Vaga-lumes são inspirações noturnas que brilham em meu quarto. Múltiplas e frenéticas colidem entre si; e como estrelas que se unem em constelações, nasce o verso, a prosa sem nexo, a doxa, a palavra sufocada.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
ingenuidade
Há quem me tome por ingênua e imprudente, acusam-me de não conhecer a realidade simplesmente por manter um olhar utópico de quem contempla o "nada" e que se surpreende com o mundo o tempo todo. Confesso, eu não encontro razões para sentir medo ou pudor ao transparecer minhas impressões e fascínios. O pudor não é um sentimento muito cômodo para mim,eu o vejo como um gasto excessivo e inútil de energia. O homem se preocupa tanto em se esconder que acaba por se negar e, em dado momento, passa a se desconhecer. Quando a gente se desconhece e perde nossa energia vital, nos não só perdemos grandes oportunidades de auto conhecimento e auto dominio, como também, nos tornamos pessoas passivas que vivem à mercê dos outros.
Ao permitir-me transparescer tudo aquilo que eu sinto, como se fosse a primeira vez, eu me sinto isenta de uma culpa: eu me sinto uma pessoa sincera não só comigo como também, com o outro -, desde que, o outro seja capaz de interpretar as entrelinhas do meu olhar. É com estas palavras ingênuas que eu, cinicamente me despeço com total desprezo do meu ciclo de saudades de um passado que não me pertencem e, de uma espera inútil de um futuro que nunca vem. Sem saudades, sem esperas sigo um presente acompanhada apenas de meu cinismo ingênuo - ou de minha ingenuidade cínica.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Ode à Eirene*
Muda desde nascença. Insiste em correr ou se camuflar ao menos ruído ou susto. Apesar de tudo Eirene se faz notar quando quer: com ou sem barulho. Muito nos diz sem absolutamente nada nos dizer. Sua linguagem é distinta: emite sinais, perceber sinais é perceber a presença de Eirene.
Nem grande e nem pequena. Eirene tem os dois tamanhos: grande demais para fazer-se notar sua pequenez exata.
Ao lado da Pequena Grande Eirene, a gente entende que o excesso serve apenas para preencher o vazio, uma desconhecida falta. É por isso que o excesso facilmente vira vício camuflado no hábito; por isso mata sem nos satisfazer tanto quanto a falta. Com Eirene não há vazio, enchente, falta ou excesso. O que há é a plenitude vivida em breves instantes - que variam entre um piscar de olhos, uma estrela que se apaga no céu, no máximo, até o término de um dia. Do contrário, se ela estivesse sempre presente em nossas vidas, a felicidade não seria percebida, a própria vida não teria ela sentido em ser vivida.Mas por alguma razão, Minha querida e estimada Eirene anda sumida. Tentei encontrá-la em lugares e situações mais diversas: no silencio da noite, por entre as folhas molhadas de orvalho, por entre o colorido dos dias...Busquei por ela no olhar de desconhecidos, palavras de um amigo, entre livros carcomidos, através de um gesto de um ente querido. Faz um certo tempo que estou a procurá-la desesperadamente na falta de meus segundos e no excesso de meus dias. Sem obter pistas, todavia.
Chego a pensar que talvez Eirene não habite mais este plano por duas razões possíveis:
Ou porque ela se cansou de tudo isso ou talvez porque o homem tenha deportado a própria paz neste tempo de guerras.
*Eirene= Paz, Primavera em grego
Palavras do silencio

Palavra é espada: existe justiça na palavra, injustiça também. Existe falta na palavra, tal qual o excesso em palavras. E existe é claro, a palavra "justiça", a palavra "Fé",a palavra "Falta" e "excesso". Existem os substantivos, adjetivos, verbos, advérbios... Versos, palavras diversas e sem nexos, pensamentos sem nexo.
Existiria verdade nas palavras? Eu sei que existe a palavra "verdade", mas qual é a verdade em seu real sentido?
Metáforas, sátiras, hipérboles, antíteses, eufemismos...comédias, tragédias, autos, poesias, romance, prosa poética...A palavra tem sabor, textura, odor? Pois esta aqui tem cor, esta mesmo é Azul .
Quem fala demais, diz de menos. Fala para não ficar só, mas acaba por ficar só com palavras. Quem fala de menos precisa dizer de vez em quando pra não ficar só, também.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
heróis
Não existem Heróis, não existem santos, não existem sábios. Eles morrem antes mesmo de se tornar de fato. São reduzidos e ridicularizados, na medida em que suas existências, ações e pensamentos são reduzidos á palavras vãs, daqueles que os sucedem e se beneficiam.
Sim sim, é triste, é trágico...Mas o bom disso tudo é saber que não há motivos bons o bastante para cogitarmos a possibilidade de nos tornarmos ídolos e mártir de um povo ou de uma Era. Pesa menos quando se descobre que ninguém é perfeito. Meus ídolos, estão mortos. Meus amigos, minha família, são pessoas comuns diferentes mas assim como eu são comuns. É isto que os tornam em pessoas extraordinárias...Não são meus ídolos, apenas pessoas influentes!
terça-feira, 3 de agosto de 2010
GRANDE Solitário
De qualquer modo, a solidão serve de boa companhia: é muda, nos dá total autonomia!
Um dia nossas escolhas, nossas crenças, se voltam contra nós sob a forma de fardos, açoites e grilhões. Até o homem mais forte, se cansa: a armadura, o escudo e a espada pesam! Se tirassem tudo isso dele, ele seria um homem comum, restariam as mãos , os pés os cabelos e a mente: um homem comum, com dores comuns e a mesma fadiga em comum.
Quando pequena fiz minha primeira grande escolha: eu queria ser GRANDE, grande o bastante para abraçar o mundo; fazer algo grande para o mundo. Hoje, ainda pequena na altura, grande na idade; olhei para o mundo e vi o quanto ainda sou pequena para ele. Quando muito eu poderia ser grande para o mundo de uma só pessoa, mas não para o mundo todo! O fato que eu teria de abrir mão do meu pequeno mundo e das minhas grandes ambições.
Até que certo dia eu notei: Fui dormir e estava só, acordei e ainda estava só; pensei, toquei, observei, imaginei, acreditei, cultivei, amei, adoeci, sobrevivi e ainda só! Foi então que eu me libertei dos grilhões, reagi aos açoites: restou apenas o duro fardo de minhas escolhas. Este eu terei de carregar só, se eu ainda quiser ser GRANDE!
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Eu sou um Mutante
Para aqueles que supõem me conhecer tão bem como dizem, eu faço um apelo me apresente minha essência tão fujona e mutável! Pois eu sempre cometo erros ao meu respeito, quando penso me conhecer. É engraçado, pois até minha imagem frente ao espelho não é a mesma todos os dias. O espelho é um mestre na arte de trapacear as pessoas!
Quando penso me conhecer um pouco, esta coisa muda. E a mudança me confunde, ás vezes nem muda,e nas deixa de existir ou nasce repentinamente... Trata-se de um conhecimento vago, tão vago quanto o conhecimento teórico que um historiador possui de uma determinada época. Ou quando não é isso, resta-me apenas a lembrança fresca na memoria sobre mim mesma após alguns segundos. Pois quando penso no que eu acabei de fazer ou dizer, descobrir ou perceber, eu caio no mesmo erro de me lembrar.
A lembrança nos obriga a olhar para trás. Conhecer a si mesmo é ser sábio, mas uma sabedoria para poucos, pois nem sempre é possível olhar para os dois lados ao mesmo tempo, como faz o camaleão.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
O Cubo Mágico (nota sobre a plenitude)
A vida é comparável á um cubo mágico, seis lados com milhares de combinações possíveis: todas segundo o meu critério, a minha vontade. Mas entre tantas combinações possíveis, apenas uma atinge o objetivo, é a perfeita. O chato é conseguir encontrar a combinação certa, entre tantas.
Dizem que é uma questão de raciocínio e muita atenção montar corretamente o cubo mágico, há quem defenda que a sorte leva o sujeito a completar todos os lados. De qualquer modo, sempre fui desprovida tanto do raciocínio quanto da sorte: quando monto um lado -depois de horas!- parto para o outro e acabo por bagunçar aquele que tanto me custou a montar... Não importa por onde eu comece, por qual cor eu opte, nunca cheguei nem perto do objetivo!
Se eu fosse contar com a sorte o tempo todo para arrumar a minha vida, NADA ou muito pouco iria fazer desta. Por outro lado, como eu disse, nunca fui muito boa com raciocínio ou fórmulas, principalmente aquelas realizadas com sucesso por aqueles que possuem muita perspicácia comparada á mim. Ainda que eu monte dois, três ou quatro lados, não serão os seis, então ou eu torno isso uma obsessão e fique completamente louca por conta de um jogo, ou eu acabo por me desiludir e com isso desista de tudo - como o que eu acabei fazendo com aquele cubo magico intrigante!
Não que seja impossível acertar todos os lados de uma vida, apenas é demasiado difícil para os que não são eleitos pela sorte e muito menos os que não são super dotados! O fato de eu ter desistido de cumprir a proposta daquele cubo mágico não me torna nem mais, nem menos infeliz; isto porque eu não desisti da vida, apenas mudei de estratégia: transformei meus bons momentos (tanto os que vivi, como os que viverei) embolas de sabão.
Estas bolhas são instantes belos, perfeitos, extraordinários, ao mesmo tempo que são singelos, frágeis e efêmeros. Somem tão rápido quanto o modo em que aparecem. O problema é o apego, pois a gente tende a querer eternizá-los, resolvemos tocá-los com a ponta dos dedos. Então a bolha explode: pois a felicidade é frágil demais para ser maculada por uma vontade cega. O que fazer é simples: contemplar esses momentos, se jogar. Mas sem se apegar, justamente por saber que eles não são eternos, sem pensar no antes ou no depois daquele momento.
Ninguém está inteiramente isento da desilusão ou da loucura, afinal quem nunca se desiludiu com aquela porcaria daquele cubo mágico?! O que me fez mudar de ideia não foi a lucidez ou a prudência, ao contrario, foi a modéstia mesmo! Com isso eu descobri que as bolhas de sabão podem ser tão infinitas quanto as combinações do cubo mágico, e tão perfeitas quanto aquela única combinação. Para isso eu não preciso de sorte ou fórmulas infalíveis. Apenas da minha vontade.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Rouxinol e o Andarilho
domingo, 20 de junho de 2010
Descrença
Hoje é só mais um daqueles dias em que minha inspiração surge em meio á tragédias secretamente acumuladas. Desculpem-me se faltam-me palavras, orações e outras coisas incríveis, amáveis, e "benditas". Há tempos que não vejo o mundo, que não respiro, não o toco e nem o ouço em forma de poesia.
Minha fé vem sido, pouco a pouco consumida. A fé foi devorada pela realidade trágica e cruel, na qual, me sinto fadada: a dúvida. Sobre meu ceticismo atual,ele é fruto, o filho da própria fé, aparentemente inabalável. A cria da fé com algumas duzias de frustrações em um coração simplesmente esgotado!
sexta-feira, 11 de junho de 2010
desabafo improvisado
A gente acredita ou finge ao menos escutar.
A gente pensa mas diz sem pensar,
Ama sem querer amar...
A gente tenta sorrir, começamos a mentir
pois queremos mesmo é chorar...
Confesso que não sei,
não sei onde errei,
talvez sonhei, pensei demais
acreditei em demasia,
perdi tempo gastei tudo em utopia.
Daqui a pouco mais um ano de existência
o tempo corre já me vejo em decadência.
Queria não perder tempo,
queria dançar ao vento,
queria sobretudo, falar
disso, aquilo e de tudo...
queria sobretudo em alguém
em que eu realmente pudesse confiar...
mas realmente, realmente
estou cansada de me enganar.
oceano

segunda-feira, 7 de junho de 2010
Entre dois extremos

sexta-feira, 28 de maio de 2010
Caro sr. Heráclito:
sábado, 22 de maio de 2010
complicando e pouco contemplando
O mesmo ocorre com as bolhas de sabão - tão queridas durante a infância quanto tristemente ignoradas com o passar do tempo. Certo dia a gente acorda, percebe mudanças em nossos corpos, o olhar assim como a voz enrigece, os sonhos e os pensamentos ganham ou perdem consistência...Então como em um passe de mágica, as bolhas de sabão deixam de ser atraentes, perdem seu brilho diante de uma proposta de emprego, ou outras prioridades.
Mas o tempo que não vemos passar, a vida que tanto tememos perder, pouco a pouco se dissolve na atmosfera como as próprias bolhas de sabão. A gente se esquece da lei do mundo, a gente pensa que é eterno, ou nos esquecemos do quão rápido é o passar do tempo que leva para o efémero desaparecer no ar. A gente se esquece com o passar do tempo e se perde como areia ao vento...
A vida tem um jeito engraçado de nos pegar. o amor da nossa vida, por exemplo, pode estar do outro lado da rua, pode ser aquele belo garoto do lado de fora do ônibus, ou eu mesma ser a garota especial vista por alguém dentro de um ônibus; o amor que tanto idealizamos pode estar tão próximo a nós quanto a árvore está à um pedaço de terra, mas a gente não vê...a gente sempre muda o foco do olhar quando não é preciso e, quando é preciso a gente esquece, aí a gente envelhece e sofre a toa, perde oportunidades...
Tudo do que surge aos nossos olhos e ouvidos e poros...
em tudo habita vida.
Tudo acaba por estar vivo, e por estar vivonasce a beleza de se contemplar cada estrela que cai em um instante mágico, efêmero, fugidio e único:
Instante que apesar de ser tão breve,
não é o bastante para impedir que o fenômeno se eternize através mente dos que percebem, sentem, vivem...
domingo, 9 de maio de 2010
Decepção

Decepções... Estou virando uma especialista nessa área: tanto na arte de decepcionar, quanto na façanha de ser decepcionada. Parece mandinga, bruxaria, sina talvez vício. Acho que eu peco por meus excessos, talvez seja algo que surja a partir dos meus excessos e faltas...ou um ou outro, ás vezes os dois. Sempre assim, decepciono alguém que eu amo por não querer dizer algo ao meu respeito, por ser intangível e ausente. Decepciono alguém quando não digo algo, ou quando digo o que eu penso sobre algo. Decepciono quando não ajo como o esperado, ou de acordo com a lógica comportamental do Homem, enquanto espécie. Não sou de sentir remorsos, acontece que fatalmente as pessoas que eu amo, são sempre aquelas que eu mais decepciono, justamente na tentativa de não querer decepcionar.O resto do mundo, bem é o que menos importa. Na verdade, não sou eu quem decepciona o mundo, mas o mundo que me decepciona diariamente. Me decepciono com as pessoas diariamente e por diversos motivos. Me decepciono quando crio expectativas a respeito de uma ou de outra pessoa, então descubro que não era nada daquilo que eu pensava, neste caso me decepciono duas vezes: pelo o outro e por mim. Me decepciono no amor, já me decepcionei em amizades, com parentes, com crenças...comigo! Mas sou otimista, um dia quem sabe eu vou parar de me importar e de me impressionar. Nesse dia eu vou ver as coisas como são e vou aprender a confiar mais em mim e desconfiar de todo o resto.
Agora se por ventura eu acabei de decepcionar alguém em especial, alguém que vale a pena minhas retratações. Para essa pessoa eu digo:
" Desculpe-me sinceramente, não foi minha intenção. No entanto, certamente você também já decepcionou alguém!"
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Ame e me deixe

Ame meus desejos, quero beijos embebecidos de loucura viciante.
Ame e me deixe ao amanhecer. Volte só ao anoitecer. Preciso da
saudade para de mim ou de ti, esquecer-me...
Me cative, me cultive... cuidado, não se apegue!Não se flagele, não se negue
por uma idolatria absurda e doentia.
Me ame e me deixe...Não seja egoísta consigo, por ser tão altruísta comigo
e meus caprichos. Ame meus desvarios e destemperos, me revele vários de
seus devaneios.
Ame e diga que não ama. Minta e diga: "eu te odeio!" Não espero herói, nem
quero vilão. Se ama, como sugiro que ame, não me venha com discursos típicos
de protagonistas heróicos ou retóricos, prefiro os antagonistas - especialmente
os paranóicos.
Não me iluda, é mais prudente e até carinhoso de sua parte, me tornar em uma
desiludida . Me deixe nua com palavras puras e cruas. Me ame e me deixe...E
nada me prometa e em nada se intrometa.
Ame ao anoitecer, desame ao amanhecer. Seja o que acontecer me impressione,
me pressione a impressionar. Seja impressionável e impressionante. Não quero
e nem espero apenas o extraordinário, me apresente o outro: o miserável.
Ame e me deixe...me deixe amar, me deixe pensar, me deixe respirar. Não minta,
apenas sinta. E se realmente quiser, diga o que sente. Aceite o meu presente: Ame
e viva comigo o instante fugidio, a contradição entre o eterno e o efêmero, mas não tente eternizar aquilo que o tempo acabou de levar....
Apenas ame e me deixe...
quarta-feira, 5 de maio de 2010
A risada do Palhaço

O palhaço não ri de si mesmo por achar tudo(incluindo a si mesmo) engraçado. O Palhaço ri para atenuar sua dor ou necessidade, ri por proteção e para tentar sobreviver de algum modo. Afinal de contas, não é muito legal quando o mundo inteiro toma ciência da fragilidade de um sujeito, ainda mais de um inofensivo Palhaço. Ainda que haja pessoas bondosas e cuidadosas, existem também os sádicos que sentem-se saciados por um prazer que consiste em estraçalhar um sujeito menor.
A maior parte das pessoas aguardam o futuro sempre com esperança e otimismo no presente. Este não é o meu caso, na verdade sempre me sinto angustiada, eu temo sem saber o que ou o por que. Mesmo entre os momentos de alegria sinto um pouco de angústia, pois sempre há uma tristeza que antecede ou sucede na mesma proporção a alegria. Sempre há um sacrifício a ser feito, não importa o que a gente faça ou deixe de fazer. No meu caso, eu sei exactamente o que fazer para combater esta sensação latejante: retirar do baú a roupa velha do Palhaço estranho e retornar ao publico.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Existe um lugar
Existe também um palacete medieval, um pouco empoeirado - há tempos não recebe honroso convidado. Mas é belo, de beleza simples e peculiar. Em outros tempos havia uma donzela que cultivava hábitos da realeza, que ali se esmerava, limpava e ficava a esperar. Tanto tempo se passou, a donzela se cansou e de seu pequeno refugio evacuou: trancou o lugar belo e secreto e no mar se aventurou. No pescoço carregava uma chave do castelo e á uma ave confiava o mapa que escondera em mais distante lugar. Passara-se tanto, tanto tempo e o palacete isolado e empoeirado ali permanecia. Sobre a Donzela, esta aos sete mares adormecia à espera de um instante que nunca
acontecia. Entre tantas aventuras muitos piratas surgiam e a chave do coração todos eles queriam. Mas sem o mapa, no lugar secreto, eles nunca poderiam chegar.Compadecida do tormento da Donzela, a ave amiga e prudente um dia lhe trouxera o mapa de volta, mas antes explicou a Donzela a importância de usar de um artifício antes de confiá-lo a um cavalheiro. O mapa não era mágico. Não havia feitiço ou exorbitantes artifícios para merecê-lo. Aliás, o que tornaria a posse do mapa quase impossível era justamente a simplicidade em merecê-lo. Gestos simples, nada de dragões, palavras simples, nada de magia estes eram os quesitos. O merecedor deve ser corajoso e ao mesmo tempo prudente. Corajoso e disposto a um mar desbravar, prudente ao coração da moça querer conquistar. Ardiloso, o momento certo saber aproveitar, uma estrela cadente saber contemplar e uma bolha de sabão com a Donzela querer formar. Sem desvarios ou excessos: com uma margarida roubada a chave da Donzela conquistar.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Como Cristal

segunda-feira, 12 de abril de 2010
Discurso de um sujeito que atende por ausente

-Quem és tu, Samantha?

quinta-feira, 8 de abril de 2010
Cênicas
Aos amigos das artes e sobreviventes...
O mundo todo reduziu-se à uma temporada interminável e tediosa de ópera: o mesmo ritmo, com as mesmas pausas dramáticas, o mesmo humor ácido - que de tão previsíveis já perderam a graça. O que muda no mundo são os atores em cena, e os dias da semana, de resto, tudo é tão simplista e óbvio que, antever o final da trama nos primeiros cinco minutos é coisa para qualquer um: especialistas e charlatães, crianças e idosos.Falta verdade no mundo. Não, verdade é o que mais se encontra neste mundo: objetivas, subjetivas, relativistas... O Homem escolhe aquilo que lhe convém, de acordo com suas crenças e entendimento. Assim nasce um religioso, um cético, um ateu. Ou um libertino, um romântico, um niilista.
"Deus existe?" "Sim, é a Gaia." "Não, o que há é a matéria." A mesma pergunta e inúmeras respostas, muitas comprovadas pela lógica que tenta justificar a lógica absurda do mundo. Para cada resposta, uma verdade...uma falsidade. Sem dúvida, "O Homem é a medida de todas as coisas".
Não faltam verdades no mundo, ao passo que para cada verdade desvelada, desvela-se uma ou outra falsidade mascarada de verdade. Falta sinceridade na hora de um "SER" voltar a "OUTRO SER", com o intuito de mostrar aquilo que se "É", se pensa, se sente - com sigo mesmo ou com o outro.
Mas a grande Ópera interminável, previsível e tediosa não dá espaço para os artistas revelarem seus talentos. É por essas e por outras que eu prefiro a VERDADE do Teatro do Absurdo: onde o cômico é o trágico, aquilo que se passa por irrealidade é o mais próximo da realidade objetiva, ao qual nos condicionamos diariamente ao longo da Ópera.
Porém, mesmo os artistas odiando o que fazem - ou o modo como fazem - , estes estão demasiadamente viciados em seu clichês tão mecânicos, que não conseguem consertar o desastroso espetáculo - ou o Mundo Contemporâneo. Tornaram-se cegos, surdos ou loucos: atuam com talento o desastroso roteiro, não gostam mas sobrevivem á uma estranha lógica do -1, que no final torna-se em +1 até o finito do infinito, o fim do "SER".
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Sufoco
outra doença respiratória. Também não sou claustrofóbica, eu consigo sobreviver
bem em lugares fechados, sem grandes histerias. Não sou alérgica á animais, nem
sofro com alterações climáticas. Mas sinto falta de ar, em qualquer hora e
lugar. Sufoco em casa, na rua, em casa de terceiros. Ás vezes sinto minha
voz aguda e renitente ser abafada. Outras, sinto o ar ou o espaço comprimir o
corpo. Por inúmeras vezes acreditei mesmo ser loucura, desvario ou até frescura
mesmo...
Seja lá o que for, nessas
horas de sufoco procuro me conter, não me desesperar: gasta-se mais oxigênio e o
coração acelera todas as vezes em que deixamos as emoções dominar o corpo. Então
digo a mim mesma, como um curandeiro para seu paciente: "acalme-se logo vai
passar!". O engraçado é que nunca passou, quando muito posso sentir um
alívio que dura o suficiente para recuperar o fôlego, antes de outra
crise.
Acontece que com o passar do
tempo, minha patologia cronica assim como todas, agravou-se a tal ponto que nem
sempre consigo manter o mesmo controle habitual. Se o problema fosse em casa,
mudaria de casa. Mas, não... Seja em casa, na rua, no mercado, no ônibus:
"As pessoas encaram as coisa com tanta naturalidade, sejam coisas simples,
complexas e absurdas...A percepção humana é tão mecânica quanto suas ações! Tudo
é extremamente natural para meus concidadãos!" Tal naturalidade horas me
irrita, horas me sufoca em uma atmosfera que não me pertence. E a consciência
que possuo da naturalidade alheia e meu assombro perante o absurdo, me
enlouquece lenta e silenciosamente...
Descartável
segunda-feira, 15 de março de 2010
Ser um instante

Sou, fui, serei:
-Eu fui? Será que fui? Me lembro ainda se eu fui? Eu sou quem eu fui? O que muda saber o que fui? -Eu serei? Será que serei? Lembrarei-me ainda do que fui e do que serei? Serei eu aquilo que eu sou? O que mudará saber hoje o que eu ainda serei?
Hoje eu quero conhecer a mim mesmo no dia de hoje, sem pressa, no presente instante: na eternidade do "agora". Eterno, pois, o instante fugidio é a única certeza imutável. O presente é o eterno: o que fui e o que serei não existem...
Assim como as indagações, as infinitas reticências e pontos, nada disso importa: eles foram e não são - ficaram á um segundo atrás, durante o meio tempo em que eu descrevo o que sou ou o que sinto no "agora". E o que deixa de ser, importa tanto quanto o que virá a ser: NADA.
O que importa é o que é, o que foi deixou de ser e o que "será" talvez importe quando for
...ou não...
sexta-feira, 5 de março de 2010
Dois Fantasmas
Outras vezes, uma mistura: ansiedade e esperança. A mistura resulta em outra coisa: é como o vermelho e o azul que juntos, resultam em roxo. O roxo não é um e nem o outro. Uma vez misturados não podem ser separados, apenas diluído em um pouco mais de um e um pouco menos do outro. Mas a mistura não resulta em verde, roxo ou laranja; não é uma cor primária ou neutra. A mistura é invisível, mas tão intocável quanto as sete cores do arco-íris ou as sete notas musicais.
A saudade é sempre uma tristeza do que se foi, mas que surge no presente instante enquanto sentimento de falta. A saudade é sempre algo insistente, um fantasma ou espírito que assombra em tempo diferente.
A esperança é o Horizonte: vai embora quando deixamos de ver e ou de buscar. A esperança por algo que desconhecemos gera ansiedade e angústia: é como a sede dentro do oceano. Não é fantasma do que se foi, mas do que virá a ser.
Música
Acontece de as vezes, o "Mi" por ser tão agudo, quase se faz de mudo. Mas sinto um sopro, um ritmo desritmado vindo de "lá": 2 notas que juntas dizem sem dizer uma palavra: "Fá SI" e, que de tanto repetir, traz á tona uma outra face de "Mi".
Agora suspendi a "Dó", e em busca de "Mi", deixei de dar "Ré". Então descobri entre uma "Fá" "Sí" e outra, um "Sol". Eu vi o "Sol" mas não o toquei.
Ouvi, mas não parei só no ouvir, eu senti. Não vou mentir, preciso interagir de novo com o "Mi" antes de descrever a "Fá""Sí " do "Sol".
Mas confesso sentir medo de fazer a "Ré" e ver a antiga "Fá""Sí" de "Mi" e sentir "Dó".
quarta-feira, 3 de março de 2010
Agora
terça-feira, 2 de março de 2010
esconde-esconde

Porém, o tempo passa e o velho truque fica velho mesmo, por ser tão velho perde a graça, é logo descoberto: por mais que a gente engane um ou outro, ou até mesmo todo mundo, a gente não engana a si mesmo. Não conseguimos esconder de si mesmo. O truque não funciona, engana, mas logo desengana.
Conversando com "MIM"
Um Ser que se perde em frente ao espelho do mundo, em meio á silenciosas indagações, teorias e experiências- com e para si mesmo. Um Ser que busca explicações que só serão apresentadas no fim do Ser. Um ser constantemente inventado e reinventado.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Enigmas


sábado, 13 de fevereiro de 2010
Girassol
Por onde anda o Sol que desconserta o riso?
Onde está o Sol de minhas alegrias, que radia meus dias?
O Rouxinol de tão triste que ficou por conta da falta de sorriso do Sol, hoje não cantou.
E eu que não sou tão grande e brilhante, que não canto, me encontro em um canto só, á espera do canto do Rouxinol que depende do brilho do Sol...
Sem Sol não sou Sol, sem Sol não sou eu, um Girassol...
Sem Rouxinol, não há motivo para brilhar...
Sem eles, não tem por que desabrochar...
Então eu fico, Fico Só:
Fico só a lamentar a falta do Sol,
e a falta do sol do Rouxinol...
Chuva
ente ando muito sensível ás coisas. Uma mera palavra, um gesto, lembrança, canção ou brisa - tal qual o cheiro da chuva- é suficiente para fazer com que as águas internas lavem em abundância meus olhos.
o com a temperatura das emoções afloradas á partir de um fator externo em choque com o interno. Mas ao contrário do macrocosmo, este microcosmo chove de dentro para fora, não chora de fora para dentro.
o ar e refrescava. Agora, agricultores começam a perder suas colheitas, pessoas perdem casas, algumas perdem outras pessoas. Já não ligo a televisão, para não ver os estragos da chuva e, com isso, causar uma tempestade interna e alagar meus olhos ou afogar o coração. sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Suco de laranja
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Devaneios ao redor do mundo
O NADA
Em um mundo tão paradoxal, o NADA sem dúvida alguma é de todos os elementos existentes o menos absurdo, na medida que entende-se por NADA algo inexistente.
Um ser que anseia o TODO, destina-se ao NADA, ao passo que, em nome do anseio o sujeito consome a si mesmo. Só o NADA é eterno, pois tudo torna-se cedo ou tarde desmancha-se no ar como bolhas de sabão.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
segredo
Não faltam-me as ideias, palavras ou fenômenos que me inspirem a escrever.

Sonhando com o futuro

sejo do dia-a-dia.quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Mera ilusão de óptica...

Mesmo assim, insistimos no velho hábito tomar por verdade a aparência de algo. Entretanto, somos tão contraditórios... Detestamos a ideia de sermos enganados e, mais do que isso, de sermos julgados erroneamente.
Se eu afirmasse que tal comportamento me impressiona, certamente estaria mentindo. Uma vez que tal comportamento trata-se de um comportamento padrão. E o padrão não possui algo de inovador o bastante para causar assombro ou fascínio. Porém, mentiria igualmente se eu afirmasse que o comportamento padrão, a famosa ilusão de óptica não me causa grandes transtornos e aborrecimentos.
Desculpe Meu Amor
90% dos seus chiloques eu não entendo. Desculpe, mas eu simplesmente e francamente não compreendo! Ah, meu Amor você é tão lindo! Isto po...
-
T udo o que posso dizer é que Eirene é colorida, mais parece pintura em aquarela. Alem de tudo é frágil e singela, indescritivelmente bela! ...
-
"Como transformar Potência em Ato sem passar pela Privação?A vantagem da Privação é simplesmente a possibilidade de avaliar o que somos...



