segunda-feira, 22 de abril de 2013


    Em seus braços que me aquecem, que me protegem dos fantasmas que invadem meu universo.
   Você me realiza e me faz querer realizar. Realizar sei lá o que. Ao seu lado eu me sinto fraca, lassa, pequena, nociva a mim mesma. Você controla esse elemento altamente radioativo e letal que são meus impulsos. Você desperta em mim minhas maiores e mais elevada Paixões.
    E qualquer possibilidade de me afastar de você -, real ou imaginária,- me aflige, me atormenta a alma. Tal coisa trágica  me torna altamente autodestrutiva: me faz pensar no mergulho em um precipício, profundo, quase  sem fundo. Porque eu te amo tanto, tanto, tanto que enlouqueço, que me esqueço, que me recordo, que me torno em um ser forte e lasso... Uma Medéia controlada.
    Você me diz que me apóia e diz estar disposto a aniquilar todos os monstros invisíveis que possa me perturbar à noite. Mas se eu te dissesse que eu mesma, me vejo como um? E se eu te dissesse que por detrás da donzela, habita uma sombra, um monstro? Ainda sim, você me amaria? Ainda deste modo eu seria o objeto de suas afeições, sua Euridice, sua Psiqué?

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