quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Aporía Ética

   Qual é o meu direito? Qual é o meu dever? O que eu posso ou não fazer de acordo com o critério da minha vontade? Qual é o meu espaço? A onde que se dá a minha fronteira ou a "parte que me cabe deste latifúndio"?

   Acho lindo e apaixonante alguns ideais anarquistas, assim como a "política da boa vizinhança", o comportamento do bom cristão. Contudo, em uma realidade, uma sociedade composta por inúmeros indivíduos com suas preferências, necessidades e reivindicações, como estabelecer uma harmonia, um código comum de conduta onde o direito de um não interfira no direito alheio?
   Somos iguais? Bem, se fôssemos talvez não teríamos tantos problemas sociais ou psicológicos, certamente a convivência coletiva seria algo tão comum e natural a todos que não haveria conflitos violentos de opinião e valores. Tão pouco, não precisariamos de leis e códigos de conduta explícitos ou implícitos. Tudo seria Natural e orgânico, como no caso das abelhas, formigas ou ainda outros seres maiores como: elefantes, pinguins, águias e leões.
   Mas não. Justamente pelo fato de mais do que homo sapiens cada Homem ser um indivíduo com um universo de genes, conceitos, história, preferências,  aptidões e limitações; a convivência coletiva na qual se dá  por necessidade, se torna um fardo, um conflito constante entre autonomia e sobrevivência. É como se a Primeira Pessoa do Singular e a Primeira Pessoa do Plural entrasse em um conflito constante que se perpétua ao longo da existência de um Ser, ou melhor, de TODOS OS SERES.
   Saber se adaptar, mais do que vontade, é uma condição para sobreviver ao mundo. Esta "Verdade" defendida por Darwin (não necessariamente dita com estas palavras) recai sob nós como uma pedra, uma pedra na qual, carregamos em uma maratona incessante chamada sobrevivência. Se já é difícil sobreviver ao mundo com suas alterações "naturais", conter a fúria e os excessos de outras espécies ( que assim como nós também lutam pelo direito de viver e perpetuar suas espécies), ao Homem também cabe o direito (e o dever) de adaptar-sempre  às mudanças e às disputas territoriais contra outros Homens. E na luta pela sobrevivência, como diria Hobbes "o homem é o lobo do homem", ainda que Aristóteles esteja de todo certo ao afirmar que "o Homem é um animal político" e desta forma necessite viver em sociedade para conseguir sobreviver ao resto do mundo.
   Justamente para estabelecer um "equilíbrio aparente", em todas as sociedades habitadas por Homo Sapiens, existem "Leis", "Conjuntos de Regras" que estabelecem as normas de comportamento cabível e aceitável para cada indivíduo seguir, de acordo com o seu papel dentro de uma sociedade ou comunidade. Pensar em uma sociedade, ou ainda, em uma pequena comunidade ou grupo, sem "normas" explícitas sobre como agir ou reagir é algo tão irreal e improvável quanto a sobrevivência de um Ser Humano fora de qualquer Civilização, Comunidade, Sociedade, etc.
   Contudo, apesar desta "ORDEM NATURAL DO COMPORTAMENTO HUMANO" estar muito bem fundada, como podemos tratar a questão da individualidade? Como podemos confortar e alinhar o Indivíduo entre outros tantos indivíduos, como não negligenciá-lo de modo a estimular o desenvolvimento deste enquanto um Ser que necessariamente precisa desenvolver-se e adaptar-se ao mundo para sobreviver e aprimorar a própria espécie?
   Qual é a JUSTIÇA que melhor se aplica ao Indivíduo? Qual é a "mediania" entre o Coletivo e o Particular? Onde está (se é que existe) a fronteira entre um extremo e outro? Qual Ciência ou Método capaz de "superar" este impasse antigo e paradoxal? É possível se pensar em uma Ética prática capaz de interagir de forma eficiente com outras Ciências (Humanas ou Naturais)?

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