quarta-feira, 28 de abril de 2010

Como Cristal



Um indivíduo singular surge da terra à milhas de distância, em solo fértil e virgem. Ele leva anos para existir, desenvolver-se e finalmente ser notado. É forte, tão resistente... Se não fosse, não haveria aqui um único exemplar remanescente. É belo...Deus, como é belo!


As lágrimas celestiais o molham, o Sol o ilumina...Abracadabra! Um Arco-Íris dentro do Cristal se revela:


Se lapidar um pouco aqui, minar um pouco ali, outros Arco-Íris internos irão se desvelar. Então aquilo que já era belo, Sublime tornar-se-á... Uma lasca aqui, outra ali...uma, outra e mais outra: uma nova e fabulosa forma acaba de emergir; centenas de arco-íris acabamos por enfim descobrir ao passo que uma transparência perfeita e singular acabamos por conseguir...

-Fabulosa é a beleza do indivíduo que sente, pensa e cria. Sua profunda sensibilidade, suas idealidades, palavras e gestos...uma beleza transparente: imanente e singular, que nos permite contemplar diversos arco-íris em tantos ângulos...é extraordinário! Um cristal constantemente cortado e desvelado...

CRACK!!!!!!!!! ( uma queda, uma perda!)

-Como é frágil o indivíduo! Incrivelmente frágil tanto quanto belo! Quanto mais mais lapidado mais belo, mais frágil... Mais revelado, maior deve ser o cuidado!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Discurso de um sujeito que atende por ausente



Eu não sou um monstro! Por favor acreditem em mim! Eu não sou um vilão, nem donzela em apuros, nem herói...Se me calo, se me afasto...não é por não ser humano, não é por não chorar ou deixar de sentir muito ou pouco, pelo contrário: sou humano, eu choro sim (mesmo às escondidas), sinto quando me importo. Só não gosto que me vejam.


Por que reduzem minha conduta a mero egoísmo, se tudo que eu procuro é não causar transtornos, conflitos despropositados e desmedidos? Por que sentem tanto a minha falta? Sou tão pouco, nada exceto uma ou outra pessoa é tudo o que tenho. De resto, eu mesma sou a própria falta, entregue á própria sorte...Não tenho grandes dons, virtudes me são tão poucas e das poucas, muitas são escassas...não detenho beleza, nem riqueza. Longe de ser sábia, se fosse eu seria um pouco racional. Também não sou passional, pois a maior parte das paixões, com o tempo, voaram como folhas através do vento.


Eu quero partir, mas não sei a onde. mas não quero partir se o preço for partir em dois os que estranhamente sentem por meu silêncio ou ausência. Por favor, não chorem! Nem se preocupem ou sintam em demasia uma ausência fictícia! Não entendam por egoísmo querer arejar a "caixa pensante". Desculpem a imbecilidade deste sujeito errante e pouco dançante, desculpem a economia das palavras, dos gestos e encontros. Infelizmente, não sou dotada o suficiente de senso para estabelecer alguns limites em minhas ações...


O mistério de minha ausência é o não fazer notar meus desvarios, é o não ferir covardemente um outro ser, por conta de uma explosão de insensatez. Aquilo que vocês tanto sentem falta em mim não existe, talvez nunca tenha existido...Não, eu não sou um monstro só por não ser um mártir!


-Mas quem no mundo entenderia ou se quer acreditaria, se eu assim me revelasse?

-Quem és tu, Samantha?


Estou em uma fase em que só me resta o nome, como a certeza do que eu sou: não sou de esquerda, de direita, de centro; não sou negra, branca, vermelha ou amarela; nem cristã, pagã, , ateia, cética ou niilista; eu não sou hetero, homo, bi ou assexuada.

Só resta o nome. Nem as lembranças me servem, pois toda a lembrança que possuo, assim como o conhecimento de mim mesmo e de todo, há tempos fundiram-se às ficções construídas pelo lado direito do cérebro.

"Imagino" saber algo um pouco além do nome. Na verdade, eu só faço de minhas imagens e projeções, minhas crenças. Agora se há verdade, se é que há verdade em tudo isso, eu não sei, apenas creio haver.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Cênicas

Aos amigos das artes e sobreviventes...




O mundo todo reduziu-se à uma temporada interminável e tediosa de ópera: o mesmo ritmo, com as mesmas pausas dramáticas, o mesmo humor ácido - que de tão previsíveis já perderam a graça. O que muda no mundo são os atores em cena, e os dias da semana, de resto, tudo é tão simplista e óbvio que, antever o final da trama nos primeiros cinco minutos é coisa para qualquer um: especialistas e charlatães, crianças e idosos.

Falta verdade no mundo. Não, verdade é o que mais se encontra neste mundo: objetivas, subjetivas, relativistas... O Homem escolhe aquilo que lhe convém, de acordo com suas crenças e entendimento. Assim nasce um religioso, um cético, um ateu. Ou um libertino, um romântico, um niilista.

"Deus existe?" "Sim, é a Gaia." "Não, o que há é a matéria." A mesma pergunta e inúmeras respostas, muitas comprovadas pela lógica que tenta justificar a lógica absurda do mundo. Para cada resposta, uma verdade...uma falsidade. Sem dúvida, "O Homem é a medida de todas as coisas".

Não faltam verdades no mundo, ao passo que para cada verdade desvelada, desvela-se uma ou outra falsidade mascarada de verdade. Falta sinceridade na hora de um "SER" voltar a "OUTRO SER", com o intuito de mostrar aquilo que se "É", se pensa, se sente - com sigo mesmo ou com o outro.

Mas a grande Ópera interminável, previsível e tediosa não dá espaço para os artistas revelarem seus talentos. É por essas e por outras que eu prefiro a VERDADE do Teatro do Absurdo: onde o cômico é o trágico, aquilo que se passa por irrealidade é o mais próximo da realidade objetiva, ao qual nos condicionamos diariamente ao longo da Ópera.

Porém, mesmo os artistas odiando o que fazem - ou o modo como fazem - , estes estão demasiadamente viciados em seu clichês tão mecânicos, que não conseguem consertar o desastroso espetáculo - ou o Mundo Contemporâneo. Tornaram-se cegos, surdos ou loucos: atuam com talento o desastroso roteiro, não gostam mas sobrevivem á uma estranha lógica do -1, que no final torna-se em +1 até o finito do infinito, o fim do "SER".

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sufoco

Não sofro de asma ou qualquer
outra doença respiratória. Também não sou claustrofóbica, eu consigo sobreviver
bem em lugares fechados, sem grandes histerias. Não sou alérgica á animais, nem
sofro com alterações climáticas. Mas sinto falta de ar, em qualquer hora e
lugar. Sufoco em casa, na rua, em casa de terceiros. Ás vezes sinto minha
voz aguda e renitente ser abafada. Outras, sinto o ar ou o espaço comprimir o
corpo. Por inúmeras vezes acreditei mesmo ser loucura, desvario ou até frescura
mesmo...
Seja lá o que for, nessas
horas de sufoco procuro me conter, não me desesperar: gasta-se mais oxigênio e o
coração acelera todas as vezes em que deixamos as emoções dominar o corpo. Então
digo a mim mesma, como um curandeiro para seu paciente: "acalme-se logo vai
passar!
". O engraçado é que nunca passou, quando muito posso sentir um
alívio que dura o suficiente para recuperar o fôlego, antes de outra
crise.
Acontece que com o passar do
tempo, minha patologia cronica assim como todas, agravou-se a tal ponto que nem
sempre consigo manter o mesmo controle habitual. Se o problema fosse em casa,
mudaria de casa. Mas, não... Seja em casa, na rua, no mercado, no ônibus:
"As pessoas encaram as coisa com tanta naturalidade, sejam coisas simples,
complexas e absurdas...A percepção humana é tão mecânica quanto suas ações! Tudo
é extremamente natural para meus concidadãos!"
Tal naturalidade horas me
irrita, horas me sufoca em uma atmosfera que não me pertence. E a consciência
que possuo da naturalidade alheia e meu assombro perante o absurdo, me
enlouquece lenta e silenciosamente...



Descartável

Ás vezes, tenho a nítida sensação de que eu - cedo ou tarde - serei consumida pelo mundo. Tal sensação me causa revolta, é difícil aceitar que eu sobrevivi até aqui e anda sobrevivo para que no final eu seja simplesmente: engolida, digerida e defecada pelo mundo. Seja tal fato apenas uma possibilidade ou um fato irrefutável, em ambos os casos, perceber que a qualquer momento seremos consumidos e descaradamente descartados é violento demais!

Desculpe Meu Amor

90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...