Em seus braços que me aquecem, que me protegem dos fantasmas
que invadem meu universo.
Você me realiza e me faz querer realizar. Realizar sei lá o
que. Ao seu lado eu me sinto fraca, lassa, pequena, nociva a mim mesma. Você
controla esse elemento altamente radioativo e letal que são meus impulsos. Você
desperta em mim minhas maiores e mais elevada Paixões.
E qualquer possibilidade de me afastar de você -, real ou
imaginária,- me aflige, me atormenta a alma. Tal coisa trágica me torna altamente autodestrutiva: me faz
pensar no mergulho em um precipício, profundo, quase sem fundo. Porque eu te amo tanto, tanto,
tanto que enlouqueço, que me esqueço, que me recordo, que me torno em um ser
forte e lasso... Uma Medéia controlada.
Você me diz que me apóia e diz estar disposto a aniquilar
todos os monstros invisíveis que possa me perturbar à noite. Mas se eu te
dissesse que eu mesma, me vejo como um? E se eu te dissesse que por detrás da
donzela, habita uma sombra, um monstro? Ainda sim, você me amaria? Ainda deste
modo eu seria o objeto de suas afeições, sua Euridice, sua Psiqué? 
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