Sísifo é o reflexo do homem que dribla com sua sagacidade e vigor a Morte. É o homem revoltado, o homem que desafia deuses, que "brinca" com as emoções divinamente humanas e eventos da Natureza. Mas que ao mesmo tempo, é engolido por suas escolhas. Preso no tempo, em uma rotina exaustiva, sufocante e ingrata: carrega sua vida, o peso de suas convicções em suas costas diariamente - e inutilmente!- ladeira acima, para que ao termino de um dia - o que para os Deuses, não passaria de um mero "piscar de olhos" - ver todo seu esforço, história e a parte mais preciosa de si, despencar e rolar ladeira abaixo. Em uma palavra: Cotidiano. Em uma frase: O cotidiano é mais torturoso que a própria morte.
Pandora e sua busca incessante pelas pestes, por ela, libertadas. E onde entra a Esperança? Seria um bem? Um mal? Se é o Bem, o que estaria esta Graça fazendo em meio a tantas desgraças contidas numa só caixa? Se é o mal, o que justificaria tantas pessoas se fortalecendo deste veneno? E se a Esperança, e se ela fosse a própria jovem mulher condenada á recolher todas as pestes, que por ela foram um dia espalhadas? E se a Esperança e Pandora forem as mesma? A Esperança que de modo imprudente libertou o Mal, a Esperança que atinge como o fim o extermínio do Mal?
O homem que queria chegar aos Céus. O Homem das Asas de Cera, Ícaro. Com seu projeto ambicioso que impressionou os próprios Deuses por sua ousadia imprudente. Por seu desejo ardente de buscar, explorar, se libertar ou apenas fugir de um mundo, que talvez, não fosse o seu. Ele se apaixona cegamente pelo brilho do Sol, contempla e apira o explendor do astro, e se aproxima como uma ave rapina ávida de seu objeto de desejo ( o Sol, a Luz, a Razão). Antes que se tornasse cego, antes que a luz o cegasse, o calor de sua conquista se antecipou e derreteu seu veículo. Ícaro despencou no momento que seu objetivo derreteu sua liberdade.
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