Calendoscópios, bolhas de sabão, algodão doce e varinhas de condão...Asas de borboleta, uma princesa vinda de outro planeta.
Caçadora nata de vaga-lumes, que vibrava na chuva de granizo, que queria desbravar o outro lado do arco-íris...
Vestidos grandes, pés descalsos, sorrisos floridos, olhares coloridos. Meu mundo, o mundo onde o importante não era agir, mas ser...A magia do mundo em meio a simplicidade isso me bastava. Um olhar ingênuo e o mundo ao meu redor se transformava: meus heróis, os malvados sendo punidos, a pequena princesa um dia tornaria-se heroína. E a heroína tão simples não perderia de todo a sua nobreza.
E em caso de dúvida sobre qual direção tomar, bastaria uma linda e perfeita bolha de sabão bailando no ar para me guiar. Em caso de medo ou tristeza muito forte eu poderia olhar o mundo através de um calendoscópio. Se algum homem bom sofresse, bem eu era uma fada com vara de condão, poderia entregar a ele uma margarida e um doce algodão tão rosa quanto meu mundo, tão mítico e vivo quanto as cores que eu vejo no calendoscópio.
Era, já não é. A gente cresce e aprendemos que fadas não existem, coelhos são só coelhos, que existem santos mas falta a santidade para praticar tantos milagres. Aprendemos que a seriedade e pontualidade é o segredo para conquistar o que merecemos ( embora volta e meia muitos peguem atalhos e "passam a perna" nos que realmente merecem algo). Descobrimos que não há nada de tão bom em ser adulto, são mais custos e deveres do que benefícios e direitos. Descobrimos que nunca vai nascer um pé de melancia em nossas barrigas por termos engolir alguns caroços e que engolir chiclete não vai fazer o mesmo mal alertado pelas nossas mães. Vamos com o tempo esquecendo a coragem, nos tornamos adultos medrosos e obedientes. Mas o pior de tudo isso é O ABISMO QUE ABRIMOS ENTRE O IMAGINÁRIO E O REAL. Por isso o mundo anda tão "cinza cimento", por isso que quando Papai do Céu chora ele faz tanta tempestade...deixamos de ser crianças e viramos máquinas fortes mas sem coração, inteligentes e sem imaginação.
Não posso voltar no tempo ou me mudar para NeverLand. Mas volto a sorrir quando posso, quando eu permito a mim mesma enxergar o mundo através de um Calendoscópio.
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