domingo, 27 de dezembro de 2009

Aos contemporâneos da Alma Antiga


"Antes de tudo, devo os méritos destes texto á um certo aspirante á filosofo com a alma de artista. Um amigo, um irmão que assim como eu, assim como muitos, possuem a "Alma Antiga" e pagam um alto preço por sofrer demais, devido tanto a incompreensão alheia, quanto a busca do Eu no Outro."

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Até que ponto, ou melhor, a partir de qual ponto, a união entre extremos opostos pode gerar equilíbrio? Existiria mesmo a harmonia entre opostos, que juntos constituem o Uno? Estamos a concluir a primeira década do terceiro milênio depois de Cristo, no entanto, dúvidas antigas, aporias aparentemente solucionadas, permanecem adormecidas. Dúvidas que se revelam no silêncio da noite, aos que por tudo sentem e aos sedentos por explicações. A dúvida que não cala, as dúvidas que estão a percorrer a atmosfera de um microcosmo -, ou como queiram, a massa cinzenta de um ser pensante - é a mesma do ontem, do hoje, talvez do amanhã e, com toda certeza, é a mesma que insiste desde os tempos mais primórdios e clássicos, em simpósios onde filósofos e poetas costumavam a se reunir: É possível haver um acordo, uma união estável entre um platônico e um "hedonista"? Poderia um platônico explicar e, talvez, persuadir um "hedonista" sobre o que diz respeito a sua concepção de amor? Poderia o "hedonista" proporcionar o " hédon hédus" ( prazer doce) á um ser que ama e contempla o Belo que transcende?

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" Éros e Psiqué: Psiqué espera cumprir seu destino junto á Éros. Éros por toda a erternidade buscar por Psiqué, até que se encontram dentro de um instante. Éros é quem está a esperar por Psiqué, esperar por sua entrega. Psiqué espera estar pronta para entregar-se definitivamente e eternamente ao amor de Éros. Mas até quando Éros poderá esperar por Psiqué? "

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Identidade indefinida

Crenças, sonhos, anseios...
Assim eu era, assim eu fui...
Mas acabaram-se alguns sonhos. Tudo bem, sempre fui daquelas que sonha acordada, com a cabeça na lua e os pés distantes do chão...Sobre meu cérebro, definiria como uma máquina de pensamento distintos, originais devido à surrealidade no modo de articular as ideias, de representar a realidade cinza, através da linguagem metafórica que por vezes fora tida como ambigua ou subjetiva...
Mas eu sonhava, acordada ou dormindo. Ás vezes mais acordada do que dormindo. O que de algum modo contribuiu sigificavelmente com uma constate confusão entre realidade e sonho...
Assim eu era, assim eu fui...

Sonhava coisas incríveis, talvez fosse uma irresistível vontade de viver e sentir cada célula, cada aroma, cada cor e recriar no imaginário algo significativo. Eu era, eu fui crente, paciente e esperançosa...
Mas vieram as situações do mundo real, que me obrigaram a escolher e dissernir entre este ou aquele, o certo - ou melhor, o que muitos dizem serem o certo...
de atingir uma certa idade e arcar com as Então chegou o dia em que perdi mais alguns sonhos: é a consequênciaconsequências de cada ação...
Me mandaram correr, mas eu queria contemplar. Quando se corre quase nunca se contempla, exceto quando chove ou quando estamos dentro de um ônibus em um dia de engarrafamento...
Pouco a pouco, as ilusões se desfizeram como a neve na primavera. E de tanto correr, pensar em cada ato, arcar com consequências, minha máquina de fazer sonhos enferrujou...
Parei de sonhar novos sonhos, fiquei com alguns velhos. A esperança me ajudou a mantê-los por mais um tempo. Mas o fardo da esperança é muito pesado para aqueles que anseiam alçar voos...
Mas o peso da esperança não a torna menos frágil do que uma taça de cristal. Ou qualquer outro sentimento...
Não sou desesperançosa, só não sou mais aquela que sonha, que imagina, que espera e que cre...
O que eu sou agora, hoje fica a dúvida...

Respostas obtidas

-Por que não podemos flutuar?
R: Porque o nosso corpo humano é muito pesado para tanto.

-Por que uma coisa tão bela quanto o arco-íris
pode ser visto, mas não pode ser tocado?
R: Porque o arco-íris é puro demais para ser tocado.

-Por que escolher aqui ou ali?
R: Porque a condição humana nos obriga a nos movimentar, na velocidade do tempo, com o argumento de que o movimento pode nos levar àlgum progresso.

-Por que as bolhas de sabão não são eternas?
R: As bolhas de sabão não resistem por muito tempo esta atmosfera.

-Por que as flores morrem?
R: Porque elas exercem a função de reproduzir-se. Não apenas enfeitar os jardins, como os sonhadores costumam crer.

-Por que provar o que eu acredito ser ou não real?
R: Para conseguir manter a pureza e a transcendência de nossas crenças.

-Por que conter a lágrima que insiste em cair?
R: Porque o orgulho e a vaidade nos ensinam que o pranto é para os fracos. E ninguém quer ser tido como fraco, tão pouco, tê-lo por perto, visto que os fracos são custosos...

-Por que esconder o riso, desviar o olhar?Por que corar?
R: Por que no mundo real, ninguém consegue suportar a verdade por muito tempo. Usam-se mascaras para não demonstrar e não ver o que existe.

-Por que tanta dificuldade ao expressar o que a gente sente,
pensa, acredita, quer ou a negação de tudo isso?
R: Porque o entendimento entre um ser e outro é muito relativo, somente os semelhantes - ainda que aparentemente sejam dessemelhantes - é capaz de compreender o que um ou outro disse ou quis dizer, mesmo que a frase seja dita em silêncio, apenas com os olhos.

-Por que eu não sinto mais aquelas borboletas multi coloridas?
R: Quanto às borboletas, penso eu que há tempos foram extintas...
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Por que, por que?
Por que o mundo não pode ser
do jeito que a gente imagina?

O mundo não pode ser do jeito que a gente quer, porque cada um quer um querer diferente. Se todos tivessem esse mesmo direito, ainda que por um breve instante não haveria mundo, mas aproximadamente 6 bilhões de universos particulares dentro de um mesmo mundo. Em outras palavras nossa realidade se resumiria em uma dízima infinita, absurda e desnecessária.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Colápso

O líquido da garrafa está expandindo, a garrafa é feita de vidro resistente, mas, este fato não a torna indestrutível, não se sabe até que ponto esta garrafa pode suportar o frio e a pressão.

Minuto a minuto, grão a grão a cair de uma pon
ta a outra, tal qual o tic-tac do relógio em ritmo sincronizado rumo ao caos. Mas tudo passa bem devagar, aguardando a hora em que uma explosão virá à tona em um espetáculo breve e assustador, diante dos olhos cegos de quem está ao lado.
Não há esperança, não há algo que impeça o frenezi da garrafa de vidro. Não há um segundo caminho, quando muito, pode-se atrasar ou amenizar o fenômeno, mas a garrafa vai explodir no congelador.
Paciência, paciência...paciência... A virtude tornou-se vício. O vício tornou-se um hábito aos olhos do outro e um tormento para o ego. Uma garrafa, um certo líquido, um lugar frio e esquecido...um tempo...

"Qual tempo?" Indaga a garrafa a si mesma, no instante que antecede o fim.

domingo, 29 de novembro de 2009

Vontades

Vontade, vontade de tantas coisas; por exemplo, vontade de ter você ao meu lado aqui neste exato instante: é domingo, poderíamos assistir aqueles filmes de comédia comendo um brigadeiro de panela, no sofá da sala, trocando cafunés e carícias...
Ou não, talvez você me chamasse para tomar uma casquinha, ver o pôr-do-sol apesar do tempo nublado, ou tomar banho de chuva de uma hora para outra...vai saber, você é tão imprevisível, é por isso que eu me apaixono a cada instante que o meu olhar se encontra com o seu...
Mas você não sabe disso, aliás você sabe tão pouco ao meu respeito. Não tem importancia, eu também não sei muito mais de você do que aquilo que você sabe ao meu respeito...
Só sei que você existe, em algum lugar a me procurar nos olhos de outros desconhecidos...Sei que você existe, mas não sei como provar. Nem sempre é possível atestar aquilo que só existe através de nossas crenças...
Sobre a ideia de vontade, minha maior vontade agora é só uma: Encontrar você...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pedido ao tempo

Tempo, tempo...Por que corres tão depressa? Eu perco os meus sapatos, perco o rumo, perco as forças ao te acompanhar...
E na tentativa de te entender, eu me perco. Perco as margaridas o horizonte, as estrelas, o verde da grama, o amarelo do deserto...
E quando encontro novas flores, novas cores e amores e penso em tudo tocar, o Tempo me afasta do lugar.

Tempo, tempo...Por que repousas? Eu perco a vontade, o som e as idealidades e, tudo passa bem devagar...
E na tentativa de compreender, eu encontro o meu "eu" perdido. Torno a usar sapatos, a observar as margaridas, desejo o horizonte, me apaixono pelas estrelas, quero tocar o arco-íris.
Mas quando penso em tocar e contemplar cada flor, cada cor, abraçar um novo amor, o tempo acorda e torna a correr...

-Tempo, eu preciso de um tempo só meu! Tempo para parar e respirar, para conduzir minha vida ao meu modo! Tempo, não devore sua prole! Só me dê tempo o bastante para explodir como uma estrela em um momento de grandes alegrias, mas, não demore muito ao me devorar, do contrário não mais conseguirei te acompanhar...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Tolices


Eu que sempre fui tida como louca, estranha e atrapalhada me recuso a aceitar que, uma pessoa é só aquilo que aparenta ou possui. Bonito ou feio, pobre rico; sempre me pergunto: "até a onde isso é relevante? " Sei que o amor por si mesmo não "basta para encher a barriga". Sei que só de amor ninguém sobrevive. Mas sei também que uma vida repleta de luxo e regalias, não é a garantia de uma existência bonita e saudável. Ainda que o dinheiro seja algo muito útil, não atende a todas as necessidades de um Homem. É tolice, eu sei. Acreditar em algo belo, recíproco, gratuito e inexplicável em pleno século XXI, em meio a um mundo completamente desconexo, onde o Homem está a cada dia mais próximo da máquina do que da própria ideia de Homem. Mas eu não mudo, me recuso a mudar minha postura no que diz respeito a essa questão. Me recuso a me "metarmofosear" e ser reduzida a isso. Sei que para muitos isso é loucura, esse inconformismo é uma perca de tempo, que eu sou tola por ser tão romântica e imaginativa... Eu vivo em outro plano e não nego! Pelo menos eu vivo, eu sinto e eu creio em algo abstrato que não está atrelado aos "bens materiais". Conheço mulheres, muitas mais velhas que eu. Elas dizem: " Se não for lindo, tem que ter dinheiro e me dar presentes se quiser uma chance comigo". Sobre tolices posso dizer que para uma pessoa como eu, isso é uma tolice: a tolice das tolices. E quando eu ouço o que elas dizem, por mais feminista que eu seja, é quase impossível não dar razão aos homens que tratam as mulheres como objetos ou animais. O triste é que por mais que eu seja diferente da maior parte, eu enquanto uma jovem irremediavelmente idealista que sou, pago um preço alto: o amor foi reduzido a um mero prazer fútil e vulgar, e tal prazer me leva a entender o por que de não haver mais cinema mudo ou serenatas ao luar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Por que?

Por que não podemos flutuar?
Por que as nuvens não são de algodão bem fofinho?
Por que não podemos alcançar as estrelas do céu?
Por que uma coisa tão bela quanto o arco-íris
pode ser visto, mas não pode ser tocado?
Por que escolher aqui ou ali?
Por que as bolhas de sabão não são eternas?
Por que as flores morrem?
Por que provar o que eu acredito ser ou não real?
Por que conter a lágrima que insiste em cair?
Por que esconder o riso, desviar o olhar?Por que corar?
Por que tanta dificuldade ao expressar o que a gente sente,
pensa, acredita, quer ou a negação de tudo isso?
Por que eu não sinto mais aquelas borboletas multi coloridas?

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Por que, por que?
Por que o mundo não pode ser
do jeito que a gente imagina?

domingo, 15 de novembro de 2009

Falta no mundo


Falta pessoas verdadeiramente sensíveis no mundo. Falta paz, no dia-a-dia de todo mundo. Falta vida neste mundo, faltam sonhos, faltam ideias geniais por serem tão simples. Faltam sentimentos generosos tanto no mundo particular de cada ser, quanto no mundo ao qual TODOS habitam.

Faltam artistas,
estes aliás, o mundo realmente carece. Mas de nada adiantaria tantos artistas, sem espectadores para reconhecer um grande artista em potência. Faltam espectadores e artista: falta entendimento para que ambos se revelem artistas e espectadores o tempo todo. Mas falta tempo, ânimo...sempre falta alguma coisa e, a falta é sempre justificada, mas, nunca suprida.

Nascem homens tod
os os dias, mas, muitos nascem mortos: são crianças que já nascem adultas! Não brincam, faltam-lhes a fantasia. Quando adultas, aprendem a correr para sobreviver, pois "tempo é dinheiro" e, dinheiro garante a sobrevivência. Para não faltar dinheiro, faltam-lhes tempo para criar, sentir, sonhar, isto é, viver.

Falta justiça para os que realmente precisam, a justiça que dispomos no momento, não é para todos os injustiçados,mas para os que podem pagar. Só não falta no mundo, a esperança. Todos crêem em algo (em um progresso, na justiça, em um sentimento, em um Deus, na ciência,nas artes...). E desta crença emerge a esperança que alimenta a vida dos que crêem.

Eu creio na falta, eu espero suprir uma ou mais faltas. Poderia dizer o que me falta,mas faltam-me palavras para expressar e justificar tamanha esperança...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Escuro


Estava escuro, muito escuro...Nunca tive medo do escuro, aliás, o excesso de luz sempre me causou vertigens. Não consigo dormir direito com as luzes acesas, a luz do Sol sempre causou incômodos para os meus olhos.
Mas senti medo, como talvez nunca havia sentido em toda a minha vida. Medo não do escuro, mas, medo do que poderia ocorrer dentro do escuro, do breu. Medo das pessoas que me cercavam, todas as pessoas, não medo de assombrações ou lendas...Medo do ser humano, que, embora não admita, é um animal como qualquer outro animal.
Eu tive medo de mim, medo do meu desespero, do meu descontrole, de uma agressividade que, no claro é quase inexistente. Mas que existe, sim existe. Ainda que eu não goste de assumir meu lado "selvagem". Quem eu estava tentando enganar? Não sou boa, não sou racional, sou instinto.
Mas, o escuro daquela noite me iluminou de um modo que, claridade alguma já o fez. Clareou minha percepção justamente por ter iluminado, não uma realidade externa, mas, por ter iluminado minha realidade interna: Eu vivo em uma selva, sou um animal como todos os homens são.
E, enquanto um animal, somos presas e predadores de uns e de outros. A sociedade forma uma cadeia, onde todos estão à mercê dos mais fortes ou dos mais fracos em nome de uma tal de sobrevivência, um tal de equilíbrio das espécies...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Um devaneio






Eu quero voar,
deixar o vento me levar.
Não dentro de um avião,
mas, enquanto bolha de sabão.

Quero mergulhar,
grandes mundos explorar...
Não em um submarino,
apenas como animal marinho...

Vida e Arte, quero misturar:
eu quero dançar!
Representar em um ato,
uma folha dançando no ar...

Tudo que resta é contemplar
e, dentro do mundo, imaginar...
Eis um milagre que acabei de inventar,
no simples ato de devanear...



sábado, 7 de novembro de 2009

Primavera entre o Cinza

Eu tento, eu juro que tento "racionalizar". Mas é tão difícil, é tão difícil quando a gente passa por cima dos nossos sentimentos, para preservar o coração. É tão difícil ser um corpo que não sente as emoções, ser um corpo que não se sensibiliza com as coisas mais simples e mais belas...
Eu tento ser forte, ser dura, ser uma máquina que pensa, que não sente, que assimila, mas que sozinha não cria.
Eu vejo as folhas que caem das árvores, quando o vento é suave, mas constante, posso enxergar as folhas dançando uma valsa no ar, em contraste com um cenário azul com rosa, lilás e com pinceladas de dourado, talvez ás 5 ou 6 horas de uma tarde de um sábado de primavera. Tudo o que vejo é tão bonito, tão vivo...É como se tudo surgisse diante dos meus olhos como um passe de mágica, tudo se transforma e flutua tão rápido que mal dá para acompanhar. Mas quando eu olho para este mundo, o tempo pára: é como se a Vida quisesse representar algum espetáculo só para mim, como se eu fosse única.
Mas isso não é verdade, ela não seria tão má ao ponto, de mostrar tantos espetáculos gratuitos só para uma pessoa. Com certeza a vida é ao seu modo generosa: ela mostra, ainda que em silêncio, um mundo em constante transformação para todos. E me pergunto: por que todos não observam a vida? Por que são tão mecânicos?
A vida é maravilhosa, é um presente. O que me mata diariamente é a sociedade que insiste em me puxar para baixo, no instante em que eu começo a me misturar com a própria ideia de vida.

Observação

"As urtigas são belas, muito belas. Isso, no entanto, não as impedem de ser igualmente perigosas para aqueles, cujo a pele, é tão sensível quanto papel de seda."

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Saudades


"Saudade", palavra tão singela e tão rica em significados...Mais que mera palavra, a Saudade é sentimento. As vezes chego a pensar, na sorte que eu tenho em ser uma brasileira, pois a saudade é por todos sentida, mas, por poucos explicada. No inglês mesmo, não existe a "Saudade", existe uma palavra chamada "miss" ou "missing", isto é, a saudade é reduzida à mera "falta". Não que a saudade não gere a falta, mas gera algo mais, gera um sentimento daquilo que já tivemos, mas que não temos, ou daquilo que nunca temos, mas que sabemos que podemos ter. A saudade do desconhecido, ou do conhecido.
Eu sou um ser humano que sente muita saudade. As vezes penso que meu peito vai explodir: em casa, na rua, de dia ou de noite. Saudade do que eu já tive, mas que não tenho mais, porque o tempo passou ou a vida levou: saudade dos tempos de criança, das brincadeiras, das fantasias, das traquinagens...Saudade dos que partiram, que foram embora pra bem longe ou dos que ainda moram perto, mas, que já não são mais os mesmos...Saudade dos meus romances imaginários ou reais. Saudade dos meus sonhos, das minhas esperanças, dos meus grandes ideais...Saudade das mágicas do meu pai, das brincadeiras e carícias da minha mãe, da ingenuidade do meu irmão...Saudade quando eu me lembro do que eu era ou daquilo que eu posso ser, mas que por algum motivo, não sou...
Saudade é um sentimento bom: nos ensina a dar valor aos instantes com aqueles que vemos diariamente e não aproveitamos, nos ensina que a vida passa muito rápido por causa do tempo, eu acho. A saudade é boa, pois inspira a fazer algo, ou a reconhecer algo: creio que a saudade nos ensina a crescer e criar. Mas a saudade é muita, a saudade é grande...

domingo, 1 de novembro de 2009

Culpado


Sempre quis saber o por quê das coisas, na medida do possível, meus pais respondiam. Com a minha mãe eu obtinha maiores êxitos, com poucas palavras simples, ela respondeu de modo inteligente e eficaz muitas duvidas que assolavam uma garotinha imaginativa. Meu pai, ele tentava, mas sempre complicava: era um pouco prolixo e gostava de usar palavras difíceis, era muito formal quanto suas explicações. Certa vez eu disse ao meu pai que eu não estava bem certa se a Terra girava mesmo em torno do Sol, não fazia sentido aquilo que minha professora me disse, ela dizia uma coisa e, eu via outra. Eu deveria ter uns 8 anos, meu pai me deu uma aula de física. Bem, mas ele foi um bom pai: me ensinou muito sobre as leis da vida, a importância de estudar, de pensar de acordo com a própria consciência sem deixar de levar as opiniões alheias em consideração, me ensinou a ser Humana e Humanista.

Meus pais sempre me disseram que existem muitas pessoas no mundo, mais novas ou mais velhas do que eu, que passam fome, que estão abandonados no mundo, mendigos, pessoas que morrem diariamente e injustamente. Bem, não deu outra, virei humanista - ainda que não soubesse muito bem o que iria me aguardar. Queria saber quem era o responsável pela fome, miséria, a injustiça. Deus foi o primeiro suspeito da lista, teve o capital, os fanáticos religiosos, os demagogos da política...Enquanto isso mais crianças morriam de fome, mais mortes gratuitas, mais desigualdade, devastação: vidas em perigo, eu sabia disso. Mas não sabia quem era o genocida. Se pelo menos eu soubesse quem era o culpado, já seria alguma coisa...

Até que finalmente descobri a real identidade do Culpado, do genocida, do monstro que mata as criancinhas e comete injustiças. Esse monstro não é Deus, não é o Capital, não é a Constituição. A própria Humanidade é Culpada por sua extinção. Deus é interpretado de acordo com a vontade dos que crêem, as leis são elaboradas por um governo eleito por um povo. O dinheiro é papel, o papel em si não tem valor, o valor do dinheiro depende daquilo que atribuímos  a ele. Mas para muitos, alguns pedaços de papel  obtidos de forma questionável vale mais do que vidas. E por falar em vidas, as guerras são contra a ideia de vida: mas o povo faz a guerra, pois acreditam em uma "Causa Universal": Deus, Liberdade, Igualdade, Verdade, Justiça. O que eles não sabem é que a "Causa Universal" não passa de mais uma "Causa Individual" que entra em conflito com outras "Causas Individuais", tornando-se em um ciclo vicioso e desumano.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pratos que voam


De um modo geral, sou tranquila, pacífica e, na medida do possível, sou meiga, responsável, até carinhosa: eu me controlo, porque eu procuro respeitar o outro. Sim, eu me importo com as pessoas: tanto meus amigos, minha família e até os desconhecidos. Sempre usando do diálogo, das palavras mais gentis, de gestos nobres e delicados...

Mas tem horas que cansa. Essa situação cansa. Manter o equilíbrio cansa. Ser paciente e gentil o tempo todo, cansa. Ouvir e não ser ouvida também cansa. Pensar em tudo o que queremos fazer, de modo a não incomodar os outros, privando-se do direito de se realizar por alguns minutos, bem isso cansa mais ainda. E a canseira aumenta mais ainda, quando a gente realmente se esforça em ser gentil e equilibrado o tempo todo e, não há recíproca.

De tanto manter um equilíbrio absolutamente desnecessário, eu tive um desequilíbrio: Gritei, berrei, xinguei, arremessei pratos contra a parede... Sim, eu assombrei aqueles que ali estavam presentes, uma vez que tal comportamento vindo de mim, não é normal. Mas pelo menos, eu consegui encontrar um novo equilíbrio dentro do meu desequilíbrio...Pelo menos fui respeitada, uma vez que loucos não se contrariam.

Quanto aos pratos e copos, foram mais eficazes que qualquer palavra. Os pratos que voaram de minhas mãos rumo à parede, proporcionaram uma sensação efêmera, mas, muito mais prazerosa do que mil orgasmos...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Um pensamento sobre o Homem e o Divino


O Homem se aproxima do Divino, na medida em que ele mesmo, enquanto um Ser imperfeito, torna-se capaz de criar e recriar a si mesmo, por centenas de vezes, ao longo de uma efêmera existência. Utilizando-se apenas de breves instantes de sabedoria decorrentes de seus atos, enquanto um Homem tão ignorante. Surge então, um fenômeno a partir de extremos opostos: o Equilíbrio.

sábado, 17 de outubro de 2009

Maquiagem


Deleniador, rímel, sombra, batom e pó compacto nunca me foram tão úteis quanto nos últimos tempos. Já não me maqueio para ficar bonita e atraente, como costumava fazer outrora, quando os hormônios da adolescência corriam por minhas veias. Trata-se de um outro gênero de vaidade: antes eu queria chamar a atenção dos garotos, hoje é para não perder minha altivez.

Me maqueio diariamente, para que os outros não vejam aquilo que, eu mesma vejo diariamente frente ao espelho: olheiras, opacidade nos olhos, rugas de preocupação - sinais clássicos de noites não dormidas, ocasionadas por diversas situações, estas que juntas formam teias, como teias de aranha.

Pode parecer futilidade da minha parte, todavia, quantas pessoas não fazem o mesmo? De um modo diferente, o inverso: maqueiam-se de coitados e sofredores, quando na verdade, são tiranos e cruéis, que não respeitam nossos sentimentos, que mentem com suas feições de sofredores. Não gosto de ser vista como coitada, prefiro despertar a antipatia alheia que o sentimento medíocre de piedade. Não gosto de usar a máscara de coitada!

Inevitavelmente, se alguém me vesse tal qual eu acordo, me olhariam com pena e, um sentimento de benivolência surgiria. Digo isto, porque se eu mesma encontrasse alguém com tais características, eu sentiria pena e depois um pouco de raiva. Pena, pois isso sempre ocorre de primeira, é algo que eu não consigo controlar. Raiva, pois, iria me lembrar que as pessoas mentem e, que o meu "descontrole emocional" não é justificável.

Já não se usam máscaras nem perucas com antigamente, mas existe a maquiagem: que disfarça toda e qualquer impressão. Eu assim como o mundo, uso para esconder quem eu sou ou o que eu sinto. Mas, diferentemente de quase todo mundo, sou um pouco menos hipócrita.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Fogo


A minha generosidade e respeito para com o outro, implica diretamente em um egoísmo e desrespeito para comigo mesma. Assim sendo, se a paz para ser estabelecida depende necessariamente da guerra, então, eis o meu último ato de generosidade para com o outro: "Que venha a guerra! Tragam-me o fogo!"

Quando falo de paz, de respeito, paciência, amor...Ouço que eu tenho aptidão para ser alguma representante de alguma instituição que visa a paz. É engraçado, como as pessoas banalizam justamente as coisas mais importantes dentro de uma sociedade. São tantas contradições, que por vezes, me vem uma dúvida, referente à qual conduta eu deveria ou não tomar: Rir para não chorar ou chorar de tanto rir?

Hoje, no entanto, eu reafirmo: Se a guerra se faz mesmo tão necessária, para que a paz - ainda que a minha paz - seja estabelecida, então eu mesma quero atear fogo e, com isso dar início a guerra. Se possível, eu mesma quero ser o próprio fogo: quero criar devastações sem medir as consequências, quero me alastrar no horizonte, me expandir para todas as direções, ainda que por pouco tempo...
Mas ao contrário de Nero, não viso descrever uma tragédia. viso apenas que, a minha paz e tranquilidade sejam estabelecidas. Então, que venha a guerra!

domingo, 11 de outubro de 2009

sonhos que eu posso ter


"Existem duas vidas: a que gostaríamos de viver e aquela que se vive." Cito Fernando Pessoa, pois nos últimos tempos é assim que eu tenho pensado na vida.
Não entrarei em muitos detalhes, pois isto seria perca de tempo, desperdício de palavras, fragmentos de uma existência sendo gasta em coisas que, no final, me lavarão ao nada. No entanto, não me interpretem como uma típica pessimista, ou desesperançosa. Aliás, pelo contrário, pouco é o que possuo, muito pouco é o que eu posso fazer por mim mesma e, pelo mundo - este tão distante de ser o que eu gostaria, mas é o mundo ao qual eu pertenço.

Idealizo minha casa dos sonhos: ela é cor-de-rosa e tem um jardim repleto de margaridas. Idealizo o meu jipe amarelo: quero conhecer a Amazônia dentro dele ouvindo musicas ao por-do-sol. Ah, tem o gato dos meus sonhos: ele é laranja e atenderia por Manuel. Tem quem prefira apartamentos, eu prefiro casas e casas pequenas. Tem quem ache loucura eu querer tanto um jipe amarelo, ao invés de uma moto. Tem aqueles que preferem cães á gatos, mas eu gosto de gatos: eles são mais expressivos, sinceros e consolam seus donos melancólicos com o silêncio. Já tive cão e gata: prefiro gatos!

São três coisas que eu nunca tive, que eu não tenho, mas que eu posso ter algum dia. Em suma, hoje eu sonho com coisas possiveis, que me possibilitem concretizá-las algum dia.
Me preoculpo muito com os outros. Isto gera um grande problema: ao me preoculpar com o mundo que eu não posso salvar, eu esqueço de mim. Perco o foco, eu me perco...Infelizmente, tive que me perder infinitas vezes para entender que, se eu me perco o mundo não vai me salvar, nem ao menos vai se dar ao trabalho de me procurar. Quando muito, talvez uma ou duas, ou até um pouco mais de pessoas vão tentar me procurar e me salvar, mas não o mundo. Isto é triste, mas não deixa de ser uma verdade: uma verdade dura, pode-se dizer...Mas uma verdade que não se pode negar.

Mas nem por isso estou desesperançosa. Não posso Salvar o mundo, é verdade. Mas posso, na medida do possivel, salvar uma ou duas pessoas, talvez um pouco mais, sem me perder: apenas procurar. São esforços úteis e que valem a pena. São sonhos possíveis, sonhos que eu ainda não concretizei, mas que eu posso concretizar...

sábado, 3 de outubro de 2009

Beleza


Hoje decidi falar de coisas belas, o que eu considero como o "Supra sumo" de Beleza.


Tem coisas na vida que a gente só entende seu significado, importância e real Beleza em sua ausência:a Paz, por exemplo. Só conseguimos dar importância e significado quando vivenciamos a guerra: seja com o mundo, seja com nossas ideias, nossas vontades - nem sempre atendidas por questões de justiça, ou privação. Somente na guerra é que conseguimos visualizar a importância da Paz.
Penso que a falta é um tipo de conhecimento, ainda que não seja o único meio.

Mas tem outras coisas que fogem dessa regra: Não é em ausência que reconhecemos a importância e Beleza, mas ao contrário, é na presença, no cuidado, na atenção, no zelo de todos os dias. A Amizade, por exemplo. Amizade, esta mesmo que vem de uma matriz cujo a palavra é: αγάπη (ágape) ,amor,love,amore,amour,Amor...


É a partir da ausência seguida de angústia, que buscamos a lembrança, a ideia...Surge então, sob a forma de uma explosão, em meio a tanta confusão de ideias, a palavra: "ειρήνη (Eirené), Peace,Pace,Paix,Frieden, Vrede Paz... Não importa em que país, em qual idioma, em qual cultura, em qual circunstância: É na guerra que enxergamos a Paz. Não importa em qual país, em qual cultura, em qual circunstância... Só há Amizade se houver Amor Para que haja Amor, é preciso cultivar e renovar a ideia diariamente.

Tudo isso, pelo menos para mim, representa o "Supra sumo" da Beleza. Pelo menos, hoje, agora, neste instante...Amanhã, eu não sei, mas espero que pelo menos esta certeza não seja corrompida pelo tempo, pela mudança ou descrença...


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Simplicidade

Palavras são muito úteis, serenatas são bonitas e interessantes, mas tais manifestações de afeto nem sempre são notadas com a devida profundidade, por aqueles mesmos que a executam... Anéis e jóias são presentes muito bonitos e caros, mas podem ser roubados justamente pelo alto-custo. Pedir a mão de uma donzela aos seus pais para cortejá-la, demonstra respeito e consideração da parte do cavalheiro, mas além de ser um exagero, não é garantia de Amor Eterno. Quanto a receber belas rosas vermelhas de uma floricultura, é no minímo fantástico e lindo da parte do cavalheiro apaixonado.

No entanto, eu enquanto uma pessoa que, gosta
de coisas simples, belas e igualmente fantásticas, trocaria uma caminhão de rosas vermelhas por uma única margarida roubada. Por uma razão bastante simples: uma margarida roubada é a certeza de que ela veio das mãos do amante para a sua amada.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Aos meus amigos queridos, obrigada!


Bem, este desenho ao lado um amigo fez para mim em um dia em que eu estava muito triste...Sim, eu sei que não dá para visualizar direito, culpa do scaner, não do meu amigo...
Por falar em amigos... Obrigada meus amores: Galera da facul, meu professor maluquinho que me deu uma força incrível (ainda que ele não tenha consciência do tamanho da ajuda que ele me proporciona em suas aulas, até no dia da prova!), obrigada aos meus amiguinhos que moram longe, e que apesar de eu nunca ter dado lhes um abraço bem apertado, sempre tivemos grandes conversas: Diego(de Curitiba) e Daniel (Honduras). Tem também os que moram pertinho de mim: O Rafinha ( o autor do desenho ao lado), o Fê ( que foi a única pessoa a me tirar da cama em um dia tão lindo, mas que eu não queria e nem conseguia sair da cama, por tamanha melancolia), Tem a Nani que eu mora bem perto, mas é difícil encontrá-la: ela é uma grande amiga apesar de termos mais dissemelhança do que semelhança!
Tem a galera dos tempos do rastreamento, muita gente mesmo...não dá para citar todos os nomes, por uma razão de Diké (justiça): por ser tantas pessoas especiais, eu corro o risco de esquecer de citar uma ou outra, e isso implicaria em uma grande injustiça! Aprendi muito com todos eles, com suas palavras, suas estranhezas...
Tem também os loucos, que visitam o meu blog e gostam dos meus textos, e que eu nunca pude conhecer pessoalmente, embora eu de certo modo os conheço através das palavras tristes ou felizes: Isto inclui uma tal de Roseli, que se expressa de um modo simplesmente apaixonante e, entende o que eu escrevo!

"Enfim, eu amo muito cada um de vocês: Não sei se mereço tantas graças, tantos amigos maravilhosos que, me ensinam viver, que não só me cativaram, mas que cuidam de mim com tanto esmero, de diferentes formas. Obrigada mesmo!"

domingo, 27 de setembro de 2009

Sobre Nietzsche


A esperança de Nietzsche era tão singela quanto devastadora: tudo que Nietzsche queria era poder ser compreendido, ainda que em um futuro por demasia distante, por uma pessoas qualquer... Penso que, quando não se é comprrendido, inevitavelmente a solidão torna-se a grande companheira do Ser. A partir desta relação tão distinta e singular surge um sentimento tão vivo e presente quanto um filho: a Angústia. A loucura é inevitável, posto que todos os seres de todos os tempos, de todas as espécies visam o mesmo: querem ser compreendidos e querem o amor. A partir desta relação de compreenção e amor recíprocos, surge a idéia de UNO. Ideia tão miraculosa e fascinante pois possibilita fazer de dois ou um milhão tornar-se em uma coisa só! Nietzsche não teve isto em vida: seu pessimismo, sua loucura são justificáveis, pelo menos por aqueles que entendem o quão dolororo é a sensação de não ser compreendido, de viver só, de ter a angustia como consolo...

Esperança


A tristeza invadiu o meu corpo e contaminou minha alma a tal ponto que, não possuo forças para chorar. Não falta vontade, motivos e oportunidades muito menos. o que falta é a força: meu corpo já não suporta, ainda que a tal da tristeza esteja presente dentro de mim, em silêncio.
Mas tenho esperança apesar do meu pesar: esperança da dor passar, se amores e sonhos passam como os instantes, por que a tristeza não haveria de passar algum dia?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Amor, você existe?

É loucura, eu sei! Não pense você que eu não reconheça minha insensatez: mas se eu fosse diferente do que sou, eu não seria tão completamente, absurdamente, freneticamente, assumidamente apaixonada por você!

Não sei se você existe, talvez sim, no plano das ideias inatas, ou perdido em algum lugar a me procurar... Eu te procuro dentro dos olhos de cada pessoas que surge aos meus olhos, com uma esperança absurda e as vezes desesperançosa... Você existe? Queria tanto saber se você existe, se você está a me procurar dentro dos olhos de outros, como eu faço. Queria saber se você sente o que eu sinto, se você quer o que eu quero, se você me ama como eu te amo... Sim, eu sei... é absurdo amar aquilo que não se tem, nem se conhece! Absurdo sentir falta de algo que nunca se teve: mas este absurdo, esta ideia tão subjetiva pode ser possível! E pode ser explicada, se você quiser eu poderia tentar explicar como... Mas como eu disse, nem sei ao certo se você existe!

sábado, 19 de setembro de 2009

Quem me entende?

São adultos: Homens e mulheres grandes que pensam grande... E por pensar tão grande não sei se minha pequenez por eles pode ser compreendida. Algo que me gera uma duvida! Adultos são grandes, são sábios: pensam grande, fazem coisas grandes...Eu não! Não sou grande, mas também não sou pequena: os pequenos são mais minimalistas do que eu. Adultos são sérios, não brincam: Embora corram, como gostam de correr! Correm para conquistar algo grande, esquecem das coisas pequenas...São engraçados e tolos: correm, querem aparecer, ser e fazer coisas grandes. São tolos por agir como crianças e dizer que são adultos: são mentirosos!

As crianças são crianças: sabem e são e agem como o que são. Elas brincam e correm, mas são conscientes, ainda que medrosas por coisas tão pequenas no mundo dos adultos. Crianças não são mentirosas, são lúcidas! Adultos brincam de polícia e ladrão, soldado de chumbo, pega-pega, esconde-esconde, mas falam que não: Eles estão atrasados, correm para pegar algo grande! Eles mentem, eles brincam ainda que usem roupas estranhas e digam palavras difíceis. Nunca vi no mundo dos adultos algo realmente grande: só papéis! Mas pra que papéis se eles não desenham, nem fazem aviãozinhos? Crianças desenham, recortam e colam, fazem aviãozinho e mostram para todo mundo: são sinceras e amigas!

O senso crítico se um adulto não vale aqui! Adultos mentem, são insanos, não entendem... Pra me entender tem que imaginar e saber que está imaginando, sem esconder o que imagina: só as crianças ou os loucos como eu que podem entender o que eu escrevo, os adultos não!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Cara de um, focinho do outro




Meu irmão e eu crescemos ouvindo: "Samantha é a cara do Edinho e Caio é Patrícia por inteiro". Não que eu considerasse isso ruím, ao contrário: Meu pai é bonitão, logo se eu sou tão parecida com ele, então eu também sou Bonitona! Quanto ao meu irmão, bem eu não sei o que ele pensa, mas o fato é que ele herdou tudo o que há de belo em minha mãe: olhos expressivos, a boca pequena e bem desenhada, a pele alva em contraste com as bochechas levemente rosadas, sobrancelhas, até os cabelos! Tão lindo é o meu irmão, que eu ouso chamá-lo de Adonis.


O tempo passava, o mesmo discurso e as mesmas palavras...Entediava-me, não pelo discurso em si, mas pela mesmice e falta de criatividade: Oras, eu tenho espelho em casa sempre soube enxergar as semelhanças e as dissemelhanças entre meu irmão, meus pais e eu!


Certa vez, em uma discussão exaustiva e desnecessária com meu pai, ele voltou-se a mim e disse: "Caramba! Com tantas qualidades de sua mãe, você tinha que herdar logo os defeitos?" O engraçado que tempos depois ocorreu algo semelhante entre o meu irmão e minha mãe: "Arre! Você tem a mesma arrogância do seu pai: até no modo de olhar quando está contrariado, o jeito de coçar o nariz..." Meus pais já haviam se divorciado e o Caio já havia se mudado para a casa do meu pai.


Meu pai casou-se novamente, teve outra filha: Linda, parece um anjo, tão inteligente e articulada, sabe se impor ainda que nem tenha tamanho para tanto! No entanto, a criança mal veio ao mundo e constantemente é comparada com meu pai: "Nossa, se a Samantha tem os traços do Edinho, a Débora é o próprio, na versão feminina!" Realmente, a semelhança é incrível, nem o Caio é tão parecido com minha mãe quanto meu pai e Débora! Hoje em dia ocorre o contrário: "Caio tem os traços de Patrícia, mas tem mais características de Edinho. Samantha apesar de possuir tantos traços de Edinho, tem muito mais de Patrícia." É engraçado e curioso, sempre ouvíamos o contrário. Quando tais fatos mudaram? É possível uma verdade mudar tanto assim? Afinal, quem herdou o quê de quem?


Então, inevitavelmente me recordo de minha avó materna - já falecida - suas caretas de tristeza, fúria, ironia, tédio... Lembro-me de sua personalidade forte, sua jovialidade, sua beleza distinta... Minha mãe herdou os traços do meu avô - também falecido - , não era muito parecida com a minha avó fisicamente. No entanto, volta e meia, surpreendo-me ao ver minha mãe com meu batom vermelho, coisa rara de se acontecer (minha avó gostava dos mesmos tons de batons que eu uso, apesar de usar pouca maquiagem nos olhos). Surpreendo-me ao ver o modo como minha mãe penteia seus cabelos castanhos frente ao espelho, ou quando ela faz alguma careta de deboche, de tédio, de fúria, de tristeza, de ironia: Vejo a minha avó estampada na face de minha mãe. A semelhança é incrível: O tempo passa Patrícia que era Sidney, torna-se Maria da Graça. E a danada não envelhece!

domingo, 13 de setembro de 2009

Meu pior psadelo me persegue


Sou romântica, sou sensível... Mas confesso que torno-me em uma criatura amarga quando penso naquilo que vejo por meio de sinais na Humanidade. A Era Apocalíptica ao qual vivenciamos rumo ao caos, à mercê de uma Quimera invisível que silenciosamente nos mata, usando-se de uma espécie de: envenenamento psicológico da massa, ou seja: O monstro da alienação. Não se sabe ao certo se a Quimera sempre existiu ou se foi criada por uma espécie de Frankstein, ou se é fruto da ansiedade cega de Fausto. O fato é que eu vejo a tragédia em um futuro proximo: por mais que eu recorra às minhas ilusões, aos meus calmantes: este fato me persegue através de inúmeros pesadelos. Mas ainda tenho uma esperança, meio desesperançosa: acredito em Belerofontes, mesmo sabendo que estes bravos Heróis Épicos estão fadados à morte, visto que esta Era Apocalíptica muito nos remete à Idade Média. Enquanto à mim, bem o que dizer ou fazer? Sou como Cassandra: ninguém crê no que eu digo...

O "Nun" (Instante)


Hoje eu me olhei no espelho ao acordar de um sono tão profundo e tão perfeito que pensei ser a minha realidade. Hoje eu flutuei, como se eu fosse uma Fada, uma bailarina ,ou alguém dentro de uma bolha de sabão: Foi um instante, tão breve mas ao mesmo tempo tão profundo e singelo que ultrapassou todas as barreiras impostas pelo Tirano Tempo... Não pensei, só senti: eu percebi, observei, eu vivi... Só agora eu entendo a Ideia do "Uno", do "Instante" que o meu professor tanto faz questão de enfatizar em suas aulas: Senti-me como um Grego por uma noite, por um instante...

sábado, 12 de setembro de 2009

EU AMO


EU AMO!
E por tanto amar torno-me frágil, tão frágil quanto asas de borboleta...

EU AMO!
Não sei quantos. Amo tanto que já perdi as contas, perdi o limite...
(nunca fui boa com números)

EU AMO!
Amo a natureza: amo o azul do céu, a chuva gelada, amo pessoas, amo meus amores, amo meus amados, amo meus amantes, amo, amo e amo...

EU AMO!
Amo a música, amo as artes, as palavras, a História, o conhecimento...

EU AMO!
Amo a capacidade como as pessoas podem expressar um turbilhão de sentimentos através do olhar. Amo a capacidade que muitos tem de se adaptar...

EU AMO!
E de tanto amar eu me perco, eu me encontro, eu me afundo eu flutuo, eu me jogo, eu me prendo, eu vivo eu morro, eu adoeço, eu me curo...
EU AMO...
Não sei por que. Eu amo aquilo que eu tenho, aquilo que eu ainda não tenho, aquilo que eu penso, aquilo que eu sinto, aquilo que eu vejo...

EU AMO...
Só amo... Não sei se sou tão frágil quanto uma borboleta, ou se minha aparente fraqueza, torna-se minha fortaleza.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Minhas Ilusões conscientes

Outro dia, por volta das 6:40 da tarde quase perdi um dos meus sapatos, saindo do metrô. É engraçado, pois justamente naquele dia eu estava com muita pressa. Quando me dei conta da situação engraçada, pensei:"mas e se eu tivesse perdido o meu sapatinho n° 35, de couro barato, algum Príncipe Encantado iria me procurar até o fim do mundo? Quantos Príncipes existem perdidos pelo mundo á espera de um sapatinho?"


Então eu me lembrei que embora a vida seja ao seu modo bela e generosa, eu não sou a Cinderela, não existem fadas, Príncipes, elefantinhos cor-de-rosa... Quando muito existe uma realidade, onde quase todos estão dormindo e uma garota com fantasias de criança que, na medida do possível procura sobreviver dentro de uma realidade cinza, ultilizando-se da imaginação...

Imaginação

Nos últimos tempos a imaginação vem sendo uma grande aliada: Seja para compreender teorias complexas de algumas pessoas que não mais habitam este plano - que hoje em dia seriam tidos como loucos ou desocupados pela maior parte das pessoas - ou até mesmo para conseguir sobreviver em meio a esta dura realidade ao qual estou presa. Realidade esta que me oprime à medida que eu tenho de disfarçar o que sinto e sou para sobreviver.
Então eu uso a imaginação e, silenciosamente, começo a enxergar o mundo sob uma perspectiva singular e engraçada. Quando estou a caminho da facul, por exemplo, pego trens e metrôs sempre lotados de gente: são tantas pessoas andando, empurando, se expremendo, com a expressão carrancuda, com cara de nada, com ar de sofrimento. Penso estar em um formigueiro imenso e apertado e, inevitávelmente me pergunto: " O que eu sou afinal?"

Fico com medo das pessoas: parecem zumbis, robôs ou objetos de cera que se locomevem que não expressam vida. Por vezes imagino qual seria a reação dessas pessoas se os meus elefantinhos cor-de-rosa saissem dos meus sonhos e invadissem as ruas de São Paulo, ou se um exécito de borboletas multi-coloridas cubrissem o céu acinzentado, ou ainda se os relógios derretido pintados por Salvador Dalí ganhassem vida fora da tela...
Será que somente assim as pessoas iriam acordar uma-a-uma de seus comas induzidos?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Coisas sem por quê


Quando me pergunta: "Por que Filosofia?", eu respondo com outra pergunta em tom irônico ou romântico dependendo do dia: "Por que não Filosofia?". A verdade é que eu não sei até que ponto minha relação com a inalcansável "Sophía" é boa ou ruim. Mas eu gosto dela tanto que eu não consigo me ver um segundo sem deixar de contemplá-la, ainda que à distância. Por que que alguns não entendem, que não basta pensar filosofia e sim, sentir?



Quando um amigo me pergunta: "Você me ama?", oras eu respondo: "Sim, eu amo." Por uma razão simples, se eu não amasse meus amigos, evidentemente que eles não seriam os meus amigos, no máximo pessoas qualquer. Simples, não? Mas já foi me perguntado: "Por que você me ama?", pergunta tola e difícil de responder, mas respondi com outra pergunta: "Oras, e precisa ter razão para se amar algo ou alguém?" Não sei, eu quando eu amo eu amo, sei que amo, sinto que amo, mas não sei por que. Será que a causa realmente importa?


Quando alguém me pergunta: "Por que o choro?", eu não repondo com palavras, repondo com os olhos inchados e as vezes frustrados: "Eu senti, eu percebi. E você não?". Poucos, muito poucos foram sensíveis o bastante para interpretar minha sentimentalidade expressa através de lágrimas de alegria ou profunda tristeza. Por mais que eu explique o pranto para os que não entenderam, seria inútil, uma vez que quem sentiu e viveu aquele instante fui eu. Então por que explicar?



Por fim, quando me perguntam: " O que inspira você a escrever?", bem é difícil de responder, justamente por ser extremamente simples: " A vontade de Sophía, o amor, a saudade, a dor, a beleza, instantes e principalmente a Philia (amizade)". Por mais que eu explique e muitos ainda não entendam, procuro ser simples nas respostas. Por isso que em seguida me perguntam: "Por que você escreve o que você escreve?", eu respondo: "Eu escrevo o que eu aprendo, descrevo o que vivo."

Desculpe Meu Amor

90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...