Casa...
Ir/Voltar para casa...
Se eu ainda tivesse uma. Se a enxurrada não tivesse levado-na...se a ventania não tivesse varrido tudo, se ainda houvesse uma coluna firme...
A minha casa é onde reside meu espírito, cada objeto, retrato, cortina e lençol...minhas lembranças, convicções levados pelo vento forte.
Minha memória fragmentada espalhadas em um buraco negro chamado Tempo.
E tudo o que queria, não estou certa se posso. São tantas coisas que se perderam, no vazio infinito...E o que tenho, eu tento reter em minhas mãos pequenas e cansadas. Mas o Tempo passa e me força abrir vez ou outra, uma mão ou outra...e mais coisas que se perdem, que flutuam.
Então me vem o súbito desejo de ir correndo para casa. Era mais fácil brigar contra o inimigo imaginário ou me esconder debaixo da cama, ou simplesmente, pedir pra dormir com a minha mãe.
Casa...minha casa. Hoje não passa de um estado de espírito. Aquele que me aquece, que me faz princesinha de um castelo em um mundo distante. Minha casa, há tempos que não frequento lá, desde uma série de catástrofes naturais, que me tiraram o sono, que me obrigaram a agir antes de pensar. E como meu único ato, eu fugi, eu corri o mais rápido que eu pude. Só não voei, porque minhas asas ficaram em casa.
Vaga-lumes são inspirações noturnas que brilham em meu quarto. Múltiplas e frenéticas colidem entre si; e como estrelas que se unem em constelações, nasce o verso, a prosa sem nexo, a doxa, a palavra sufocada.
terça-feira, 23 de abril de 2013
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