
Enquanto seres dotados de vida, somos fragmentos que compõem a Perfeição, constantemente renovada por aqueles que nascem, vivem e percebem esta realidade, mas que não entendem como um todo. E se não entendem, não é por não querer, mas por pertencer a esta realidade, vivenciar em seu interior.
Quando se quer observar este mundo sob uma perspectiva ampla e abrangente, deve-se mudar o foco do olhar: observar o mundo de fora para dentro, não o contrário. Alguém que vive dentro de um ciclo, só entende que sua realidade corresponde a um ciclo, quando sai de seu mundo a fim de observá-lo de fora.
Contudo, uma vez que o obsevador sai de sua realidade mesmo que para compreendê-la, o mundo deixa de pertencer a ele, da mesma forma que o obsevador deixa de compor o mundo. O observador passa então a pertencer a outra realidade, a uma realidade muito diferente da anterior. Enquanto ser vivo e mortal, o observador não pertence ao espaço infinito como gostaria. Tão pouco, por compreender sua Terra Natal, passa a não pertencer ao seu mundo: desfaz de suas convenções, pessoas amadas, habito - agora obsoletos... O obsevador é livre, mais que qualquer outro ser vivente naquele mundo, por outro lado é limitado, por isso incapaz de explorar o Infinito. Livre e limitado... Mas ao contrário do que muitos pensam, o Observador não está deslocado, ou sem lugar. O Observador passa a pertencer ao espaço intermediário, o meio entre dois extremos: o Finito e o Infinito. Como se o Universo correspondesse à uma folha de papél imensa e o mundo correspondesse a espaço dentro de um círculo perfeito: o lugar do Observador não é o espaço dentro do círculo, nem o espaço fora do círculo, mas é a linha que define e separa o mundo finito e perfeito do Universo ainda a ser construído.
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