Bem, eu acredito em elos. Cada elo possui uma estrutura: tem aqueles que a gente ama com os olhos, outros com o espírito e outros com o corpo. Tem aquele que a gente só deseja possuir o corpo ou sentir ser possuido pelo corpo. Outros é pela conversa ou pelo atrito dos argumentos. E tem aqueles que se tratam de elos da alma: é o estar bem só de ter este alguém ao seu lado. É tomar uma casquinha de sorvete num dia frio na Paulista de mãos dadas. Um elo familiar, é uma relação de amizade que tanto pode vir a ser uma relação de troca ou empreendimentos ( culturais, intelectuais) como uma irmandade. Existem elos matrimoniais, outros meramente sexuais. E qual o problema em assumir isso?
São elos ainda que diferentes. Eu já amei corpos, bebi palavras amargas até transformar lágrimas em açucar. Já queimei e fui queimada pelo calor belos corpos, amei e fui "pelo menos desejada" por olhares flamejantes. Busquei essências e tive a minha capturada, remoldada e realizada.
As pessoas de um modo geral parecem ter dificuldade para aceitar e assumir certos tipos de elos. É um temor absurdo de envolver-se e relacionar-se com outro, é como se temessem a perda daquilo que não se têm: o controle. "Se eu me declarar", "Bem eu sou comprometida com fulano, não posso fazer isto ou aquilo."
Quando alguém chega a criar um elo forte, algo que poderia fazer de sua vida e de outras uma bela constelação, elas esquecem a si mesmas. Rompem com o elo interno e negam o que são. Mas por que? Por que que tudo tem que seguir ou se reduzir á um padrão, se o coletivo é composto de indivíduos dos quais se distinguem entre si até mesmo no DNA?!
Eu olho ao redor do mundo e sinto uma grande tristeza, é como se o ser humano tivesse deixado de ser legítimo, para se reduzir a padrão. É como se o mundo inteiro quisesse e esperasse cavar sua cova enquanto espera seu fim. As pessoas não se relacionam, e quando isto ocorre, se limita a superfície. O tesouro permanece oculto, velado. Muito se perde, a própria existência se desintegra como planalto em erosão.
E enquanto se consomem em si mesmas com tanta violência e demagogia, elos são abortados, muitos se quer chegam a ser gerados! Dessa forma, a vida deixa de criar e inovar. A arte deixa de ser gerada, vivemos de passado, aguardamos por um futuro enquanto morremos pouco a pouco no presente.
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