tanto, tanto peso a ser sentido que falta o ar até pra soluçar as lágrimas que insistem em me inundar.
   É assustador esse tal de Escuro. Preso a um muro breu, me vem a vontade de gritar, mas falta o ar para emitir um som. Sofro calado, vagueio de um lado ao outro, trêmulo, sem rumo, desnudo...
   Como se a resistência tivesse mudado de residência, como se o nada além do escuro fosse meu percurso, e de calado, até meus passos.
   As lembranças de ontem se misturam aos meus delírios. E o anseio,  de ao acordar deste desespero, me deparar com lírios amarelos que me guiem de volta até o caminho de casa.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

You can't always get what you want

Assista a "Rolling Stones-You Can't Always Get What You Want" no YouTube

   Um segredo guardado a 7 chaves vou revelar aqui. Trata-se de uma frustração infantil, talvez a última antes da Verdade sobre o Papai Noel.
   Meu sonho de consumo sempre foi uma casinha de boneca, dessas que a criança entra e ficar dentro o dia inteiro. Eu via naquele sonho, a possibilidade de ter um mundo, um espaço só meu. Não que eu não gostasse de ter o meu quarto com a minha tv. Aliás, eu sabia que nesse ponto, eu tinha a sorte de poucos. Mas mesmo tendo um quarto e meus pais me dizendo que aquela casa era ( ou é) minha, eu nunca me senti como tal. O sonho da casinha cor-de-rosa com cerquinha branca, era a possibilidade de ser dona de algo, de um mundo inteiro talvez. Lá não haveria monstros, tudo seria do meu jeito. Eu seria dona daquilo tudo.
   Mas apesar deste ser o meu maior sonho, a casinha nunca deixou de ser um anseio secreto. Bem, meus pais sempre me disseram: " filha, nada nessa vida foi, é ou será fácil. Nada vem de graça. E tudo o que a gente conquista nesse mundo, tem que ser por merecimento, por esforço. O dia em que alguma coisa vier muito fácil, desconfie."
   Na verdade, parando para pensar, eu merecia ganhar uma casa de bonecas cor-de-rosa, e lá no fundo sabia disso. Eu nunca fui de dar trabalho: sempre procurei me comportar, estudar, obedecer os mais velhos, dividir com o meu irmão mais novo. Mas justamente porque eu sabia do esforço e por reconhecer que o meu sonho era muito caro, aos meus pais que tanto batalhavam para criar a  mim e ao meu irmão, eu sempre tive vergonha de fazer menção sobre este assunto. Eu sabia, que as coisas não eram fáceis em casa: fazia compras com a minha mãe, sabia que toda vez que meu irmão adoecia ( bastava um sinal tanto do "el niño" quanto da "la niña") minha mãe morava por dias no hospital, e meu pai pegava cheques emprestado ou vale no trabalho. Então, não era justo. Entende?
   Bem, tinha o Papai Noel, mas mesmo o bom velhinho tinha de ser poupado. Na verdade, pelo fato de eu achar a casa tão grande e pesada (quanto cara aos meus pais), eu não achava justo ocupar tanto espaço no trenó de um velhinho que distribuía presentes para todas as crianças do mundo. A casinha ocupava muito espaço, e por isso eu poderia, com o meu "capricho" tomar o tempo e o lugar dos brinquedos de outras crianças no mundo, tão merecedoras quanto eu.
   Absurdo ou não, eu realmente pensava assim quando criança. E por maior que fosse minha  frustração secreta, (a primeira de uma sequência absurda,) eu sobrevivi e aprendi algo útil. Como diria Sir Mick Jaegger: "You can't always get what you want".
   Ciente de que "eu nem sempre consigo obter o que eu desejo", eu ao menos sou mais resistente  que muitos da minha geração. Desde cedo, aprendi a olhar para os lados, a dividir, a questionar e repensar. Nunca fiquei doente ou dei chilique por uma boneca ou luxo. Aprendi a dar valor, a desconfiar do que é fácil, a engolir o choro e pensar em outras coisas...
   E quanto ao sonho da minha casa de boneca própria , ele foi remanejado e ampliado: se eu não tive minha casinha de boneca cor-de-rosa com cerquinha branca quando criança, agora adulta eu quero uma casa maior e de verdade: toda cor-de-rosa com cerquinha e janelas brancas.  E eu sei que eu vou chegar lá, porque eu sei que nada vem de graça, tudo é por merecimento e se eu quiser mesmo, só eu posso conquistar. E pra isso, é só tentar.

Desculpe Meu Amor

90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...