O Amor se divide em 2 tempos: o Amor à primeira vista e aquele que se perpetua por toda uma vida. O difícil é saber se aquele "love in the first sight" é aquele que você vai manter por toda uma vida. Envelhecer ao lado de alguém, amando e sendo amado, diariamente até o último suspiro.
Até a alma mais cética guarda este anseio, mesmo que o negue. Todos nós somos vaidosos e carentes o bastante para idealizarmos tal Amor. Ninguém quer morrer sozinho, todos nós queremos ser aquela rosa entre outras mil que é cativada e, que por isso, deixa de ser +1 para ser ÚNICA.
E tanto buscamos a tal da "metade" que nos enganamos, nos precipitamos, caímos em armadilhas letais. Alguns põem suas vidas em risco, outros adoecem, se anulam, se submetem, matam e se matam por um amor à primeira vista e,a possibilidade de transformar este encontro no marco de toda uma Historia de vida Conjugal, esta estilo comercial de margarina. Já ouvi historias cabeludas, gente que pagou rios de dinheiro para que "entidades" troxessem e amarrassem o sujeito amado. Outros chegaram a cometer crimes passionais, desde uma agressão impensada no calor da emoção, até assassinatos friamente calculados.
E tudo isso para reter e viver o tal do Amor do Comercial de margarina. Só que ás vezes, o que entendemos por Amor é atração, carência emocional, é paixão ou aprendizado. Alguém vai dizer: 10 anos ao lado de "fulano" e você vem com esse papo de "aprendizado", ciclo?
Sim. Como diria meu primeiro namorado: "Nada é 100% doce, nem mesmo o açúcar! Por outro lado, ninguém é 100% medíocre ao ponto de não ter nada a ensinar ou contribuir!" Sou obrigada a dar os créditos á esta pessoa que mais do que prantos, me trouxe risos e, além destes risos e prantos, me ensinou meia dúzia de coisas que contribuíram com o que eu sou hoje!
Bem certa vez, justamente quando eu menos esperava, meu olhar foi de encontro com um belo par de olhos castanhos. Meu coração bateu tão rápido que só um milagre para que eu não desmaiasse como um beija-flor. Ao invés disso, eu falei muito, devo ter gesticulado bastante (ainda que de modo tímido). Eu não poderia deixar aquele encontro morrer só naquela noite. Por isso, superando á mim mesma, eu liguei no dia seguinte. Só depois que eu o ouvi pelo telefone, eu desmaiei na cama como beija-flor exausto. Tudo nele era surpreendente. E cada descoberta me inspirava á surpreendê-lo de alguma forma. O tempo foi passando, pegamos a tal da intimidade, que em alguns aspectos é incrível também, já que fortalece o vínculo. O problema é que a intimidade gera conflitos do dia-a-dia, conflitos que de tão frequentes nos torna apáticos. O fogo indomável da paixão vai esfriando, apesar da grande atração mútua. Mas bate aquela dúvida ou incerteza: "Eu fiz a escolha certa?" "Este Amor à primeira vista sobrevive a vida toda, nasceu pra isso?" E é claro, dá medo de falar para si e para o outro: "Não sei de mais nada. Após 1 ano juntos, apesar das nossas juras de Amor serem tão sinceras, dá para se contentar com o hoje e desligar do amanhã?" Dá para ser feliz nas incertezas certas? Eu Amo, eu sei que amo. Mas eu não sei se amarei tanto assim, uma vida toda!
Uma coisa é certa: conflitos e dificuldades entre casal é um caminho de pedra que se superado, faz da vida deste casal uma rocha. Mas se não houver acordo mútuo, é caminho pro fracasso.
Estou tentando trilhar este caminho. Confesso, está difícil! A mente oscila (se é que é possível) entre o ceticismo e o amor platônico. Ao passo que o coração conta com um amor que muitas vezes, fere o ego. Deveria desistir? Mesmo depois da casquinha, das balinhas de goma, dos narcisos, do banho de chuva? E antes, muito antes do sonho de valsa na Roda Gigante, da pipoca caramelada durante o show de mágica, da casinha cor-de-rosa com cerquinha branca? Deveria?
No meio desta crise, uma prima minha (a mais séria), me informa de seu noivado na próxima semana. E ela, sem entender, questiona minha resistência em "formalizar" a minha relação. O que vindo dela é compreensível: eu sempre fui mais romântica e idealista do que ela, hoje no entanto, invertemos os papéis?!
É a crise. É a culpa da crise: A crise do Amor à Primeira vista, o cessar da paixão e a dúvida de que este Amor miojo nasceu para virar comercial de margarina.