domingo, 28 de junho de 2009

Aos Artistas de todos os Reinos e Espécies


As cigarras são artistas que já nascem póstumas. Passam a maior parte de suas existências mudas e isoladas, vivendo entre o tronco de uma árvore e a terra que sustenta a árvore. Seguindo uma essência artística, a cigarra após seu longo período de silêncio, escala o tronco de sua árvore, posiciona-se elegantemente sobre o galho mais alto e inicia um canto misterioso e incessante.
A cigarra se liberta quando canta, preparando-se a vida toda por este momento único e grandioso. Ela canta até seu último fôlego, fazendo de seu Primeiro grande Ato, o seu Grande Ato Final. Tudo leva a crer que, o seu instante explica o longo período de silêncio deixado para trás, proporcionando a esta cigarra um significado bastante singelo para sua existência enigmática e pouco notada.
A cigarra canta incessantemente ao longo de um único dia. Vivem por um único momento, o momento que antecede sua morte. A cigarra ao revelar seu talento, inspira outros a fazer o mesmo, ganha vida e faz novas vidas com o seu canto, fazendo-se notar pelo mundo ao mesmo tempo que despede-se deste.
Em suma, a cigarra faz aquilo que somente os grandes artistas fazem: "Alcança a imortalidade através de seus atos, por amor a suas obras".

Ecos de Insensatez


Eu sou o devir incessante que anseia o permanente.
- Paradoxo?! Talvez sim... por que não?
Existem coisas, tantas coisas...
coisas que se atendem,
mas que não se entendem.
Necessidades da vida...
de uma vida necessária.
- Será que a necessidade se faz necessária?

Pensando, agindo, existindo...
Existimos pois pensamos.
Quando menos esperamos,
pensamos que em meio
de tantos pensamentos, sentimentos...
necessários, desconexos e sem freio:
" O devir torna-se o anseio incessante
de algo que tornou-se permanente".

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O final

Assim como a cigarra tendo passado a maior parte de sua existência muda e oprimida entre um tronco e o chão, hoje eu escalo. Escalo incessantemente a procura do galho mais alto e nobre.

Lugar esse onde poderei executar meu grande ato final, lugar onde não mais terei um motivo se quer para conter a minha voz...

Me preparo para este momento: momento de glória, momento que aguardo, momento que inevitavelmente antecederá a minha morte...

sábado, 13 de junho de 2009

Eu



Quebrei meus espelhos, pois me assombrei com a imagem refletida através destes.Transcendi tanto por mais estranho que isto possa soar, o fato é que estou muito mais próxima de ser um plasma, do que qualquer tipo de organismo sólido...
Não sou Homem. Não sou mulher. Não sou anjo. Tão pouco demônio. Tudo o que sou é tão e somente um ser não rotulado, porém existente.
Aparências são notadas através dos sentidos, os sentidos muitas vezes podem nos enganar, principalmente quando a gente pensa que sabe, pensa que compreende, pensa que conhece, ou ainda, pensa que pensa, quando na verdade, toda uma teoria ou crença dogmática ou analítica não passa de mera fantasia...
E por falar em fantasia e realidade, o que é um, o que é outro? Será que somos mesmos capazes de separar um do outro?
Será que a fantasia é uma realidade alternativa, assim como a própria realidade a qual pertencemos e agimos não passa de um MUNDO SURREAL e/ou PARALELO?
O que posso dizer é que os meus amigos VAGA-LUMES FRENÉTICOS sofredores de insônia são mais reais do que a minha imagem através do espelho, justamente por não possuírem uma imagem facilmente apreendida pelos sentidos.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

De volta à Caverna Natal


Hoje eu me vi no Alasca, se não fossem meus amigos VAGA-LUMES estaria certamente perdida. Hoje eu vi o quanto é o peso do meu fardo: estudante de filosofia, uma livre-pensadora, um super-homem que sofre de naúseas existenciais, que assim como Éros amante de Afrodite e tudo aquilo que contém a beleza em si...
Hoje eu me enxerguei, hoje eu vi a luz do fundo da caverna e tentei me comunicar com o mundo, mas como poderia eu dizer aquilo que é indizível? Mas eu tentei, me frustrei quando quis apontar para todos aquilo que há de mais belo e perfeito: a essência, a luz... Mas ninguém vê, ninguém quer ver o que eu vejo...
Estou só, nunca senti tamanha solidão. Ninguém acredita, ninguém quer acreditar e sou tida como louca ou intelectual, quando na verdade tudo o que sou é apenas um antigo municípe que saiu de seu mundo com o intuito de explorar novas Terras e que ao voltar a sua Terra Natal viu-se como um estrangeiro...
É a noite cósmica, é belo, perfeito, mas é frio e tão vazio esse mundo ao qual eu passei a pertencer...

domingo, 7 de junho de 2009

Versos sem nexos


Algum dia,
bem que o outro
gostaria de enxergar
de modo singular:
com semelhança
ou ao menos, esperança.

Certo dia despertei.
Tendo me deparado
com tanto absurdo
aterrorizado, gritei.
Mas o mundo é surdo
então, me calei.

Eu aceitei tal condição.
Driblo os revezes com a razão.
Amenizo a agonia
com a imaginação.
Fiz da utopia minha consolação.

Ilusões adocicadas,
sentimentos dispersos,
pequeninas projeções
cuidadosamente guardadas
e que são reveladas
em forma de versos.

sábado, 6 de junho de 2009

A Bela e a Fera




Aqui estou novamente mergulhada em meus pensamentos, pensamentos estes que são tantos e tão misturados em um oceano que se resume em minha mente. Mente tão confusa, mente que mente, mente imatura...
Sinto um vazio em minha alma, um buraco em minha vida, uma sombra que se estende por toda a extensão do meu ser. Como se eu estivesse sendo condenada e julgada por todos - inclusive eu mesma - por um crime que eu já nem sei ao certo se eu o cometi, ou se quer, pensei em cometer...
- Socorro, estou presa! Estou presa a um corpo e a um mundo que por vezes me pergunto se este me pertence. Estou presa sem direito a condicional, sem saber em que tempo estou. Tem dias que um ou outro se lembra de mim, no entanto, este fenômeno não ocorre com tanta frequência... E por mais que eu me sinta, em alguns momentos, quase tão irrelevante quanto uma folha entre milhares de folhas que caem de uma mesma árvore diariamente durante o outono, isto não me aflige.
A verdade é que há uma fera adormecida por debaixo desta pele de cordeiro, que eu costumo chamar de aparência. Tenho medo de mim, tenho medo do que eu possa ser. Temo meu futuro, pois o meu presente me condena a viver presa em meu passado...
Sou dois lados de uma mesma moeda, não sei ao certo se estou viva ou morta, ou se sonho. O fato é que estou mergulhada em uma espécie de absurdo, sou uma aberração existencial e o mundo ao qual pertenço também é. Mas para o meu desespero, poucos são capazes de notar...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Amor, amor...


(...)
Amor,amor...
Que horror,
como pode o tal do amor
causar tanta dor?

Será temor?
Será pavor?
Me expliquem por favor:
Por quê o tal do amor
me causa tanto horror?

Desculpe Meu Amor

90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...