As cigarras são artistas que já nascem póstumas. Passam a maior parte de suas existências mudas e isoladas, vivendo entre o tronco de uma árvore e a terra que sustenta a árvore. Seguindo uma essência artística, a cigarra após seu longo período de silêncio, escala o tronco de sua árvore, posiciona-se elegantemente sobre o galho mais alto e inicia um canto misterioso e incessante.
A cigarra se liberta quando canta, preparando-se a vida toda por este momento único e grandioso. Ela canta até seu último fôlego, fazendo de seu Primeiro grande Ato, o seu Grande Ato Final. Tudo leva a crer que, o seu instante explica o longo período de silêncio deixado para trás, proporcionando a esta cigarra um significado bastante singelo para sua existência enigmática e pouco notada.
A cigarra canta incessantemente ao longo de um único dia. Vivem por um único momento, o momento que antecede sua morte. A cigarra ao revelar seu talento, inspira outros a fazer o mesmo, ganha vida e faz novas vidas com o seu canto, fazendo-se notar pelo mundo ao mesmo tempo que despede-se deste.
Em suma, a cigarra faz aquilo que somente os grandes artistas fazem: "Alcança a imortalidade através de seus atos, por amor a suas obras".




