Bebo de sua fonte, doces palavras, aveludada voz que aquece o peito, que mata minha sede de ilusões, ao mesmo tempo que mascara a verdade. Eu bebo, chego a me embriagar neste nectar persuasivo, por esta voz, som evocado por uma flauta. Flutuo, como flutuo... Eis um absurdo bestial, a concepção de um mortal flutuar. Mas flutuo, não sei como mas este milagre ocorre mas na fuga de mim mesmo, na fuga da verdade que me marca e fere: eu me permito me enganar, me levar por esta incerteza. E nesse misto de loucura e embriaguez sou guiada pelo vento, convencido de que não existe tempo. E eu vou, não sei a onde, sei que vou...eu vôo, conduzido pela noite: do Nada á mais temível das emboscadas!
Vaga-lumes são inspirações noturnas que brilham em meu quarto. Múltiplas e frenéticas colidem entre si; e como estrelas que se unem em constelações, nasce o verso, a prosa sem nexo, a doxa, a palavra sufocada.
domingo, 25 de agosto de 2013
Sedução
Esperas e entregas
Te velo, te espero.
Á ti me entrego,
e a ti, eu me revelo:
Eis o que confesso,
Quero e lhe peço:
Meu Senhor,
Meu Amor.
Á ti faço lhe humilde apelo:
Não me punas
com teu desprezo.
Agonizante és a ausência tua.
Delirante tanta espera!
Um horror despertar e
com a falta que me faz o Amor que tanto que tarda a chegar.
Amor, Amor meu
És tu meu único apego.
A quem me dou de alma
e coração.
Razão a qual me entrego
de grata Servidão.
Aquele a quem eu entrego
minhas ações,
O VERBO.
E nem lhe nego
Orações ou versos.
sábado, 24 de agosto de 2013
É vida ou morte!
As pessoas costumam me ver como uma pessoa inteligente, criativa, justa, imparcial, "ética", receptiva. Será que sou?
As expectativas que muitos criam sobre mim muitas vezes me pesam uma tonelada. Me sinto no dever de atender as expectativas alheias. Isto me torna mais sensível ás certas críticas, ao passo que desperta um senso auto-crítico muito sufocante em mim mesma. Cometer uma falha que comprometa a fé de um Ser Humano, ao meu ver, é uma violência e abuso sem tamanho. Desta forma, é comum entrar em crise, querer me isolar para pensar e, inevitavelmente, levar o dobro do tempo que outras pessoas levariam para concluir ou decidir algo.
E esta demora me mata. Mas o que eu posso fazer? A tentação da rebeldia me excita. Contudo, procura a virtude do que é justo e prioritário. Desta forma, eu muitas vezes me igualo á Constituição Brasileira: em teoria, tudo é perfeito e compreensível, mas o mecanismo burocrático de sua prática é lento, duvidoso e ineficiente.
Não sei exatamente o que tanto algumas pessoas vêem em mim. Na verdade, eu me sinto meio Orfeu: consigo entender e até ajudar os outros em seus problemas, mas os meus mesmos, estes eu deixo para depois, me isolo, me saboto e me mato.
Mas, isso precisa mudar. Precisa pois do contrário, eu de fato irei morrer de uma morte violenta: minha existência será um fardo tão insuportável que irei delirar ao ponto de causar minha morte.
E se me permitem uma observação: esta vida já me foi tão ingrata e desgostosa, tão poucos foram os momentos de paz que eu me recuso uma morte violenta ou frustrada. Alguma coisa em minha existência tem que valer para mim e, não pode ser apenas a felicidade e companhia do outro ( não me basta!) Se for para viver ou morrer quero que seja de forma leve e adocicada, por favor!
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Perdas
Dispersa...minha alma está dispersa.
Com pressa...o meu peito palpita tão depressa.
Vagueio por aí, deixei algumas coisas aqui e ali. Deixei algo de mim lá atrás...Não faz muito tempo, sei que não faz. Mas o tempo me fez esquecer do que sou capaz!
Tão triste, tão triste que já não posso falar. Tão triste, tão triste pela pessoa que acabei de lembrar. É triste, mas tive de enterrar.
Enterrar um passado. Sofrer calado. Deixar de lado, fazendo de conta que nada passou de um sonho mal interpretado.
Vagueio por aí, procuro o que a pouco deixei logo ali. Eu a perdi, eu me esqueci...bebi, desci, adormeci, deixei-me levar, deixei a na cair...
O que "fala"
Não vou falar de "Saudade", pois a saudade é tanta que não cabe em palavras.
Não vou falar de "Esperança", porque ela é confusa: ao mesmo tempo que preenche a falta, esvazia a razão.
Não vou falar de "Amor ", pois não sinto falta, nem o tenho em excesso.
Não vou falar de "Razão", pois minha mente mente a cada percepção apreendida.
Se eu falar de "Fé", terei de falar com cautela. E se estou tão confusa á cerca do meu juízo, o melhor que pode-se esperar de "Quem tem Juízo " é o Silêncio.
Vou falar do que me parece simples dizer, daquilo cujas as palavras por si mesmas já bastam: é o Vazio, é o Escuro, é o Silêncio que se cala no Barulho.
Eis TUDO!
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Quanto mede? Quanto vale? Quanto pesa?
Como medir, estipular um valor ou escala daquilo que é invisível, intangível, quiçá indizível? Tu queres palavras? Belas e complexas palavras repetidas em uma frequência lógica, seriam estes adjetivos, substantivos com prefixos, sufixos, adjuntos contidos em discurso plausíveis o que bastaria a ti, como a justa medida do que sinto por ti a cada instante? O Amor se explica por palavras, existe por meio de palavras simples ou complexas? Preferes tu a simplicidade fria da verborragia científica ou a complexidade de uma prosa poética? Como posso medir o meu Amor, um amor que não vejo, que não bebo, que não toco ( embora seja tocada por dentro e não veja)?
Queres um valor como referência? O preço do metal mais nobre? O preço da pérola negra que é rara dado ao tempo que uma ostra leva para produzir tamanha beleza antes de ser capturada pela ganância humana? O valor do vinho mais caro, produzido em um único tempo, por uma determinada espécie de uva encontrada em um único lugar no mundo em uma época específica do ano? Ou preferes tu que eu atribua o Amor que sinto por ti à mesma necessidade que todos os organismos vivos dependem da Água?
Quisera poder comparar seguramente a força do meu Amor à resistência de um planeta que comporta em si o peso de inúmeros seres, vejetais, relevos, construções e apesar da ganância humana, este planeta ainda consegue forças para se manter em suspenso e em movimento. Quisera eu conseguir te dizer que tais cobranças feitas por ti me são tão pesadas, apesar de pequenas, quanto a lágrima que luto e reluto para não deixar cair, mas sempre que me derrota, desaba em um peso de 1 tonelada.
Se tu soubesses que meu Amor é como a fé e a esperança que habita nos desafortunados: a fé naquilo que não se vê, mas naquilo que se sente. Se tu entendesses que o que eu carrego em meu peito é muito mais que um grão de areia. Se tu soubesses o quão difícil é definir o indefinivel, dizer o indizivel. Se tu soubesses a força do seu toque, me olhasse com outros olhares, se me ouvisse no silêncio...Talvez assim tu me sentirias, não mais me indagaria coisas tão difíceis:
TUDO ISSO SERIA TOLO E INÚTIL.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Cartas
Talvez a fase mais fértil da minha vida tenha sido na adolescência, quando eu namorava um garoto louco que certa vez me pediu para que eu lhe escrevesse uma carta e lhe desse de presente. Como eu sempre fui uma garota introvertida, com sérias dificuldades de me expressar verbalmente, passei a enviar cartas constantes. Fazia declarações, falava do meu dia-a-dia, fazia críticas, falava dos meus sonhos...Esta fase durou 3 anos. Naquele tempo, eu não tinha blog. Escrevia em diários, e aquele garoto era um dos poucos que conseguia transitar no meu "mundo particular e secreto".
Pois bem, terminamos. Meus amigos me incentivaram a criar o Blog anos depois. Desta forma, consegui escrever com mais freqüência sobre aquilo que eu sinto, penso mas não consigo dizer. Enquanto isso, o guardião, o portador daquelas 200 ou 300 cartas continuou a guardá-las, como um tesouro, algo raro, algo de mim que talvez nem eu saiba. Nos tornamos amigos, seria ridículo e pequeno da minha parte guardar mágoas de uma pessoa que apesar das turbulências, me trouxe muita coisa boa. Ele foi o primeiro: amor, interlocutor, aventura, balada, valsa...Sim, foi meu primeiro "tudo"!
Nos tornamos amigos, ele casou e "descasou", teve um filho ( ele dizia que teria um muleque chamado Guilherme algum dia. Ele me dizia isso, e não é que ele teve mesmo!). Certo dia, este meu amigo ao pegar seu filho para dar uma volta, recebeu de sua ex-mulher um pacote com todas as minhas cartas. Ele chegou a pensar que ela tinha se desfeito destas, mas não, ela as guardou e as entregou de volta ao verdadeiro dono. Ele mexeu, releu uma e depois outra e outra e mais outra...Entrou em contato comigo, contou-me a história, queria me devolver as cartas que eu dei a ele anos atrás. Uma parte de mim ficou curiosa para ter um reencontro com aquela menina dos cabelos longos de all star vermelho e com a cabeça nas nuvens...queria por um lado conversar com ela, ouvi-la e saber se eu a perdi ou se "parte" dela ainda vivia em mim. Mas por outro lado, aquilo que eu escrevi e dei de presente no passado, não era meu. Era e ainda é do meu amigo, do meu primeiro amor. Aceitar de volta aquilo que eu dei seria inútil e pouco justo para aquela garota de 10 anos atrás.
Então disse a ele: "São suas, não minhas. Escrevi lá atrás para você, tudo alí era real. Aquela garota te amou muito. E o que eu faria com as cartas que não são minhas? Se não faz sentido para você guardá-las, queime-as!" Ele hesitou, disse que dá muita dó se desfazer delas de forma tão violenta. Por outro lado, confessou-me o quão doloroso era ler tudo aquilo novamente.
Insisti, disse para ele se desapegar do passado e que o carinho por ele, o carinho e respeito por ele lá atrás ter dado vida a aquela garota ainda existia. Assim, ele optou por guardá-las no sotão de sua casa.
O respeito e até uma certa gratidão permanece, na mesma intensidade do amor que eu tenho pelo meu amado atual, pelo gurí com quem sonho toda noite. É bem verdade que eu não escrevo cartas ao meu namorado, que eu não sou tão doce com ele como fui com o primeiro. A gente muda, isto não torna o amor do passado maior ou menor que o do presente. É só questão de tempo, identidade e pessoas.
sábado, 17 de agosto de 2013
Escolhas
É muito cruel ter de escolher entre a liberdade contemplativa e silenciosa de quem busca a verdade e a prisão compartilhada e feliz daqueles que dançam e vivem numa realidade ilusória. A vida é feita de escolhas, ao direito de escolher atribuímos a definição contemporânea de liberdade ou "livre-arbítrio".
Contudo, esta "liberdade" sempre nos recai com um peso, um carma, um fardo, um açoite ou simplesmente uma condenação: e é neste paradoxo, neste antagonismo existencial, a liberdade acompanha a angústia.
O tempo passa, eu gasto meus grãos de areia hesitando, esperando por algo que nem eu, talvez nem o Próprio Deus compreende. Estou insatisfeita com a Caverna escura que conheço enquanto mundo, as sombras já não atendem ás minhas necessidades, o senso de que falta algo pertuba meus sonhos e assombra meus dias. Estou livre. Meus pais, mesmo sem saber contribuíram com meu juizo. Eu sei que além desta caverna existe um mundo, existem cores e objetos vivos e palpaveis. Eu sei que a partida e o encontro com a Verdade é o que vai me libertar, mas apesar deste fato eu hesito. Hesito o barulho do silêncio, a presença da ausência humana, hesito a loucura da lucidez de um Homem que perante á outro semelhante será visto com dissemelhança.
Mas não dá mais para adiar e hesitar. É preciso escolher minha sentença e recompensa.
Desculpe Meu Amor
90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...
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T udo o que posso dizer é que Eirene é colorida, mais parece pintura em aquarela. Alem de tudo é frágil e singela, indescritivelmente bela! ...
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"Como transformar Potência em Ato sem passar pela Privação?A vantagem da Privação é simplesmente a possibilidade de avaliar o que somos...