É muito cruel ter de escolher entre a liberdade contemplativa e silenciosa de quem busca a verdade e a prisão compartilhada e feliz daqueles que dançam e vivem numa realidade ilusória. A vida é feita de escolhas, ao direito de escolher atribuímos a definição contemporânea de liberdade ou "livre-arbítrio".
Contudo, esta "liberdade" sempre nos recai com um peso, um carma, um fardo, um açoite ou simplesmente uma condenação: e é neste paradoxo, neste antagonismo existencial, a liberdade acompanha a angústia.
O tempo passa, eu gasto meus grãos de areia hesitando, esperando por algo que nem eu, talvez nem o Próprio Deus compreende. Estou insatisfeita com a Caverna escura que conheço enquanto mundo, as sombras já não atendem ás minhas necessidades, o senso de que falta algo pertuba meus sonhos e assombra meus dias. Estou livre. Meus pais, mesmo sem saber contribuíram com meu juizo. Eu sei que além desta caverna existe um mundo, existem cores e objetos vivos e palpaveis. Eu sei que a partida e o encontro com a Verdade é o que vai me libertar, mas apesar deste fato eu hesito. Hesito o barulho do silêncio, a presença da ausência humana, hesito a loucura da lucidez de um Homem que perante á outro semelhante será visto com dissemelhança.
Mas não dá mais para adiar e hesitar. É preciso escolher minha sentença e recompensa.
Vaga-lumes são inspirações noturnas que brilham em meu quarto. Múltiplas e frenéticas colidem entre si; e como estrelas que se unem em constelações, nasce o verso, a prosa sem nexo, a doxa, a palavra sufocada.
sábado, 17 de agosto de 2013
Escolhas
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