quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Texto de QUINTA

   Hoje foi custoso para acordar. Não sou donzela, muito menos fui encantada por uma bruxa má. Mas foi difícil acordar. Quinta-feira, dia cinza chuvoso. Em um piscar de olhos, nos afogamos em preguiça feito areia movediça.

   Não queria acordar. Queria voltar ao meu transe, mergulhar em mim mesma, em um mundo onde o rei sou eu. No mundo onde eu faço o meu tempo, onde eu quebro relógios, rasgo folhinhas do calendário a bel prazer.

   Fiquei triste ao acordar nesta manhã de quinta e saber que nada mudou. Saber que os caminhos que segui, as escolhas que eu fiz que tudo, tudo mesmo era delírio. Fiquei triste em ouvir o toque de recolher do despertador, me chamando para erguer a pedra imensa ladeira acima de novo e de novo.   

   Fiquei mais triste em saber que embora eu soubesse de antemão o fim do meu dia, não tive coragem de mudar: peguei o mesmo ônibus, fumei a mesma hora o mesmo cigarro enquanto aguardava o outro ônibus com as mesmas pessoas, para chegar ao mesmo lugar e fazer o mesmo habitual "NADA DE RELEVANTE" até as 18 horas, onde irei pegar o mesmo ônibus atrasado de ontem, ascender um outro cigarro enquanto aguardo pelo outro ônibus, que certamente irei deixar passar, pois certamente ele virá muito cheio e eu preciso de espaço o suficiente para dormir em pé.
 
   A manhã de quinta é melhor que a manhã de segunda, mas não supera a manhã de sábado. Por outro lado, tem dias em que todas as manhãs parecem manhãs de quinta, manhãs de de preguiça movediça que atravessa e se arrasta ao "NADA".

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