quarta-feira, 24 de abril de 2013

(Des)Ilusão

O mundo é do jeito que é. Desculpem os românticos, odeio decepcionar pessoas relevantes, mas tudo é o que é ou o que tem de ser. Não há esperança, o que há é uma crença absurda e obsoleta que corroi a alma do ser que espera que o mundo de fato, em algum dia, mude. Não, eu cansei de esperar pelo outro, esperar a compreensão do outro, esperar algum dia compreender o absurdo e solucionar os problemas do mundo.
Agora sou eu. Agora eu descobri o centro de um cosmo: eu sou este cosmo, em sua totalidade, em sua magnitude, em sua gloria, em sua desconstrução... O resto? O resto do mundo? Não, eu sinceramente dispenso, pois eu basto em mim mesma: eu mato a mim mesma, eu me decomponho, me transformo, renasço, recrio a mim mesma...1000 vidas, mil mortes de um mesmo ser que como tudo na natureza vive e se expande ao passo que se modifica...
Se sou tudo isso, eu posso criar minha liberdade, minhas crenças, minhas patologias e minhas curas...Não, eu não preciso do outro ao passo que eu ainda respiro, eu ainda penso, eu ainda, vivo e sou...


terça-feira, 23 de abril de 2013

Casa

Casa... Ir/Voltar para casa...
Se eu ainda tivesse uma. Se a enxurrada não tivesse levado-na...se a ventania não tivesse varrido tudo, se ainda houvesse uma coluna firme...
A minha casa é onde reside meu espírito, cada objeto, retrato, cortina e lençol...minhas lembranças, convicções levados pelo vento forte.
Minha memória fragmentada espalhadas em um buraco negro chamado Tempo.
E tudo o que queria, não estou certa se posso. São tantas coisas que se perderam, no vazio infinito...E o que tenho, eu tento reter em minhas mãos pequenas e cansadas. Mas o Tempo passa e me força abrir vez ou outra, uma mão ou outra...e mais coisas que se perdem, que flutuam.
Então me vem o súbito desejo de ir correndo para casa. Era mais fácil brigar contra o inimigo imaginário ou me esconder debaixo da cama, ou simplesmente, pedir pra dormir com a minha mãe.
Casa...minha casa. Hoje não passa de um estado de espírito. Aquele que me aquece, que me faz princesinha de um castelo em um mundo distante. Minha casa, há tempos que não frequento lá, desde uma série de catástrofes naturais, que me tiraram o sono, que me obrigaram a agir antes de pensar. E como meu único ato, eu fugi, eu corri o mais rápido que eu pude. Só não voei, porque minhas asas ficaram em casa.

Minha avó

Deus já te levou há tanto tempo, há tantos anos.
Mas penso que a cicatriz ainda não se fechou. Ainda sinto uma pontada no peito quando me lembro da senhora. Do quanto queria que você, minha vovó querida estivesse aqui conosco. Saudade da sua benção, do seu abraço, do seus conselhos...
Mas você já não pertence á este mundo. Sua alma se libertou do corpo como as borboletas do firmamento. Não deveria chorar, eu sei. É egoísmo, é irracional...Desculpe por esta falha, por ás vezes, pensar em mim e o que eu quero que seja o justo. Ás vezes escapa, ainda não aprendi a ser altruísta e justa.
Mas acontece que a saudade é tanta, o desejo de que a senhora me abraçasse apertado e me assegurasse que tudo vai ficar bem. Ai Vó, eu me sinto tão perdida ás vezes! E entre tantas pessoas, a senhora sempre se importou, sem nunca julgar.
Tanto tempo se passou, e este buraco não se fechou. Tudo o que eu queria agora é voltar no tempo, ser criança outra vez, e ouvir sua voz, receber seu carinho. Ainda lembro com alegria e saudade do seu riso, das suas histórias, das suas inúmeras habilidades, da sua expressão altiva, da sua força...Me sinto tão pequena, e apesar da minha pequenez, a senhora sempre viu um brilho que mais ninguém via, nem mesmo eu.
A senhora sempre foi a melhor entre todos nós: irmãos, filhos e netos.
Até seu nome condiz com sua presença, a própria recompensa de Deus aos Homens: a GRAÇA.
Eu te amo, Vó!

segunda-feira, 22 de abril de 2013


    Em seus braços que me aquecem, que me protegem dos fantasmas que invadem meu universo.
   Você me realiza e me faz querer realizar. Realizar sei lá o que. Ao seu lado eu me sinto fraca, lassa, pequena, nociva a mim mesma. Você controla esse elemento altamente radioativo e letal que são meus impulsos. Você desperta em mim minhas maiores e mais elevada Paixões.
    E qualquer possibilidade de me afastar de você -, real ou imaginária,- me aflige, me atormenta a alma. Tal coisa trágica  me torna altamente autodestrutiva: me faz pensar no mergulho em um precipício, profundo, quase  sem fundo. Porque eu te amo tanto, tanto, tanto que enlouqueço, que me esqueço, que me recordo, que me torno em um ser forte e lasso... Uma Medéia controlada.
    Você me diz que me apóia e diz estar disposto a aniquilar todos os monstros invisíveis que possa me perturbar à noite. Mas se eu te dissesse que eu mesma, me vejo como um? E se eu te dissesse que por detrás da donzela, habita uma sombra, um monstro? Ainda sim, você me amaria? Ainda deste modo eu seria o objeto de suas afeições, sua Euridice, sua Psiqué?

Desculpe Meu Amor

90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...